Escola de Canto de Órgão – Parte I – Diálogo Preliminar – Artículo II

Artículo II.
Dos prodigiosos efeitos, e virtudes da Música.

M. São tão portentosos os efeitos, que a poderosa virtude da Música tem produzido, e pode produzir, se dela usarem os homens, como devem; que com razão a veneravam por coisa sagrada os antigos Filósofos, e principalmente os Pitagóricos, cuja doutrina ensinava que com ela fora composto, e fabricado o mundo 1: e que a nossa alma, porque com a mesma razão fora formada, com as harmonias, e concentos Músicos desperta, e quase aviva as suas virtudes. Philippe Beroaldo 2 em uma Oração, que faz sobre Horácio, compreende quase o mesmo, e é também ele dos que fazem a Música nascida do céu: e esta sua celeste natureza se manifesta nos seus efeitos, e principalmente em um, que ele aponta, dizendo que é tão deleitável, que não há vivente, que da sua doçura se não deixe prender, cativar, e vencer: Musica adeo delectabilis est, ut ejus dulcedine concta viventiae capiantur, cujus origo caelestis memoratur, ipsiusque ratione mundum esse compositum Pythagorici ad scripserunt. E porque na razão de vivente sujeita a Música não só o racional, prendendo aos homens os ânimos; mas também o irracional, suspendendo dos brutos os sentidos, como disse Cassaneo 3: Musica disciplina non solum homines, verum etiam bruta animalia demulcet: de uns e outros trataremos, divididos em duas classes. E para o fazermos com [p. 22] o acerto, e boa ordem, que devemos, começaremos pela do racional.

§. I
Da virtude, que tem a Música para
deleitar, e mover os ânimos
dos homens a diversos afetos.

M. É tão natural à Música o efeito de deleitar, que com razão em abono seu se diz 4 que todo o homem naturalmente com ela se deleita: Homo naturaliter delectatur symphonia, et metro. A experiência assim o mostra: e é tanto assim, que Plutarco 5 se não capacita que haja homem tão rústico, e tão insensato, que com o deleitável canto da Música se não mova: Neminem autem puto tam stupidum, tam plumbeum, qui cantu non moveatur. Cassiodoro 6, encarecendo este natural efeito da Música, chegou a dizer que as cordas dos instrumentos se chamam assim, pela eficácia, que tem de mover os corações, que também no Latim se chamam Corda: Chorda dicitur, eo quod corda moveat. A mesma derivação lhe deu S Isidoro 7, quando disse: Chorda a corde derivat; quia sicut pulsus est cordis in pectore, ita pulsus chordae in cithara. Só perderam esta eficácia as cordas dos instrumentos, quando sendo de tripas de carneiro, se puser entre elas alguma de tripa de Lobo; porque então diz Alciato 8 que não hão de soar, por mais que as toquem; pois dura ao carneiro até depois da morte o medo, que do Lobo em vida teve: Post mortem formidolosi. Por isso em muitas partes, ou cidades da Grécia, quando queriam dar leis, as promulgavam ao som de Músicos instrumentos; porque do natural, e estreito vínculo, que com o homem tem a Música, confiavam que com maior firmeza, e vontade seriam recebidas 9: Philosophi suas Leges ad numerum decantari volebant, ut cum vocis dulcedine tenacius, et libertius in animis hominum reciperentur.
É tão poderosa a Música para mover os ânimos dos homens, que com insensível força em breve instante, pelas diversas inclinações, a que se levam, se chegam a ver Próteos de diversas formas. Saía a ser testemunha desta verdade o grande Alexandre, e confesse que pôde nele a Música dominar, e vencer aquele invicto ânimo, que nunca armas contrárias tiveram força para contrastar. Já não cantava, nem tocava com tanta frequência os instrumentos, a que desde menino fora muito inclinado o invicto Príncipe, depois que o seu severo Pedagogo uma vez (além de outras) vendo que por eles se esquecia das obrigações, e cuidados de Rei, o repreendeu, dizendo que a sua Real mão fora talhada para o cetro, e não para o plectro 10: Non ad plectrum, sed ad sceptrum. Mas nem por isso perdeu a inclinação à Música, e o especial amor, que teve sempre a Timóteo Milésio, seu grande Músico, e tão insigne, que não falta quem diga que ele foi o que descobriu o gênero Cromático, e que escreveu de Música dezessete Livros: mas sempre é certo que na Harpa, ou Viola foi tão excelente, que não ficou atrás do celebrado Orfeu.
Por isso se servia sempre Alexandre da fiel companhia de Timóteo, ainda na campanha; onde vendo-o um dia Timóteo entre os seus Áulicos sobre o triste, e sonolento, para o despertar, armou de repente na Viola uma batalha. Feriu a prima com trinados em forma de pífaro, ou clarim; e batendo o bordão à maneira de tambor, Largou a suavidade de sua Angélica voz, e entoou uma Letra, que dizia: Guerra, guerra Alexandre, Alexandre guerra. Mudou logo o valoroso Príncipe o semblante, e abrasado de improviso nos incêndios [p. 23] de Marte, desembainhou a espada, e mandou com furor bélico tocar as caixas, e pegar nas armas. Aqui Timéteo começo com som mais brando a tocar a retirada: e cantando com voz mais maviosa, lhe dizia: Paz, Alexandre, paz; ao teu furor já todo o mundo cedeu. Apagou-se de improviso em Alexandre a chama; pois já com vulto sereno, inclinado ao perdão, depunha as armas. Continuou Timóteo em mais brandura, fazendo com os primores da arte acabar a voz em delíquios amorosos: e aquele que primeiro de assanhado Leão se fez cordeiro, veio ao som da Viola de Timóteo a cair desmaiado, como amante enternecido 11.
Lilio Gregoriano, referido por Alexandre Tasson 12 diz que lera (talvez em Alberto Krantzio 13, ou em outro de vários, que o referem) semelhante caso de outro insigne Músico. Era este citharedo tão excelente, e tinha no cantar, e tanger tais acidentes, que eleva os ânimos, e se jactava de alienar dos sentidos aos que o ouviam, senhoreando-lhes os afetos para fazer dos tristes alegres, dos alegres tristes, dos mansos irados, dos furiosos placáveis, e pacíficos etc. Ouvia-lhe em uma ocasião esta jactância Henrique IV, Rei de Dania, que então governava: e desejoso de certificar-se se era hipérbole, o mandou ir cantar à sua presença. Escusou-se, quanto pôde, o excelente Músico (cujo nome não consta, por conhecer que era El Rei homem de extremadas forças; e uma vez enfurecido, podia fazer a muitos muito mal. Mas não podendo resistir às suas Reais instâncias, prevenida primeiro alguma gente, a quem encarregou o cuidado de El Rei, para quando ele avivasse: foi, e cantou primeiro com voz tão triste, e severa, que assim El Rei, como os mais Áulicos ficaram todos como estúpidos, e pasmados de tristes, e melancólicos. Foi logo mudando de voz, e tom para outra cantilena mais alegre: e aos passos da sua garganta se foram também os ouvintes alegrando em forma, que já em si não cabiam de alegria. Então o excelente Músico fez na voz outra mudança, como quem se enfurecia, despenhando-se em fugas, e corridas: e o mesmo efeito receberam os ânimos dos ouvintes de maneira, que foi preciso dar aviso aos prevenidos para terem mão a El Rei, já tão irado, que ainda matou alguns dos que chegaram a detê-los, do que depois muito lhe pesou: e todos os mais certamente se precipitaram, se o excelente Músico, por evitar tantas ruinas, de repente não parara. Por isso com razão disse Bartholomeo Anglico 14 que a mMúsica move diversos afetos, e provoca os sentidos a diversos hábitos: Musica movet affectus, in diversos habitus provocat sensus. Notável caso, se é verdadeiro, quanto parece apócrifo.
De outro Músico, chamado Júlio de Módena, se refere também que cantava tão excelentemente, que quem o ouvia, por mais divertido, e ocupado que estivesse, se via arrebatar de sorte dos sentidos, que sem remédio largava a ocupação 15. Sabia disto o Para Clemente VII que então vivia: e estando em uma ocasião tratando de um negócio de importância, fez firme propósito de se não divertir, ainda que ouvisse cantar a Júlio de Módena. Mas tanto que ele veio, e cantou, logo quebrou o propósito; porque a suavidade da sua voz lhe arrebatou os sentidos, e fez largar o negócio.
Do Imperador Ludovico Pio, filho de Carlos Magno 16, se conta que tendo preso em Andegavi a Teodolfo, Bispo de Orliens, pelo haverem seus êmulos falsamente acusado de cúmplice em uma conspiração contra seu Pai: sucedeu que no Domingo de Ramos, indo o Imperador na Procissão, que naquele dia se costuma fazer, chegou o Bispo à janela do cárcere, e levantando a voz, cantou o Hino Gloria, Laus, que ele mesmo antes havia composto, com tanta suavidade, e agrado do Imperador, que, trocado o rigor em piedade, e o furor em compaixão, logo dali o mandou por na sua liberdade, e repor na sua dignidade.
[p. 24] Do Imperador Theodosio conta Nicephoro Calisto 17, que costumava ter sempre à sua mesa meninos, que lhe cantassem: e em certa ocasião Flaviano, Bispo de Antioquia (porque o reconhecia inexoravelmente irado contra o povo da mesma cidade, por lhe não querer pagar certo tributo, que lhe havia imposto, nem respeitar a estatua de sua mulher), fez que se lhe cantassem uns versos que moviam à compaixão. Cantaram-se de fato à tempo, que o Imperador levantava a taça para beber; e ouvindo-os, se compungiu de sorte, que lavado em lágrimas, e como esquecido, a deixou cair da mão: e foi esta indústria do Bispo ocasião de perdoar logo ali o Imperador a dita cidade.

§. II.
Da virtude, que tem a Música
para refrear de vícios

M. Já deixamos acima referido por dito de Aristóteles 18 que conduz muito para a virtude a Música: e isto se prova com o poder que nela se descobre para refrear de vícios. Por isso a este propósito diz Plutarco 19 que costumavam os Antigos nos banquetes ter sempre Músicos, que cantassem ao som de vários instrumentos, para evitarem as demasias do vinho, e as desordens, ou sucessos trágicos, que de ordinário acontecem entre os convidades; e para que estes, embebidos nela, não brotassem em palavras, e meneios descompostos. O mesmo afirma Quintiliano 20 especialmente dos Romanos: Sed veterum quoque Romanorum epulis fides, ac tibias adhibere mos fuit.
Dos discípulos de Pitágoras diz Marco Túlio 21 que com Música reprime os movimentos desonestos, e apagavam os incentivos da lascívia. E o Angélico Doutor S. Tomás 22 conta do mesmo Mestre Pitágoras, que vendo uma vez a um mancebo abrasado em chamas de amor profano à porta de uma concubina, dizendo os disparates, que costumam os que se chegam a ver contaminados daquele horrível veneno; lhe fez cantar uma letra de seu gosto: e foi de tanta eficácia este remédio, que em breve se viu no moço apagada a chama, e recobrado o juízo. O mesmo conta Boécio 23.
De Agamenon contam Filadelfo 24 e Homero que estando de caminho para a guerra de troia, e prevendo o perigo, em que deixava sua mulher Clitemnestra, ou já por formosa, ou já por inquieta; deixou-lhe em casa para defensivo da sua honra a um insigne Músico, cuja suave voz, exercitada no Modo Dório, teve eficácia para a conservar em castidade, sem poder ser vencida das importunas solicitações do desonesto Egisto, enquanto este com cruel engano lhe não tirou a vida.
Tem juntamente a Música virtude para aplacar os impulsos coléricos 25, como se viu em Aquiles, que se temperava da ira com a Lira. De Canio Pitagórico se diz o mesmo 26: e quando no maior furor da cólera, tocando a Lira, lhe perguntavam o que por então fazia em a tocar? Ele respondia: Mitigor, sossego-me. Pitágoras, tocando a flauta 27 sossegou, e fez retirar os amotinados que forçavam, e queriam por fogo a uma honesta casa do que depois, recobrado o juízo com o dito remédio, muito se envergonharam. Empédocles cantando 28 fez em um seu hóspede quebrar a fúria, e cessar da vingança, que queria tomar do inimigo, que gravemente o havia injuriado. Terpandro, como diz Plínio 29, com a suavidade do seu canto [p. 25] muitas vezes aplacou, e concordou as sedições, e discórdias dos Espartanos e Lacedemônios.
Do ímpio Imperador Nero conta Sêneca 30 que foi muito dado à Música; e que enquanto a ela se deu, foi muito manso, e de bela condição: porém tanto que a deixou, e dela perdeu o uso, logo de cordeiro manso se fez carniceiro Lobo; e de Príncipe humaníssimo cruelíssimo tirano. Do mesmo tiveram experiência os povos de Arcádia: os quais por lhes parecer que a Música os fazia inábeis, para a guerra, dizem 31 que desterraram os Músicos: e com a falta destes se fizeram tão ferozes, que pareciam as mesmas feras incultas. Não pararam aqui: antes, com melhor discurso que Nero, caíram em si, e para se moderarem, entenderam que lhes era necessário tornarem a admitir os Músicos. E não se enganaram; porque outra vez admitidos estes, sucedeu como entenderam. Por isso a favor deste maravilhoso efeito da Música se diz 32 que o cantar, e tanger expele as coisas contrárias, e rebate as moléstias, e faz quietar e sossegar o ânimo: Cithara adversantia pellit, et deservit molestiis propulsandis, et animo leniendo.

§. III.
Da virtude da Música para mover
o espírito à devoção, e às coisas de Deus

M. Também tem a Música virtude para mover o espírito à devoção, e coisas de Deus; e este foi o fim, para que se introduziu na Igreja, como avisa o Cerimonial dos Bispos 33: Quae ad pietatem augendam ordinata est: e mais claramente S. Agostinho 34: Consuetudinem canendi probat Ecclesia, ut per oblectamenta aurium infirmior animus ad effectum pietatis assurgat. E de si diz o mesmo Santo Doutor que muitas vezes se lembrava das Lágrimas, que havia chorado ao princípio da sua conversão, recobrando com os cantos da Igreja a fé, que havia perdido; e que depois disso muitas vezes com a suavidade da Música lhe acontecia sentir no coração tal força de devoção, e compunção, que brotava em copiosas Lágrimas. Surio 35, na vida de S. Darestano, Arcebispo de Cantuária, de quem já acima tocamos 36, faz menção da Música deste excelentíssimo Músico, dizendo que quando cantava, fazia aos que o ouviam deixar as recreações, e divertimentos (ainda honestos) e os movia à contemplação das coisas celestiais.
O P. João da Fonseca 37 conta que um mancebo, que havia sido herege Luterano, lhe dissera que vindo de sua terra à Lisboa a tratar de um negócio, levado da curiosidade fora ouvir os Ofícios da Semana Santa ao convento de Belém, que fica em longa distância fora da cidade: e que lhe causara tanta devoção a Música daqueles Religiosos, que logo ali se resolveu a detestar a heresia, em que se tinha criado, e abraçar a nossa santa fé Católica: e para melhor tratar da sua alma, se meteu Religioso: e vivendo na Religião com muita edificação, nela finalmente acabou com grandes sinais de salvação.
Refere também o dito Padre 38 que outro mancebo, andando desencaminhado, passou uma noite pelo convento de Santa Cruz de Coimbra a tempo, que os Religiosos cantavam as Matinas: e parando um pouco a ouvir, o suspendeu de sorte aquela Música, que não só desistiu por [p. 26] então do mau intento, mas reformando a vida, foi dali por diante muito outro. E também conta de outro 39, que por uma queixa, que imaginava ter dos Religiosos de S. Francisco, estava resoluto a lhes não da esmola: mas recolhendo-se uma noite, e passando pelo seu convento, se edificou tanto com a Santa Música das Matinas, que naquela hora cantavam os Religiosos, que não se resolveu a mandar-lhes no seguinte dia uma grossa esmola, mas foi daí em diante seu particular devoto.
Até para mover em alguns varões o espírito de profecia, dizem que teve a Música virtude. Prova-se esta verdade com o Profeta Eliseu, o qual tendo pedido o espírito de profecia, por haver repreendido com excesso aos dois Reis de Israel, e Judá, Josafá, e Joram, conforme o refere Rabbi Salomão 40: para o tornar a cobrar, e alcançar de Deus, pediu que lhe trouxessem um Músico: Nunc autem adducite mihi psaltem. Tal era o poder, que na Música reconhecia o Profeta: e não se enganou; porque apenas veio o Músico, e começou a cantar, logo Deus o tocou, e profetizou Eliseu 41: Cum que caneret psaltes, facta est super eum manus Domini, et ait etc.
Também com a Música profetizaram os mensageiros de Saul. Foi o caso: que ausentando-se Davi da presença de Saul, porque este o queria matar; se foi meter na companhia de Samuel. Soube-o Saul, e mandou mensageiros, que o prendessem 42: Misit ergo Saul Lictores, ut raperent David. Foram, e chegaram lá a tempo, que os Profetas em comunidade estavam cantando ou profetizando com a regência de Samuel, que entre eles estava, com o Mestre da Capela: e aqui veio também sobre eles o espírito do Senhor, e começaram também eles a profetizar 43: Factus etiam Spiritus Domini in illis, prophetare caeperunt etiam ipsi. Contou-se a Saul, mandou segundos mensageiros, chegaram lá, e também profetizaram 44: Misit et alios nuntios prophetarunt autem et illi. Tornou a mandar terceiros, e também profetizaram 45: Et rursum misit Saul tertios nuntios, qui et ipsi prophetarunt. Não se fiou mais de mandar, foi ele mesmo, e também profetizou 46: Et abiit … et ambulabat ingrediens, et prophetabat.

§. IV.
Da virtude, que tem a Música para
curar diversas, e várias enfermidades.

M. Tem também tem a Música virtude de curar assim as enfermidades do corpo, como as da alma. Que seja medicina para as da alma, o afirmam os Teólogos 47: Salubriter cantus in Ecclesia fuit institutis, ut infirmorum animi ad devotionem provocarentur: O mesmo afirma S. Tomás 48: e S. João Chrisostomo 49 diz que com o canto se cura na alma o achaque, ou fogo da ira. De que seja também medicina para o corpo, são inumeráveis os testemunhos. O Eclesiástico 50 o dá por singular remédio da melancolia. Marsílio Ficino 51 diz que é contra a cólera. Cassaneo 52 a refere contra a febre, loucura, feridas, e mal de peste: e de fato dizem 53 que a loucura a curava com Música o elegante Médico Cornélio Celso. Celio Aureliano 54, Aulo Gelio, e Marciano Capella a dão contra a ciática. Pedro Mexia 55 afirma o mesmo, e a aponta contra a gota. Cassiodoro 56 a inclulca contra outras muitas enfermidades, e de Asclepiades Médico afirma que com Música curava todos os achaques, que procediam por paixões da alma. [p. 27] Do mesmo Asclepiades se diz que com a Música curava os surdos e Aristóteles 57 o aprova, dizendo que é a Música eficaz remédio para a surdez.
Galeno 58 diz que as dores dos meninos com a Música se aplacam; e em outro lugar afirma que algumas outras enfermidades com elas se curam. Avicena 59 diz que aproveita para todo o gênero de dor. Damon Pythagorico 60 curava os ébrios com Música. Pitágoras cantando um verso espondeu 61, restituiu seu juízo a um mancebo, que o havia perdido por causa de vinho. Plutarco 62 reconheceu na Música esta virtude, e diz que por isso a introduziu Aristóxeno nos banquetes, experimentando nela os Antigos ser singular remédio contra as quenturas, chagas, e outras enfermidades, como refere Cícero 63. Enfim muitos outros achaques (e ainda mortais) curavam com Música gravíssimos Médicos, como Terpandro, Arion Methymneo, e Hermenias Thebano, de quem se lembram André Lorente 64, D. Pedro Cerone, e Boécio: Terpander, atque Arion Methymnaeus, Lesbios, atque Iones gravissimis morbis vexatos cantus eripuere praesidio. O mesmo refere com outros muitos o sapientíssimo Sêneca.
Também tem a Música virtude contra o veneno de animais peçonhentos. Theophrasto 65 o confirma, dizendo que é remédio eficacíssimo contra o veneno, e picadura das víboras: e Pedro Mexia 66, Macedo, e outros afirmam que para a mordedura da Tarântula é singularíssimo, e único remédio. É a tarântula uma espécie de aranhas, que há na Apulha, região da Itália, no reino de Nápoles, animal tão venenoso desde que entra o estio, que aquele que chega a ser picado dela, em continente perde os sentidos, e certamente morre-se com toda a brevidade lhe não aplicam o remédio da Música, cantando, e tocando com variedade de instrumentos, estilos, e tons. O efeito, que causa logo a Música no ferido, é levantar-se este, e começar incessantemente a bailar com tanta destreza, e variedade de mudanças, como se em as aprender, tivera empregado toda a vida. Não hão de parar os Músicos de cantar, e tocar; porque se param, no mesmo instante torna a cair o ferido sem sentidos: hão de sim precisamente continuar, até que na danla se lhe purifique o sangue, e consuma o veneno. Chama-se este animal Tarântula de Taranto, lugar de sua frequentíssima geração: e da inquietação, e desassossego, que nos feridos causa o seu veneno, veio o chamarem atarantados aos homens por alguma causa desassossegados, e inquietos. Desta curiosa matéria falam melhor que todos o P. Athanasio Kircher 67, e o P. Gaspar Escotto, seu discípulo 68. Neles com não pequena recreação podereis ver difusamente tratado, o que nós aqui apenas apontamos por notícias.
Todos estes efeitos da Música atribui o douto Petrarca 69 à grande simpatia, que com ela tem a nossa alma; porque ou esteja triste, ou alegre, fleumática, ou colérica, inquieta, ou perturbada de outra qualquer paixão, com a Música se alivia, e alegra. Porque, como diz Platão 70 não serve a Música ao homem só para recrear os ouvidos, senão também, e principalmente para nele compor os humores alterados: Data est nobis harmonia, ut dissonantem circuitum animorum componamus. E esta doutrina de Platão parece que foi universalmente recebida, e praticada dos Antigos; os quais por conhecerem que a Música naturalmente tem poder sobre os órgãos, potências, afetos, e humores do corpo humano; e que este em si a sente em todas as suas partes, veias, e nervos, como com S. Isidoro afirma Bartholomeu Anglico 71: Sic venae, sic nervi corporis, et eorum pulsus, sic omnes corporis artus virtute harmônica pariter sociantur, ut dicit Isidorus: costumavam levar [p. 28] instrumentos Músicos diante do que se levavam a sepultar; para que não sucedesse darem-se à terra com algum acidente 72; certo que (se tal fosse) com o poder da Música sem dúvida despertariam. Pela mesma causa se tinham admitido Músicos com instrumentos na casa de Jairo, Príncipe da Sinagoga, na morte de sua filha: e sendo o Senhor Jesus chamado para lhe dar vida, os mandou sair; para que o milagre, que ele queria fazer de a ressuscitar, se não atribuísse a virtude natural da Música 73: Et cum venisset Jesus in domum principis, et vidisset tibicines … dicebat: Recedite. E foi isto tanto assim, que enquanto eles não saíram, não quis o Senhor entrar 74: Et cum ejecta esset turba, intravit.

§. V.
Da virtude da Música para aliviar as fadigas de todo o trabalho:
e até a tem para expelir demônios dos corpos humanos.

M. Tem finalmente a Música especial virtude para aliviar as fadigas de todo o trabalho, como sente Bartholomeo Anglico 75: Singulorum operum fatigationes modulatio vocis consolatur. S. Pedro Chrysologo 76 o confirma, dizendo que com a Música se alivia o trabalhador no seu trabalho, o caminhante no seu caminho, o marinheiro na tempestade, e o soldado se anima na peleja; como se viu nos Lacedemônios, que refinando Tirteo o som do pífaro, se alentaram em forma, que recobraram uma vitória, que os Messênios quase lhes tinham ganhado 77.
Por isso se instituíram instrumentos para a peleja, e deles usavam em suas batalhas as antigas Amazonas 78; porque não só infundem nos ânimos ousadia, mas alegram, e aliviam no trabalho. Pela mesma causa, e para o mesmo efeito usaram os Lacedemônios nos seus exércitos do canto da Lei Castoria, composta debaixo do Ritmo chamado Embaterico 79; que também tinha suas leis a Música, e tantas, como se podem ver em Joseph Zarlino 80. Dos Cretenses diz o mesmo Atheneo 81: e dos Romanos refere Marco Túlio 82 que não só costumavam incitar os ânimos dos soldados com o som da trombeta, senão também com canto do som dela acompanhado. Por isso, fundado neste natural efeito da Música, disse com razão Aristóteles 83 que o uso da Música é necessário, e conveniente a todos os estados, idades, e costumes: Habet Musica naturalem voluptatem, per quam illius usus cunctis aetatibus, cunctisque moribus est acceptus. Mas para que é cansarvos com virtudes, e excelências da Música, se, para as referir todas, nem chega o limitado do meu discurso, nem muitos, e grandes volumes bastariam? Baste, pois, em conclusão dizer-vos que até tem especial virtude para dos corpos humanos expelir demônios. Ora notai.
Do Santo Rei Davi, quando ainda pastor, diz a Sagrada Escritura 84 que tocando a sua Harpa, apartava de Saul o espírito mau, ou demônio, que o afligia; e que outras tantas vezes, quantas ele a tocava, ficava a Saul aliviado: Igitur quando cum que spiritus Domini malus arripiebat Saul, David tollebat citharam, et percutiebat manu sua, et refocillabatur Saul, et Levius habebat; recedebat enim ab eo [p. 29] spiritus malus. Se vos puser aqui em dúvida o Cardeal Cayetano, por dizer que aquele espírito mau, que afligia a Saul, não se deve tomar pelo demônio, senão por enfermidade natural de melancolia: digo que nem com tudo isso perde a Música os créditos de medicinal, e poderosa; pois por a reconhecerem tal, a aplicaram a Saul os seus servos para seu remédio: o qual tanto dela confiavam, que lhe pediram ordem para lhe irem buscar um ciente Harpista, em cujo toque lhe seguravam a melhora; e o alívio 85: Jubeat dominus noster Rex, et servi tui, qui coram te sunt, quaerant hominem scientem psallere cithara, ut quando arripuerit te spiritus Domini malus, psallat manu sua, et Levius feras. Quanto mais que a mais comum, e geral opinião tem que aquele mau espírito era o demônio, e por ela está S. Isidoro 86.
Nem para o expelir, ou afugentar foi necessário o concurso de outra virtude mais, que a natural da Música 87, porque ainda que Estevão Roseto 88 não dissera que ela a tem também para expelir demônios: Dulci etiam melodia daemones coarctantus, et exire de corpore coguntur: segundo S. Agostinho 89, e a Glossa, por virtude natural da Música em outras ocasiões se viu o mesmo. Alberto Krantzio 90 também assim o testifica, dizendo que a Música natural de um Músico afamado daquele tempo lançou o demônio fora do corpo de Etico, Rei de Dania. Jeronymo Mengo 91 afirma que esta opinião é de graves Autores: ele a segue, e nomeia por principal patrono dela a Guido na sua Música. Pelo mesmo estão Fabio Paulino 92 citado por Martin Delrio, e Gaspar Sanches 93 citado por João Alvares Frouvo.
Não nega esta eficácia natural da Música Georgeo Veneto 94, que diz haver muitas coisas corpóreas com virtude natural contra o demônio. E ainda que o mesmo não sentissem Nicolao Serario 95, Pedro Gregório Tolesano nos Sintagmas do Direito 96, Guilherme Parisiense 97, e outros a favor da virtude natural da Música, ninguém pode duvidar que a tenha; pois não há coisa criada, em que se não ache esta, ou aquela virtude. Josepho Judeo 98, falando de uma milagrosa raiz chamada Baarás, diz que, aplicada aos narizes dos energúmenos, por virtude natural expelia lofo deles os demônios, como bem o mostrou a experiência: e que esta virtude lhe descobriu Salomão, ou lha alcançou, antes de prevaricar. Diz mais 99 que no cerco, que a Jerusalem puseram os Imperadores Tito, e Vespasiano, se viram sair dos corpos humanos os demônios compelidos não de outra coisa mais, que da natural virtude de uma pedra preciosa, que consigo trazia um soldado em um anel.
No livro de Tobias 100 se lê que o Arcanjo S. Rafael lhe manifestou a natural virtude, que, para expelir demônios, tinha o fígado, ou coração daquele peixe, que o espantou; dizendo-lhe que tirado, e posta a assar em brasas qualquer pequena parte dele, a fumaça afugentava todo o gênero de demônios de qualquer homem, ou mulher de sorte, que nunca mais ali tornava: Cordis ejus particulam si super carbones ponas, fumus ejus extricat omnes genus daemoniorum sive a viro, sive a muliere, ita ut ultra non accedat ad eos. E que para isto tivesse virtude natural o coração, ou fígado daquele peixe, o afirmam Dionísio Cartusiano 101, Gaspar Sanches, e Bento Pereyra. Pois se para isto (concluímos agora) tem tanta virtude o coração de um peixe gerado na água, uma pedra criada na terra, e uma raiz nascida no campo; quanta mais se pode considerar, e crer da Música, tendo ela por pátria o céu? Se com a Música de uma Harpa pôde um gentio Filósofo, como afirma Boécio 102, expelir um energúmeno o demônio, como com a sua em Saul não poderia o mesmo obrar Davi, [p. 30] que tinha fé, e conhecia a Deus? Antes, conforme Hugo Cardeal 103, de parecer de S. Jerônimo, e Josepho, não só pôde a Música de Davi apartar de Saul o demônio, senão também conseguir-lhe de Deus o espírito profético, que daí em diante teve: como se para receber favores divinos, e tão exímios como este, fosse requisito a Música: afirmando que a primeira vez que o recebeu, foi quando cantou diante de Saul, e que então começou a escrever os seus Salmos: Tunc accepit David propheticum spiritum, sic prophetare caepit, Sancto super se spiritu veniente, tunc caepit Psalmos canere.
Tudo o referido confirma o Mestre das histórias 104, dizendo que os Matemáticos asseveram que os demônios se ausentam, por não poderem sofrer a harmonia da Música. No mesmo concorda o Arcebispo de Valença S. Thomas de Villa Nova 105: Musica fugatur diabolôs; et qui juxta sententiam Job Sagittas, quase paleas, et lapides fundit, veluti stipulas spernit, deridet etiam vibrantem hastam, et duríssimos malleos pro nihilo pendit, ad citharae sonitum tremefactus recedit; et quem nulla vis superat, superat harmonia. E a razão disto vem a ser 106; porque o demônio, como é pai da desordem, não pode estar, onde entra a boa ordem, concórdia, e união da Música: e também, porque ele aproveita-se das disposições desordenadas do corpo humano, como são alteração, turbação, melancolia, tristeza, e outras: e a Música tem virtude para tirar estas más disposições, e compor os desordenados humores, e paixões do homem, como fica provado. Pela mesma causa se animam os tímidos, e refreiam os irados; porque tudo é desordem, que com o canto da Música bem ordenada se tempera. Eis aqui as virtudes, efeitos, e excelências da Música, que o limitado tempo permitiu até aqui dizer-vos a respeito dos homens: ouvi agora o que dela se segue a respeito dos brutos.

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  1. Ceron. tom. 1. lib. 1. cap. 56; Lorent. Porq. de la Mus. lib. 1. cap. 3[]
  2. Beroald. Orat. in Horat.[]
  3. Cassan. in Catal. Glor. Mund. part. 10. coniid. 51.[]
  4. Apud Lorent. Porq. de la Mus. lib. a. cap. 3[]
  5. Plutarch. Proaem. Mus.[]
  6. Cassiod. lib. 2. ep. 40.[]
  7. D. Isidor. lib. 2 Orig. cap. 21.[]
  8. Alciat. Embl. ult. Sorap. na Medicin. Español. refran 14. Compend. Mus. renat. Cartes. pag. mihi 5.[]
  9. Theatr. vitae human.[]
  10. AElian. lib. 3. Histor. Sabel. lib. 10. cap. 8.[]
  11. Plutarch. in vita.[]
  12. Lil. Gregor. apud Tason. Pensamen. divers. lib. 10[]
  13. Albert. Krantz. lib. 5. Daniae. cap. 3[]
  14. Barthol. Angl. lib. 10. cap. 132.[]
  15. Lil. Gregor. apud Tasson supra.[]
  16. Theatr. vitae human. Berard. Miscellan. Musical part. 1. cap. 9.[]
  17. Niceph. Calist. lib. 12. cap. 43.[]
  18. Aristot. de Rep. lib. 8. cap. 4 et 5.[]
  19. Plutarch. apud Fonc. Sylv. moral, cent. 5. §. 5.[]
  20. Quintil. lib. 1 Instit.[]
  21. Cic. lib. 4. Tuscul.[]
  22. D. Thom. de Regim.[]
  23. Boet. lib. 2. suae Mus. cap. 6.[]
  24. Philadelph. apud Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 23; Homer. lib. de Agamemnon.[]
  25. Id. Illiad. lib. 9[]
  26. Camal. Pontic. apud Nassar. Escuel. Mus. part. 1. lib. 1. cap. 16.[]
  27. Maced. Eva e Av. part. 1. cap. 23. num. 4.[]
  28. Figueyroa, fol. 192.[]
  29. Plin. apud. Nassar. Escuel. Mus. part. 1. Lib. 1. cap. 16.[]
  30. Senec. apud Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 23.[]
  31. Theatr. vit. human.[]
  32. Picinel. tom. 2. lib. 23. cap. 3. in fin. https://archive.org/details/mundussymbolicus00pici/page/n4/mode/1up[]
  33. Caerem. Episcop. lib. 1. cap. 28. prope fin.[]
  34. D. August. lib. 9. Confes. cap. 7. et lib. 10. cap. 23.[]
  35. Sur. tom. 3 in vita.[]
  36. Vide supr. art. 1. §. 6.[]
  37. Fonc. Sylv. mor. Centur. 5. §. 5.[]
  38. Ibid.[]
  39. Ibid.[]
  40. Rabbi Salom. m. 4. Reg. 3. 15.[]
  41. Ibid.[]
  42. 1. Reg. 19. 20.[]
  43. Ibid.[]
  44. 1. Reg. 19. 21[]
  45. Ibid.[]
  46. 1. Reg. 19. 23.[]
  47. Aurea Armil. de cogit.[]
  48. D. Thom. 2. 2. quaest. 91. art. 1.[]
  49. D. Joan. Chrysost. in Gen. Homil. 28.[]
  50. Eccli. 40. 20.[]
  51. Marcil. Ficin. in Commentar. ad Conviv. Plat. cap. 19.[]
  52. Cassan. in Catal. Glor. Mund. part. 10. consid. 51. vers. Pythagoricis.[]
  53. Cornel. Cels. lib. 3. cap. 18.[]
  54. Ludov. Cel. lib. 9. cap. 1; Aul. Gel. lib. 4[]
  55. Petr. Mex. na Sylv. lib. 3. cap. 12.[]
  56. Cassiod. lib. 2. variis. cap. 49.[]
  57. Aristot. apud. Lorent. Porq. de la Mus. lib. 1. cap. 13. not. 1.[]
  58. Galen. lib. de Sanit.[]
  59. Avicen. lib. 4. de Loc. af. cap. 3[]
  60. Dam. Pythagor. apud Nassar. Escuel. Mus. part. 1. lib. 1. cap. 16.[]
  61. Nassar. id. ibid.[]
  62. Plutarch. apud eumd. ibid.[]
  63. Cic. lib. de Consil.[]
  64. Lorent. Porq. de la Mus. Lib. 1. cap. 13. not. 1; Ceron. tom. 1. Lib. 2. cap. 23 ; Boet. apud Nassar. Escuel. Mus. part. 1. lib. 1. cap. 9.[]
  65. Theophrast. apud Nassar. ubi modo supra.[]
  66. Pedr. Mex. Sylv. de Var. lect. part. 3. cap. 2 ; Maced. Eva e Av. part. 1. cap. 23. n. 5; Ceron. supra.[]
  67. Kirch. Musurg. univers. tom. 2. lib. 9. cap. 5. per totum.[]
  68. Schot. Mag. univers. part. 2. lib. 5. Syntagm. 2. per totum.[]
  69. Petrarch. de remed. fortun. Dial. 26.[]
  70. Plat. in Tim.[]
  71. Bartholom. Anglic. lib. 19. cap. 132. et apud ipsum D. Isid. ibri[]
  72. Joan. Euseb. occult. Philosoph. part. 2. lib. 1. cap. 18; Man. Nun. Art. min. tr. das Explan. na 1. num. 4.[]
  73. Matth. 9. 23.[]
  74. Matth. 9. 25.[]
  75. Barthol. Angl. lib. 19. cap. 132.[]
  76. D. Petr. Chrysol. Serm. 10. in princ.[]
  77. Maced. Eva e Av. part. 1. cap. 23. n. 4.[]
  78. Vion. Comment. a Ovid. Met. lib. 3. num. 7.[]
  79. Aul. Gel. lib. 1. cap. 11; Plutarch. in Moral.[]
  80. Zarlin. Instit. harm. part. 2. cap. 5.[]
  81. Athen. lib. 14. cap. 11.[]
  82. Cic. apud Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 23.[]
  83. Aristot. Polític. lib. 8. cap. 5.[]
  84. 1. Reg. 16. 23.[]
  85. 1. Samuel 16. 16.[]
  86. D. Isid. Etym. lib. 3. cap. 16.[]
  87. France, campo Elys. quad. 28. n. 11.[]
  88. Roset. Compend. Mus.[]
  89. D. August. lib. 10. Confes. cap. 33; Referunt. Glos. ordinar. 1. Reg. 16; Valenc. in Prolog. ad Psalm.[]
  90. Krantz. history. Daniae, lib. 5. cap. 3[]
  91. Meng. Flagel. daemon. cap. 3[]
  92. Fab. Paul. apud. Delrio, lib. 1. cap. 31.[]
  93. Gaspar Sanch. apud Frouv. nos Discurs. sobre a perfeyc. do Diates. fol. 72.[]
  94. Georg. Venet. tom. 6. sect.. 8. num. 199[]
  95. Serar. 1. Reg. cap. 10.[]
  96. Tolesan. Syntag. Juris. Lib. 24. cap. 21.[]
  97. Guilherm. Parisiens. Lib. de Univers.[]
  98. Joseph de bello Jud. Lib. 7. cap. 23.[]
  99. Ibid.[]
  100. Tob. 6. 8.[]
  101. Dionys. Cartus. in 6. cap. Tob.; Sanch. in 6. cap. Tob.; Pereyr. in Gen. cap. 24. num. 46.[]
  102. Boet. lib. 1. suae Mus. cap. 3.[]
  103. Hug. in Reg. cap. 17.[]
  104. Origen. apud Lorent. Porq. de la Mus. lib. 1. cap. 13. not. 1.[]
  105. D. Thom. de Vil. Nova apud Berard. Miscel. Musical. part. 1 cap. 10.[]
  106. Joan. Euseb. occult. Philosoph. part. 2. lib. 1. cap. 15; Man. Nun. Art. min. tr. das Explan. na 1. num 4.[]