{"id":577,"date":"2025-05-06T14:52:15","date_gmt":"2025-05-06T17:52:15","guid":{"rendered":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/?page_id=577"},"modified":"2025-05-06T15:00:05","modified_gmt":"2025-05-06T18:00:05","slug":"escola-de-canto-de-orgao-parte-i-dialogo-i-documento-ii-articulo-iv","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/projetos-em-andamento\/escola-de-canto-de-orgao-parte-i-dialogo-i-documento-ii-articulo-iv\/","title":{"rendered":"Escola de Canto de \u00d3rg\u00e3o \u2013 Parte I \u2013 Di\u00e1logo I \u2013 Documento II &#8211; Art\u00edculo IV"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Art\u00edculo IV<br>Declara-se como com as mais ci\u00eancias se por em arte a M\u00fasica: seus diversos nomes apelativos: e como de seus professores deve com todo o cuidado ser estudada, e bem entendida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. 1.<br>D\u00e1-se a conhecer a causa, porque com as mais ci\u00eancias se por a M\u00fasica em arte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D. Pelo que vos tenho ouvido, n\u00e3o tenho d\u00favida, em que com as mais ci\u00eancias infundiu Deus tamb\u00e9m a M\u00fasica nos homens: nem tamb\u00e9m a tenho, em que antes de posta a M\u00fasica em artes, se cantava: a d\u00favida por\u00e9m que tenho, ou o que agora desejo saber, \u00e9 o como, ou por que motivo esta com as mais ci\u00eancias se reduziu, ou p\u00f4s em arte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. A total causa, e motivo de acharem os homens as ci\u00eancias e artes, n\u00e3o s\u00f3 liberais sen\u00e3o tamb\u00e9m as mec\u00e2nicas, diz com outros D. Pedro Cerone <sup><a href=\"#footnote_1_577\" id=\"identifier_1_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 9, p. 214 https:\/\/bdh-rd.bne.es\/viewer.vm?id=0000015030\">1<\/a><\/sup> que foi a necessidade, ou pobreza. Confirma o seu dito com aquele prov\u00e9rbio de Eur\u00edpedes <sup><a href=\"#footnote_2_577\" id=\"identifier_2_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Euriped. apud eumd. ibid.\">2<\/a><\/sup> que diz que a pobreza faz saber: Paupertas sapientiam sortita est. Donde tomaram doutrina os antigos Gregos para proverbiarem tamb\u00e9m eles que a fome, e necessidade \u00e9 mestra de muitas coisas: Multa docet fames. O Poeta Mantuano <sup><a href=\"#footnote_3_577\" id=\"identifier_3_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Virgil. Georgic. v. 145-146. In Cerone, p. 214 https:\/\/bdh-rd.bne.es\/viewer.vm?id=0000015030\">3<\/a><\/sup> o mesmo parece nos quis inculcar, quando disse:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026..\u2026\u2026\u2026\u2026\u2026 Labor omnia vincit<br>Improbus, et duris urgens in rebus egestas<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">O trabalho mais insano<br>Na pobreza mais urgente<br>Deu rem\u00e9dio a muita gente<br>Sempre no g\u00eanero humano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Theognides <sup><a href=\"#footnote_4_577\" id=\"identifier_4_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Theognid. apud. Ceron. ub. paut. supra. p. 214 https:\/\/bdh-rd.bne.es\/viewer.vm?id=0000015030\">4<\/a><\/sup> ainda se explica mais claro: pois supondo as ci\u00eancias, e artes como adormecidas no humano entendimento, diz que a pobreza \u00fanica, sem mais outra causa, foi o que acordou e despertou a Ret\u00f3rica em Diophanes Metyleneo: querendo nisto dizer que Diophanes, obrigado das necessidades e pobreza, a descobriu e ensinou; pois \u00e9 a pobreza a doutora mais s\u00e1bia do trabalho, e a mestra mais douta dos estudos. Notai as suas palavras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Unica paupertas Diophan[t]es suscitat artes:<br>Ipsa Laborandi doctrix, studii que magistra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Foi de Diophanes tal<br>A pobreza, que sentia,<br>Que de fome perecia,<br>Sem padecer outro mal.<br>Deu-lhe este rem\u00e9dio: qual?<br>Estudar com todo o empenho,<br>E ensinar com desempenho<br>Da Ret\u00f3rica os preceitos;<br>Pois, para os altos conceitos<br>Destas, tinha claro engenho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta necessidade, e pobreza traz consigo o homem (como ningu\u00e9m ignora). Logo dos primeiros rasgos da vida, pois apenas nasce, quando j\u00e1 no mundo entra miseravelmente nu e despido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D. Sim, senhor, isso assim \u00e9: mas por que assim despido e nu criou Deus ao homem, criando vestidas as aves de penas, os peixes de escamas, os brutos de l\u00e3s, ou outros reparos, e as \u00e1rvores de casca, ou corti\u00e7a, como dando-lhes assim armas defensivas, e reparativas das coisas contr\u00e1rias?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. N\u00e3o sabeis o porqu\u00ea? Pois \u00e9 porque aos mais animais criou Deus sem discurso, e ao homem criou com entendimento artificioso, do qual usando, e imitando com a arte a natureza, poderia achar n\u00e3o s\u00f3 reparo para a desnudez, sen\u00e3o tamb\u00e9m rem\u00e9dio para todos os mais inc\u00f4modos da vida. Isto n\u00e3o podiam fazer as mais criaturas, por irracionais; e por isso todas elas logo na sua cria\u00e7\u00e3o e nascimento foram vestidas, e s\u00f3 o homem n\u00e3o.<br>Esta foi a causa, e motivo de se inventarem e introduzirem as artes e of\u00edcios no mundo; pois existindo todas (ainda que inc\u00f3gnitas, e como adormecidas) no entendimento do homem, e obrigado o homem da necessidade urgente, tratou por v\u00e1rios modos de buscar, e idear t\u00e3o diversos rem\u00e9dios para as incomodidades e mis\u00e9rias da vida, quanto elas s\u00e3o tamb\u00e9m diversas. O P. Ricardo de S. Victor <sup><a href=\"#footnote_5_577\" id=\"identifier_5_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Richard de S. Victor. part. 1. tr.. except. lib. 2. cap. 5. https:\/\/books.google.com.br\/books?id=ruQnJqKJOC8C&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false col. 10 \/ ver tradu&ccedil;&atilde;o aqui: https:\/\/www.bing.com\/ck\/a?!&amp;&amp;p=d9ebabe77c1713237af756ef98e15acff8859e5c23b904f06302a590f24216b4JmltdHM9MTc0MDQ0MTYwMA&amp;ptn=3&amp;ver=2&amp;hsh=4&amp;fclid=0659657e-6014-6761-3015-71a261456622&amp;psq=richard+de+saint+victor+Theorica+Ignorantiam+expellens%2c+Sapientiam+illuminat&amp;u=a1aHR0cHM6Ly9wZXJpb2RpY29zLnVmcGVsLmVkdS5ici9pbmRleC5waHAvZGlzc2VydGF0aW8vYXJ0aWNsZS9kb3dubG9hZC8yMDIxNS8xMjczOQ&amp;ntb=1\">5<\/a><\/sup> assim o declara: Theorica Ignorantiam expellens, Sapientiam illuminat: Practica Vitium excludens, virtutem roborat: Mechanica penuriam cavens, vitae praesentis defectum temperat. Por isto, e para isto trataram de praticar, e exercitar os seus inventos: estes, de tal sorte com o exerc\u00edcio se foram apurando, polindo e aperfei\u00e7oando, que vieram depois com o tempo a estabelecer-se por artes. Por isso com raz\u00e3o diz Hugo de S. Victor <sup><a href=\"#footnote_6_577\" id=\"identifier_6_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Hug. de S. Victor. lib. 1. cap 12.\">6<\/a><\/sup> que todas as ci\u00eancias primeiro estiveram em uso, que se pusessem em arte. Jo\u00e3o Pontanos <sup><a href=\"#footnote_7_577\" id=\"identifier_7_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Pontan. 4. de prudent. https:\/\/play.google.com\/books\/reader?id=WaQCPrVdZ7gC&amp;pg=GBS.PP4&amp;hl=pt&amp;q=Institutiones\">7<\/a><\/sup> abona, e certifica o mesmo, dizendo que das experi\u00eancias, e longu\u00edssima observa\u00e7\u00e3o dos homens \u00e9 que nasceram as institui\u00e7\u00f5es e preceitos das artes: Ab experimentis ortae sunt Institutiones, et praecepta artium, ea que ab observatione Longissima Sumpta.<br>Tudo o referido confirma Marco Crasso <sup><a href=\"#footnote_8_577\" id=\"identifier_8_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Marc. Cras. apud Cicer. 1. De Oratore. &sect;187 https:\/\/mlat.uzh.ch\/browser\/12626:1\">8<\/a><\/sup>, citado pelo Pr\u00edncipe da eloqu\u00eancia, dizendo que todas as coisas que hoje em si cont\u00eam e encerram as artes, primeiro estiveram dispersas e separadas; assim como na M\u00fasica estiveram os n\u00fameros, as vozes e os modos: Omnia fere, quae sunt inclusa nunc artibus, dispersa, et dissipata quondam fuerunt; ut in Musicis numeri, et voces, et modi. Certo \u00e9 logo que primeiro se experimentaram, observaram, exercitam, purificaram, e puseram em toda a boa raz\u00e3o os inventos dos homens, para depois poderem ser, e chamarem-se artes; porque como diz Plat\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_9_577\" id=\"identifier_9_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plat. in Gorg.\">9<\/a><\/sup> n\u00e3o se deve chamar arte aquela que carece de raz\u00e3o: Non est ars appellanda, quae ratione caret. Seguiram no polimento dos seus inventos os homens, e tomaram por mestra a natureza; a qual como diz o fil\u00f3sofo <sup><a href=\"#footnote_10_577\" id=\"identifier_10_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Aristot. text. 19\">10<\/a><\/sup>, sempre apetece o melhor: Natura semper desiderat id, quod melius est: e assim imitando a natureza em escolher sempre o melhor, estabeleceram as artes; que por isso com raz\u00e3o disse S\u00eaneca <sup><a href=\"#footnote_11_577\" id=\"identifier_11_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Senec. apud Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 9.\">11<\/a><\/sup> que toda a arte \u00e9 uma imita\u00e7\u00e3o da natureza: Omnis ars est imitatio naturae.<br>Por isto, e para isto em todas as obras cient\u00edficas entrou a arte; por meio da qual se veio a conhecer o inc\u00f3gnito, a ajuizar o obrado, a emendar o falso, a compor o novo, a corrigir os abusos, a suprir o defeito, a dissipar o excesso; e pouco a pouco se foram todas as ci\u00eancias pondo em regras, que s\u00e3o as que d\u00e3o o ser \u00e0s artes. Antes que houvesse artes no mundo, \u00e9 certo que gramaticavam os homens, filosofavam, advogavam, cantavam, e tudo o mais faziam: mas tudo sem ordem e sem a perfei\u00e7\u00e3o, e bizarria, que hoje. Donde bem claro aparece que ainda que no uso tivera o princ\u00edpio as artes, s\u00e3o sem controv\u00e9rsia as artes muito melhores que o uso: e tanto melhores que chega a afirmar Pit\u00e1goras <sup><a href=\"#footnote_12_577\" id=\"identifier_12_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Pythagor. apud eumd. ibid.\">12<\/a><\/sup> que a arte n\u00e3o s\u00f3 ajuda, mas supre os defeitos da natureza: Ars adjuvat, et supplet, ubi natura deficit. Averroes <sup><a href=\"#footnote_13_577\" id=\"identifier_13_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Aver. 2. Physic. com. 77\">13<\/a><\/sup> abona o mesmo, dizendo que a arte aperfei\u00e7oa muitas coisas que n\u00e3o pode aperfei\u00e7oar a natureza: Ars multa perfiit, quae natura perficere non potest. Eis aqui o pr\u00e9stimo das artes: e eis aqui o como, e o porqu\u00ea elas entraram no mundo: e eis aqui finalmente o como com as mais teve tamb\u00e9m motivo a M\u00fasica para se reduzir, ou p\u00f4r em arte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. 2.<br>Principia a not\u00edcia dos diversos nomes apelativos e expressivos de diversa M\u00fasica: declara-se de cada um deles a sua significa\u00e7\u00e3o, a diferen\u00e7a: e mostra-se primeiramente a diferen\u00e7a que entre si contraem os dois 1os. M\u00fasica, e Canto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D. Tratando da etimologia do voc\u00e1bulo M\u00fasica, lembro-me, mestre, de haver-vos ouvido que das \u00e1guas tirou Mois\u00e9s as melodias, e que antes dele n\u00e3o teve a m\u00fasica outro nome sen\u00e3o Canto. Resta-me agora saber 1\u00ba. Que coisa \u00e9 melodia? 2\u00b0. Se pelo nome Canto se explica o mesmo que entendemos pelo voc\u00e1bulo M\u00fasica? 3\u00b0. Se tem a m\u00fasica mais nomes que a signifiquem? 4\u00ba. finalmente: Por que antes de Mois\u00e9s n\u00e3o teve a m\u00fasica outro nome, sen\u00e3o Canto; ou se algum outro podia ter ent\u00e3o, dos que hoje tem?<br>M. A M\u00fasica, meu menino, exprime-se n\u00e3o s\u00f3 pelo voc\u00e1bulo Canto, sen\u00e3o tamb\u00e9m por outros muitos, como s\u00e3o Monodia, Sinfonia, Harmonia, Melodia, Modula\u00e7\u00e3o e Concento. Todos estes nomes se costumam confundir, e receber na mesma acep\u00e7\u00e3o de M\u00fasica: mas o certo \u00e9 que todos eles a respeito da M\u00fasica (que entre eles todos \u00e9 g\u00eanero) s\u00e3o como esp\u00e9cies subalternas, que exprimem diversas sortes de M\u00fasica. Assim o ireis observando: mas, para mais claridade, vamos por partes, e comecemos pelos dois primeiros, M\u00fasica, e Canto, mostrando a diferen\u00e7a, que entre si contraem. Ora notai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>M\u00fasica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este voc\u00e1bulo M\u00fasica, haveis de saber que ou se toma pela ci\u00eancia, e Arte de cantar, ou pelo mesmo canto, e ato de cantar. Dela tomada na 1\u00aa. acep\u00e7\u00e3o, em que respeita a theorica, vos dir\u00e1 toda esta obra nos documentos, que formos dando: e tomada na 2\u00aa. em que respeita \u00e0 pr\u00e1tica, n\u00e3o s\u00f3 significa geralmente todo o ato de cantar (porque de todo o ato de cantar se verifica que \u00e9 m\u00fasica) mas, e mais propriamente aquele canto, que cientificamente se produz, ou se efetua com plena not\u00edcia da Arte, e todo ajustado \u00e0s regras da boa ci\u00eancia. E porque s\u00f3 \u00e9 perfeito o canto assim, regularmente produzido; por isso \u00e9 este somente o que em rigor se deve exprimir pelo voc\u00e1bulo M\u00fasica; segundo aquilo de Plat\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_14_577\" id=\"identifier_14_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plat. lib. 2. in Alcibiad.\">14<\/a><\/sup>, que M\u00fasica s\u00f3 \u00e9, e deve chamar-se aquilo que \u00e9, ou est\u00e1 perfeito. E como a M\u00fasica n\u00e3o podia ser perfeita, sem ser regular; nem ser regular, sen\u00e3o depois de posta em arte; nem foi posta em arte, sen\u00e3o muito depois de Mois\u00e9s; por isso julgamos (e parece que com raz\u00e3o) que antes de Mois\u00e9s n\u00e3o se devia chamar M\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Canto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Podia por\u00e9m a M\u00fasica antes de Mois\u00e9s chamar-se Canto, porque a M\u00fasica, que por este voc\u00e1bulo propriamente se significa, n\u00e3o obriga a tanto aperto; pois para haver Canto propriamente tal, n\u00e3o se requer que seja cient\u00edfico, ou efetuado com plena not\u00edcia, e intelig\u00eancia da Arte. No que n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida, pois tamb\u00e9m cantam os que totalmente a ignoram: e s\u00f3 se requer (segundo a defini\u00e7\u00e3o que lhe d\u00e1 Estev\u00e3o Roseto <sup><a href=\"#footnote_15_577\" id=\"identifier_15_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Roset. in sua Mus. Lorent. Porq. dela Mus. lib. 1. cap. 18. Ceron. tom. 1. Lib. 2. cap. 18.\">15<\/a><\/sup>: Cantus est dulcis consonantia vocum: Canto \u00e9 uma doce conson\u00e2ncia de vozes) que expressamente haja ato de cantar com atual produ\u00e7\u00e3o de vozes consonas, prescindindo de tudo o mais. Ali\u00e1s n\u00e3o se tomaria tamb\u00e9m pelo canto das aves, como j\u00e1 o tomou o Mantuano <sup><a href=\"#footnote_16_577\" id=\"identifier_16_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Virgil. Aeneid. 1.\">16<\/a><\/sup>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Ut reduces illi Ludunt stridentibus allis,<br>Et caetu cinxere polum cantus que dedere.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Como as aves, que vieram<br>Outra vez em vasto bando,<br>E pelos ares voando<br>Alegres seu canto deram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E aqui se deve advertir que, segundo Calepino <sup><a href=\"#footnote_17_577\" id=\"identifier_17_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Calep. verbo cano. https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n135\/mode\/2up?q=cano\">17<\/a><\/sup> tamb\u00e9m se exprime pelo voc\u00e1bulo Canto o tanger dos instrumentos artificiais: Canere etiam is dicitur, qui fides, organa ve pulsat, aut qui tibias inflat.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a73<br>D\u00e1-se a conhecer a diferen\u00e7a que h\u00e1<br>entre M\u00fasico, e Cantor?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. Desta referida diferen\u00e7a entre Canto, e M\u00fasica manifestamente se segue tamb\u00e9m a que h\u00e1 entre M\u00fasico, e Cantor. Porque para ser cantor, basta que um atualmente cante, ou possa cantar, prescindindo de ser com perfeita ci\u00eancia da Arte, ou pr\u00e1tica dela: mas para ser M\u00fasico, n\u00e3o basta que um tenha a pr\u00e1tica, nem qualquer med\u00edocre, e superficial ci\u00eancia da Arte: mas h\u00e1 de ter dela not\u00edcia plena, inteira, e perfeita, com a qual genuinamente possa entender, e dar a raz\u00e3o do que canta, e todos os termos dela. Por isso ao que \u00e9 s\u00f3, e puramente Cantor (assim chamado \u00e0 Cantu, ou \u00e0 canendo) explica Guilherme Durante <sup><a href=\"#footnote_18_577\" id=\"identifier_18_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Durant. Rat Div. Offic. lib. 1. cap. 2.\">18<\/a><\/sup>, dizendo que Cantor \u00e9, ou se chama o que canta: Cantor itaque vocatur, qui vocem modulatur in cantu. Estev\u00e3o Vaneo <sup><a href=\"#footnote_19_577\" id=\"identifier_19_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Stephanus. Vanneus. Recanetum de Musica Aurea lib. 1. cap. 7. p. 8 https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_g_h1onpvWXwC\/page\/n25\/mode\/2up\">19<\/a><\/sup>, seguindo a Andre Meyningense <sup><a href=\"#footnote_20_577\" id=\"identifier_20_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Andr. Meyning. Lib. 1. cap. 1.\">20<\/a><\/sup>, diz que cantor \u00e9 aquele, que com longo exerc\u00edcio de cantar aprendeu os preceitos da m\u00fasica e os exercita, e deduz \u00e0 ato de cantar com o som da voz: Cantor est autem, qui cantando diutina exercitatione Musicae praecepta capescit, vocis que sono promit, et ad actum deducit. Pelo mesmo est\u00e1 o P. Fr. Angelo <sup><a href=\"#footnote_21_577\" id=\"identifier_21_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Fr. Angel. in sua Mus. lib. 2. cap. 14.\">21<\/a><\/sup>: mas a este por outro modo define o P. Kircher <sup><a href=\"#footnote_22_577\" id=\"identifier_22_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Kirch. Mussurg. univers. tom. 1. lib. 2. cap. 3.\">22<\/a><\/sup>, dizendo desta sorte:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Bestia, non cantor, qui non canit arte, sed ussu<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">O que por uso Cantar,<br>E a Arte bem n\u00e3o entender,<br>N\u00e3o Cantor se h\u00e1 de dizer,<br>Mas besta se h\u00e1 de chamar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo contr\u00e1rio diz o mesmo Kircher <sup><a href=\"#footnote_23_577\" id=\"identifier_23_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">23<\/a><\/sup> que s\u00f3 \u00e9 perfeito M\u00fasico (assim chamado de M\u00fasica) e se deve chamar tal, aquele, que \u00e9 juntamente pr\u00e1tico e te\u00f3rico; e que n\u00e3o s\u00f3 sabe compor, sen\u00e3o tamb\u00e9m dar a raz\u00e3o de todas as coisas da Arte: Solus itaque perfectus Musicus est, et dici debet, qui theoricam praxi jungit; qui non tantum componere novit, sed etiam singularum rerum rationem reddere potest. Bo\u00e9cio <sup><a href=\"#footnote_24_577\" id=\"identifier_24_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Boet. lib. 5. suae. Mus. cap. 24.\">24<\/a><\/sup> diz que de justi\u00e7a s\u00f3 merece o nome de M\u00fasico aquele, que especulativamente, e como conv\u00e9m \u00e0 ci\u00eancia M\u00fasica, sabe resolver, escrever, entender, e julgar dos modos, ritmos, e g\u00eaneros da mesma M\u00fasica: Isque musicus est, cui adest facultas secundum speculationem, rationem ve propositam, ac Musicae convenientem de modis, ac rhythmis, de que generibus cantilenarum judicandi. E Fr. Agelo Piccitono <sup><a href=\"#footnote_25_577\" id=\"identifier_25_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Fior Angel. lib. 1. cap. 10.\">25<\/a><\/sup> diz que Musico \u00ea quello, il qual ensegna la scientia del canto con vera ragione, non tanto al servitio dell&#8217;opera, ma alla sumit\u00e1 dell&#8217;imperio con la ragione speculativa. Nicolao Burcio <sup><a href=\"#footnote_26_577\" id=\"identifier_26_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Nicol. Burt. tr.1. cap. 6.\">26<\/a><\/sup> conv\u00e9m no mesmo: Speculativus Musicus est, qui ratione ducente, canendi scientiam non servitio operis, sed imperio speculationis assump sit.<br>O c\u00f4nego D. Angelo Berardi <sup><a href=\"#footnote_27_577\" id=\"identifier_27_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Berard. Miscellan. Musical. Part. 1. cap. 5, Zarlin. Instit. harm. part. 1. cap. 11, Ceron. tom. 1. lib.2. cap. 11.\">27<\/a><\/sup>, e o Abade Guido Aretino <sup><a href=\"#footnote_28_577\" id=\"identifier_28_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Guid. in. Prolog. ad libr. 3. Michol.\">28<\/a><\/sup>, a quem seguem muitos outros, fazem tamb\u00e9m entre M\u00fasico, e Cantor a mesma bem not\u00e1vel diferen\u00e7a: mas como s\u00e3o memor\u00e1veis as suas palavras, bom ser\u00e1 que as repitamos. As de Guido, pois, s\u00e3o estas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Musicorum, et cantorum magna est distantia:<br>Isti dicunt, illi sciunt, quae componit Musica.<br>Nam qui facit, et non sapit, definitur bestia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Entre M\u00fasico, e Cantor<br>Grande a diferen\u00e7a \u00e9:<br>Este diz sem saber qu\u00ea,<br>Sabe aquele com primor.<br>Por isso ao que \u00e9 professor,<br>E intelig\u00eancia n\u00e3o tem,<br>Somente lhe frisa bem<br>A defini\u00e7\u00e3o de besta;<br>Pois da M\u00fasica, como esta<br>Ignora os termos tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se deste digno apelido se desgostarem os que s\u00e3o puramente Cantores, tenho a consola\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o poder\u00e3o verter contra mim com raz\u00e3o as suas iras, pois n\u00e3o sou eu o que lho dou; e s\u00f3 repito (para gl\u00f3ria de alguns n\u00e9scios presumidos) o que em honra sua escreveram as dout\u00edssimas penas dos PP. Guido e Kircher. As de Berardi s\u00e3o estas: Cantore \u00ea quello, che essercita il canto senza saper rendere la ragione de la scienza; Musico \u00ea quello, che ha la theorica, e la practica, havendo per lungo uso di tempo dato opera al comporre, e sonare, sapendo rendere la ragione del loro operare. Destas palavras do C\u00f4nego Berardi, e das pouco acima citadas do P. Kircher, poder\u00e1 algu\u00e9m querer entender que para dignamente se merecer o predicado honor\u00edfico de M\u00fasico, basta que um tenha exerc\u00edcio, ou pr\u00e1tica de compor sem perfeita intelig\u00eancia, e theorica. Por\u00e9m n\u00e3o basta: antes tamb\u00e9m este ser\u00e1 compositor besta; falando na frase Guidoniana, e Kircheriana. Porque s\u00f3 o compor com theorica, sabendo conhecer, e dar a raz\u00e3o de tudo o que ali se obra, \u00e9 requisito adequado para constituir a um homem verdadeiramente digno de poder chamar-se M\u00fasico. Suposto isso,<br>V\u00eade agora com quanta raz\u00e3o disse Franquino <sup><a href=\"#footnote_29_577\" id=\"identifier_29_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Franch. Mus. theoric. lib. 1 cap. 5. https:\/\/chmtl.indiana.edu\/tml\/15th\/GAFTM1\">29<\/a><\/sup>, que meios melhor, e mais digna coisa \u00e9 saber cada um o que faz, do que fazer o que sabe: Multo auctius est, atque dignius scire quod quisque faciat, quam illud ipsum eficere, quod sciat. E a raz\u00e3o diz o mesmo Franquino que \u00e9 <sup><a href=\"#footnote_30_577\" id=\"identifier_30_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid\">30<\/a><\/sup>, porque tanto difere o homem ciente do homem ignorante, quanto o homem vivo do homem pintado: Nam tantum differt homo sciens ab homine non sciente, quantum homo vivus ab homine picto. A este prop\u00f3sito diz Roseto <sup><a href=\"#footnote_31_577\" id=\"identifier_31_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Roset. Compend. Mus.\">31<\/a><\/sup>, que o M\u00fasico comparado com o Cantor, tem a mesma paridade que o juiz com o pregoeiro. Porque o pregoeiro apregoa e publica os decretos do juiz, sem saber a causa, pela qual assim obrou em os fazer: e o ju\u00edz n\u00e3o s\u00f3 sabe os decretos, sen\u00e3o tamb\u00e9m a sua causa: Est ergo Musicus compatus Cantori, sciut judex praeconi; praeco nam que decreta judicis edicit, et proclamat in scius qua de causa fiant: judex autem et decreta, et eorum rationem novit. Pois da mesma sorte o M\u00fasico com o Cantor. Este canta, e entoa a obra alheia, sem saber, nem entender a contextura da obra, e sabe as causas, porque assim a fabricou, ou foi por outro fabricada.<br>O Papa Jo\u00e3o XXII <sup><a href=\"#footnote_32_577\" id=\"identifier_32_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ioan. Pap. 22. lib. 1. suae Mus. cap. 2.\">32<\/a><\/sup> finalmente compara o cantor com o \u00e9brio, que sim sabe tornar \u00e0 sua casa: mas \u00e9 pelo uso de ir \u00e0 ela, e n\u00e3o de outra sorte; pois n\u00e3o entende, nem sabe, nem dir\u00e1 por que rua tornou. N\u00e3o assim o M\u00fasico que tal, que sai, e torna para a sua casa M\u00fasica, e nela entra, e anda sem ignor\u00e2ncia, como homem de perfeito ju\u00edzo, e claro conhecimento. Mas basta de digress\u00e3o: tornemos n\u00f3s tamb\u00e9m ajuizados ao nosso intento, e continuemos a proposta mat\u00e9ria dos diversos nomes apelativos, e expressivos de diversa M\u00fasica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a74<br>Continua-se a mat\u00e9ria dos diversos nomes apelativos,<br>e expressivos de diversa M\u00fasica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D.Tornando outra vez aos diversos nomes expressivos de diversa M\u00fasica, e continuando a sua not\u00edcia pela mesma ordem, com que nos referisteis; Segue-se que em primeiro lugar me digais donde se deriva, e que M\u00fasica propriamente se significa, pelo voc\u00e1bulo<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Monodia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. Pelo voc\u00e1bulo Monodia se exprime o cantor a solo: e tomado em todo o rigor, significa o Canto triste, e saudoso, produzido por um s\u00f3, como afirma Roseto <sup><a href=\"#footnote_33_577\" id=\"identifier_33_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Roset. apud Lorent. Porq. de la Mus. Lib. 1. cap. 48.\">33<\/a><\/sup>, a quem segue Lorente. Ambrosio Calepino <sup><a href=\"#footnote_34_577\" id=\"identifier_34_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Calip. verbo Monodia. https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n519\/mode\/2up?q=monodia\">34<\/a><\/sup> o confirma, dizendo que o canto que por este voc\u00e1bulo se significa, \u00e9 triste, como o da carpideira nos funerais dos defuntos: Lugubris cantus, qui fit \u00e0 praefica in defunctorum funerebus, quasi unus cantus. Vem da dic\u00e7\u00e3o grega Monos, que vale tanto como unus, e de Dia, que em Latim vale ex, ou per: e tudo junto soa tanto, como M\u00fasica produzida por um s\u00f3, ex uno. Por isso, por este nome dizemos que se restringe o canto, e se determina a ser a solo. O que suposto, passemos aos mais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Symphonia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Symphonia propriamente significa o canto \u00e0 duo, que \u00e9 aquele doce som, que se produz, e comp\u00f5em de duas vozes, cantando ambas a um tempo mesmo com a diferen\u00e7a de grave, e agudo, isto \u00e9, em conson\u00e2ncia. Assim, expressamente o disse com outros Roseto <sup><a href=\"#footnote_35_577\" id=\"identifier_35_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Roset. supra. ??? apud Ceron. to. 1, lib. 2. cap. 26.\">35<\/a><\/sup>: Est autem Symphonia duarum vocum disparium inter se junctarum dulcis concentus. Chama-se assim do voc\u00e1bulo grego Symplonin, que quer dizer soar, ou cantar juntamente, como explica, e interpreta Calepino <sup><a href=\"#footnote_36_577\" id=\"identifier_36_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Calep. verbo Symphonia. https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n805\/mode\/2up?q=symphonia\">36<\/a><\/sup>. Anglico <sup><a href=\"#footnote_37_577\" id=\"identifier_37_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Anglic.\">37<\/a><\/sup> com S. Isidoro a define por concordante conveni\u00eancia de sons, ou vozes graves, e agudas: Symphonia est temperamentum modulationis in sonis gravibus, et acutis concordans. Est\u00e1 escura esta defini\u00e7\u00e3o; porque n\u00e3o declara o n\u00famero de vozes, que se exprime pelo voc\u00e1bulo Symphonia. Portanto rejeitamos esta, e abra\u00e7amos a primeira: a qual serve tamb\u00e9m para exprimir aquela conson\u00e2ncia, que entre si fazem diversos instrumentos, que tangem obras para eles compostas a duo: antes, no comum sentir de todos os Modernos, este \u00e9 o seu mais pr\u00f3prio significado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Harmonia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Harmonia \u00e9 voc\u00e1bulo, pelo qual se significa propriamente a coaduna\u00e7\u00e3o, e concordia de muitas vozes diversas em um s\u00f3 concento. Assim a definiu Roseto <sup><a href=\"#footnote_38_577\" id=\"identifier_38_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Roset. supra.\">38<\/a><\/sup>: Harmonia est diversarum vocum coadunata in unum concordia. E quanto maior for o n\u00famero das vozes (que j\u00e1 se v\u00ea que h\u00e1 de ser de tr\u00eas para cima) e maior a variedade das esp\u00e9cies, mais suave, e mais doce Harmonia se far\u00e1. Chama-se assim de Harmos, dic\u00e7\u00e3o Grega, que vale o mesmo que em Latim condunatio, ajuntamento de muitas coisas em uma s\u00f3, como \u00e9 na M\u00fasica o agregado de muitas vozes em um s\u00f3 concento. \u00c9 sentir de Andr\u00e9 Lorente <sup><a href=\"#footnote_39_577\" id=\"identifier_39_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Lorent. Porq. de la Mus. Lib. 1. cap. 48.\">39<\/a><\/sup>; ainda que Calepino <sup><a href=\"#footnote_40_577\" id=\"identifier_40_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Calep. verbo Harmonia. https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n375\/mode\/2up?q=harmonia\">40<\/a><\/sup> diz que Harmonia se diz assim da dic\u00e7\u00e3o Grega Harmozin, que significa concordar: e certamente a Harmonia se produz de vozes, por suas propor\u00e7\u00f5es, e dist\u00e2ncias, bem concordadas. Bartholomeo Anglico <sup><a href=\"#footnote_41_577\" id=\"identifier_41_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Anglic. Lib. 19. cap. 132.\">41<\/a><\/sup> leva outro caminho, dizendo que a harmonia se diz assim de ad, e monos, dic\u00e7\u00e3o grega, que (como j\u00e1 dissemos) em latim vale unus: e por interpreta\u00e7\u00e3o de Hugo <sup><a href=\"#footnote_42_577\" id=\"identifier_42_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Hog. apud eumd.\">42<\/a><\/sup> \u00e9 o mesmo que dizer que todas as partes, ou vozes no Canto se encaminham \u00e0 uma s\u00f3 conc\u00f3rdia, e uni\u00e3o: Dicitur Harmonia ab Ad, et Monos, id est, unum; quia ad unam concordiam tondunt in cantibus omnes voces, ut dicit Hugo. Finalmente a Harmonia toma-se tamb\u00e9m, segundo Calepino <sup><a href=\"#footnote_43_577\" id=\"identifier_43_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Calep. ubi supra. https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n375\/mode\/2up?q=harmonia\">43<\/a><\/sup>, pelo som bem ordenado das cordas, e vozes dos instrumentos: Musici Harmoniam vocant intensionem, concentum que nervorum in integros modos sine ulla offensione consonantium.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Melodia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo voc\u00e1bulo Melodia entendemos aquele canto de muitas vozes, cuja suavidade, e do\u00e7ura \u00e9 apta para conciliar o agrado, e deleitar o sentido. Difere da Harmonia, em que esta respeita aquela suavidade, que procede de boa composi\u00e7\u00e3o e artif\u00edcio da obra, a qual por estar bem ordenada, debaixo das regras da Arte, produz boa conson\u00e2ncia: e a Melodia respeita de mais disto uma suavidade natural, e intr\u00ednseca \u00e0s mesmas vozes, que a produzem por apta modula\u00e7\u00e3o, e quebros acomodados ao Canto, suposto primeiro o artif\u00edcio da obra, como primeira causa. Deriva-se de Melos <sup><a href=\"#footnote_44_577\" id=\"identifier_44_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Id. verbo Melos https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n501\/mode\/2up?q=melos\">44<\/a><\/sup>, palavra Grega, que significa isto mesmo: Est autem melos cantus suavitas ex apta vocis modulatione, et flexu proficiscens. De dois modos \u00e9 finalmente, ou podemos dizer que \u00e9 a melodia, natural, e artificial. A natural consiste s\u00f3 na suavidade da voz, como explicam as citadas palavras de Calepino: a artificial, como avisa Cerone <sup><a href=\"#footnote_45_577\" id=\"identifier_45_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 26\">45<\/a><\/sup>, consiste no mesmo artif\u00edcio da obra, e diz Plat\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_46_577\" id=\"identifier_46_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plat. in. Gorg.\">46<\/a><\/sup> que consta de tr\u00eas partes essenciais, ora\u00e7\u00e3o, harmonia e ritmo: Melodia ex tribus constat, oratione, harmonia, et rhythmo. Daqui se infere 1\u00b0 e legitimamente se segue que n\u00e3o pode haver Melodia artificial, sem que primeiro se d\u00ea a harmonia; pois \u00e9 esta uma das suas partes essenciais. 2\u00b0. que ainda que a conson\u00e2ncia, a disson\u00e2ncia, e a harmonia possam nascer n\u00e3o s\u00f3 das vozes, sen\u00e3o tamb\u00e9m dos sons; a Melodia s\u00f3 pode nascer das vozes, porque s\u00f3 estas s\u00e3o capazes da ora\u00e7\u00e3o ou das palavras, que s\u00e3o tamb\u00e9m sua parte essencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Modula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Modula\u00e7\u00e3o propriamente \u00e9 o movimento, que faz a voz passando de um ponto, ou de um som a outro por diversos intervalos com medida, do\u00e7ura, e concerto <sup><a href=\"#footnote_47_577\" id=\"identifier_47_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Lorent. supra. Ceron. tom. 1.lib. 2. cap. 26\">47<\/a><\/sup>: concerto na voz, do\u00e7ura no canto, e medida n\u00e3o s\u00f3 nas quantidades harm\u00f4nicas, por onde se passa, para a boa afina\u00e7\u00e3o, sen\u00e3o tamb\u00e9m na quantidade numeral das figuras, que pede a maior, ou menor velocidade dos gorjeios, com que se faz o dito movimento bem regulado na medida do compasso. Chama-se modula\u00e7\u00e3o de Modulor, voc\u00e1bulo Latino, que (em sentido m\u00fasico) significa medir com a voz, ou compor com certa medida: sen\u00e3o dissermos que se chama assim de Modus, ou Modulus, que ou significa aquela medida, que observam os M\u00fasicos, quando cantam; ou o mesmo canto, e quebra da voz, como sente Calepino <sup><a href=\"#footnote_48_577\" id=\"identifier_48_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Calep. verbo Modulor, Modus, et Modulus https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n515\/mode\/2up?q=modus https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n517\/mode\/2up?q=modulus\">48<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Concento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pela palavra Concento, segundo Plat\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_49_577\" id=\"identifier_49_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plat. apud Barrad. Preceyt. Ecclesiast. part. 1. preceyt. 4\">49<\/a><\/sup>, se significa a ordem, que h\u00e1 entre voz aguda, e voz grave, em bem soantes, e proporcionadas dist\u00e2ncias \u00e0 um mesmo tempo produzidas, como \u00e9 no Canto de Org\u00e3o o misturado som que produzem cantando juntamente os baixos, tenores,contraltos e Tiples: Concentus est ordo, qui in voce acuta, et gravi simul contemperatis apparet. Requer o concurso de muitas vozes, como se entende de C\u00edcero <sup><a href=\"#footnote_50_577\" id=\"identifier_50_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cic. de Somn. Scipion.\">50<\/a><\/sup>: Qui acuta cum gravi temperans aequabiliter concentus efficit: e mais claramente se S\u00eaneca <sup><a href=\"#footnote_51_577\" id=\"identifier_51_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Senec. ep. 83.\">51<\/a><\/sup>: Ad musicam transeo; doces me quomodo inter se acuto, ac graves voces consonent, quomodo nervorum disparem reddentium sonum fiat concordia: e n\u00e3o pode haver concento em menos de duas vozes, sen\u00e3o da\u00ed para cima. Vem do verbo Concino, que significa cantar juntamente. Serve para expressar, al\u00e9m do canto dos homens, tamb\u00e9m o dos instrumentos, como se entende das referidas palavras de S\u00eaneca; e juntamente o das aves, como se l\u00ea no poeta <sup><a href=\"#footnote_52_577\" id=\"identifier_52_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Virgil. Georg. lib. 1.\">52<\/a><\/sup>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">\u2026\u2026\u2026. Hinc ille avium concentus in agris.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a75<br>Mostra-se que tamb\u00e9m os referidos nomes n\u00e3o<br>podiam apelidar a m\u00fasica antes de<br>Mois\u00e9s, e porque causa.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D. Com muito gosto, senhor, vos tenho ouvido a explica\u00e7\u00e3o, e etimologia dos diversos nomes apelativos de diversa M\u00fasica: mas como v\u00f3s vos esquecestes de me dizer, agora vos pergunto eu, se ao menos algum dos referidos nomes podia merecer antes de Mois\u00e9s antigamente a M\u00fasica?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. Se hei de dizer o que sinto, \u00e9 que estes nomes s\u00f3 os podia merecer a M\u00fasica depois de posta em arte: em arte foi posta muito depois de Mois\u00e9s; Logo antes dele nenhum deles lhe devia competir. O nome Harmonia n\u00e3o; porque antigamente, segundo o P. Kircher <sup><a href=\"#footnote_53_577\" id=\"identifier_53_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Kirch. Musurg. Univer. tom. 1.lib. 7. part. 1. Erotem. 3. p. 551. https:\/\/s9.imslp.org\/files\/imglnks\/usimg\/c\/c4\/IMSLP253538-PMLP410795-athanasiikircherkirc_musurgia_1.7.pdf\">53<\/a><\/sup>, todo o Canto era mon\u00f3dico, id est, de uma s\u00f3 voz: ao qual s\u00f3 podia convir o voc\u00e1bulo Monodia, pelo qual s\u00f3 se explica o canto a solo, como fica declarado: e se alguma vez era polyodico, isto \u00e9, de muitas vozes, era produzido com polyodia natural, e irregular, semelhante a que hoje muitas vezes vemos nas oficinas dos alfaiates, e outros trabalhadores. Mas n\u00e3o assim a polyodia artificial, em que consiste a Harmonia; porque esta, para ser tal, deve contar de muitas vozes dessemelhantes, e regularmente dispostas, como escreve o Duque de Atri <sup><a href=\"#footnote_54_577\" id=\"identifier_54_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Apud. Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 26. p. 237. https:\/\/bdh-rd.bne.es\/viewer.vm?id=0000015030\">54<\/a><\/sup>: Harmonia est concinnitas quaedam vocum non similium. Esta regularidade (a qual \u00e9 certo que s\u00f3 depois da arte podia haver), bem se d\u00e1 a entender pela palavra concinnitas.<br>Al\u00e9m disto aquela polyodia podia resultar de duas s\u00f3 vozes diferentes, e n\u00e3o de mais: e a Harmonia, ou polyodia artificial, e regular ensina Franquino <sup><a href=\"#footnote_55_577\" id=\"identifier_55_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Franch. lib. 3. De Harm. Instrum. cap. 10. f. LXXXI https:\/\/play.google.com\/books\/reader?id=y8ZCAAAAcAAJ&amp;pg=GBS.PR80-IA1&amp;hl=pt\">55<\/a><\/sup> que deve resultar ao menos de tr\u00eas, scilicet, uma extrema grave, outra extrema aguda, e outra m\u00e9dia, que entre as duas extremas constitui o meio harm\u00f4nico, que \u00e9 rigorosamente o em que consiste a Harmonia: Harmoniae ex acuto, et gravi conf\u00efciuntuntur, atque medio. Disse ao menos de tr\u00eas vozes, porque (como j\u00e1 dissemos), quanto maior for o n\u00famero das vozes, mais suave tamb\u00e9m, e mais doce Harmonia se far\u00e1: n\u00e3o porque fa\u00e7a maior n\u00famero de conson\u00e2ncias do que as tr\u00eas; mas porque compreende, e abra\u00e7a maior dist\u00e2ncia; e nesta maior n\u00famero de intervalos, de que resulta mais perfei\u00e7\u00e3o \u00e0 Harmonia. Assim o disse o mesmo Franquino <sup><a href=\"#footnote_56_577\" id=\"identifier_56_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Id. lib. 1. cap. 3. f. V https:\/\/play.google.com\/books\/reader?id=y8ZCAAAAcAAJ&amp;pg=GBS.PR4-IA1&amp;hl=pt\">56<\/a><\/sup> por estas formais palavras, das quais muito melhor consta a regularidade, e arte, que h\u00e1 de conter a verdadeira Harmonia; pois diz que h\u00e1 de constar de propor\u00e7\u00f5es, que causem boa conson\u00e2ncia: Rationabiliter idcirco diximus, quod secundum naturam, et artem rationabiliter eveniunt, ut diatessaron, et diapente, atque diapason, et reliquae habitudines, quae sonos in sonoro disponunt instrumento, auribus bonam, et suavem consonantiam affluentes, et equidem excelsiores sunt, atque perfectiores. Zarlino <sup><a href=\"#footnote_57_577\" id=\"identifier_57_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Zarlin. Demonstrat. harm. ragionam. 2. definit. 4. https:\/\/tmiweb.science.uu.nl\/text\/reading-edition\/zardim89.html#rag2\">57<\/a><\/sup>, explicando a defini\u00e7\u00e3o 4. do 2. ragionamento das suas Demonstra\u00e7\u00f5es Harm\u00f4nicas, tamb\u00e9m requer para a Harmonia simples as mesmas tr\u00eas vozes, que Franquino, duas extremas em grave, e agudo, e outra m\u00e9dia, que divide em duas as propor\u00e7\u00f5es dos extremos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D. Bem est\u00e1: mas a polyodia natural dos antigos gregos \u00e9 cr\u00edvel que ou sempre, ou quase sempre, se exercitasse entre duas vozes: donde parece que a M\u00fasica antes de posta em arte, ac per consequens antes de Mois\u00e9s se n\u00e3o mereceu o nome de Harmonia, bem podia chamar-se Symphonia; pois esta acima me dissestes com Roseto que \u00e9 o doce concento, que resulta de duas vozes desiguais, ou diferentes por grave, e agudo, que entre si se ajustam, e unem: Symphonia est duarum vocum disparium inter se junctarum dulcis concentus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. Tamb\u00e9m esse nome parece que o n\u00e3o deveu merecer a M\u00fasica antes de posta em arte. Porque al\u00e9m de que o concento das duas vozes da Symphonia, para ser perfeito, deve ser regulado pela arte, que (como supomos) ainda ent\u00e3o n\u00e3o havia; a M\u00fasica, que mais propriamente se significa, no comum sentir de todos os Modernos, por este nome, como j\u00e1 dissemos, \u00e9 a que se comp\u00f5e a duo, ou a que de entre si produzem os instrumentos pela composi\u00e7\u00e3o de duas vozes distintas por gravidade, e agudeza regular: e deste modo n\u00e3o consta que naquele tempo entre os gregos houvesse, ou se tocassem os instrumentos.<br>Tamb\u00e9m n\u00e3o se devia antes chamar a M\u00fasica Melodia; porque esta, como j\u00e1 dissemos, ou \u00e9 natural, ou artificial. A artificial, que consiste no mesmo artif\u00edcio da obra, \u00e9 certo que naquelas antiguidades a n\u00e3o havia, pois ainda ent\u00e3o n\u00e3o havia arte. A natural, que consiste na intr\u00ednseca, e natural suavidade das vozes, essa sim, concedemos que a houvesse, posto que imperfeita, tosca, e irregular; e n\u00e3o (como hoje) regular, perfeita, e polida. E aqui advertimos com D. Pedro Cerone <sup><a href=\"#footnote_58_577\" id=\"identifier_58_577\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ceron. supra.\">58<\/a><\/sup> que este voc\u00e1bulo Melodia s\u00f3 \u00e9 pr\u00f3prio para expressar a M\u00fasica, que produzem as vozes, mas n\u00e3o a que resulta de instrumentos.<br>O nome Modula\u00e7\u00e3o explica a M\u00fasica suave, ou da M\u00fasica aquela suavidade, que procede do movimento da voz que se move de um a outros pontos por diversos intervalos com medida (como entendo) n\u00e3o se pode perfeitamente conseguir sem arte, por mais que a voz tenha natural do\u00e7ura, e suavidade; que havemos de dizer, sen\u00e3o que tamb\u00e9m este nome n\u00e3o devia competir \u00e0 M\u00fasica, antes de posta em arte?<br>Resta-nos o nome Concento; pelo qual (como j\u00e1 dissemos) se explica a regular ordem, que h\u00e1 entre voz grave, e aguda, contemperadas segundo as propor\u00e7\u00f5es harm\u00f4nicas, para deleitar o sentido. Donde se segue que n\u00e3o pode haver perfeito Concento sem arte; ac per consequens que n\u00e3o podia este nome stricte sumpto convir \u00e0 M\u00fasica, antes de posta em arte. Este o meu parecer, salvo semper meliori.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/projetos-em-andamento\/escola-de-canto-de-orgao-parte-i-indice\/\" data-type=\"page\" data-id=\"507\">Voltar ao \u00cdndice<\/a> da Escola de Canto de \u00d3rg\u00e3o<\/p>\n<ol class=\"footnotes\"><li id=\"footnote_1_577\" class=\"footnote\">Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 9, p. 214 https:\/\/bdh-rd.bne.es\/viewer.vm?id=0000015030 <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_1_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_2_577\" class=\"footnote\">Euriped. apud eumd. ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_2_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_3_577\" class=\"footnote\">Virgil. Georgic. v. 145-146. In Cerone, p. 214 https:\/\/bdh-rd.bne.es\/viewer.vm?id=0000015030<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_3_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_4_577\" class=\"footnote\">Theognid. apud. Ceron. ub. paut. supra. p. 214 https:\/\/bdh-rd.bne.es\/viewer.vm?id=0000015030<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_4_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_5_577\" class=\"footnote\">Richard de S. Victor. part. 1. tr.. except. lib. 2. cap. 5. https:\/\/books.google.com.br\/books?id=ruQnJqKJOC8C&amp;printsec=frontcover&amp;hl=pt-BR&amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;cad=0#v=onepage&amp;q&amp;f=false col. 10 \/ ver tradu\u00e7\u00e3o aqui: https:\/\/www.bing.com\/ck\/a?!&amp;&amp;p=d9ebabe77c1713237af756ef98e15acff8859e5c23b904f06302a590f24216b4JmltdHM9MTc0MDQ0MTYwMA&amp;ptn=3&amp;ver=2&amp;hsh=4&amp;fclid=0659657e-6014-6761-3015-71a261456622&amp;psq=richard+de+saint+victor+Theorica+Ignorantiam+expellens%2c+Sapientiam+illuminat&amp;u=a1aHR0cHM6Ly9wZXJpb2RpY29zLnVmcGVsLmVkdS5ici9pbmRleC5waHAvZGlzc2VydGF0aW8vYXJ0aWNsZS9kb3dubG9hZC8yMDIxNS8xMjczOQ&amp;ntb=1 <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_5_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_6_577\" class=\"footnote\">Hug. de S. Victor. lib. 1. cap 12.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_6_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_7_577\" class=\"footnote\">Pontan. 4. de prudent. https:\/\/play.google.com\/books\/reader?id=WaQCPrVdZ7gC&amp;pg=GBS.PP4&amp;hl=pt&amp;q=Institutiones <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_7_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_8_577\" class=\"footnote\">Marc. Cras. apud Cicer. 1. De Oratore. \u00a7187 https:\/\/mlat.uzh.ch\/browser\/12626:1 <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_8_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_9_577\" class=\"footnote\">Plat. in Gorg.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_9_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_10_577\" class=\"footnote\">Aristot. text. 19<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_10_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_11_577\" class=\"footnote\">Senec. apud Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 9.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_11_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_12_577\" class=\"footnote\">Pythagor. apud eumd. ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_12_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_13_577\" class=\"footnote\">Aver. 2. Physic. com. 77<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_13_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_14_577\" class=\"footnote\">Plat. lib. 2. in Alcibiad.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_14_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_15_577\" class=\"footnote\">Roset. in sua Mus. Lorent. Porq. dela Mus. lib. 1. cap. 18. Ceron. tom. 1. Lib. 2. cap. 18.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_15_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_16_577\" class=\"footnote\">Virgil. Aeneid. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_16_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_17_577\" class=\"footnote\">Calep. verbo cano. https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n135\/mode\/2up?q=cano <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_17_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_18_577\" class=\"footnote\">Durant. Rat Div. Offic. lib. 1. cap. 2.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_18_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_19_577\" class=\"footnote\">Stephanus. Vanneus. Recanetum de Musica Aurea lib. 1. cap. 7. p. 8 https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_g_h1onpvWXwC\/page\/n25\/mode\/2up <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_19_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_20_577\" class=\"footnote\">Andr. Meyning. Lib. 1. cap. 1. <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_20_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_21_577\" class=\"footnote\">Fr. Angel. in sua Mus. lib. 2. cap. 14.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_21_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_22_577\" class=\"footnote\">Kirch. Mussurg. univers. tom. 1. lib. 2. cap. 3.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_22_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_23_577\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_23_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_24_577\" class=\"footnote\">Boet. lib. 5. suae. Mus. cap. 24.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_24_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_25_577\" class=\"footnote\">Fior Angel. lib. 1. cap. 10.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_25_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_26_577\" class=\"footnote\">Nicol. Burt. tr.1. cap. 6.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_26_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_27_577\" class=\"footnote\">Berard. Miscellan. Musical. Part. 1. cap. 5, Zarlin. Instit. harm. part. 1. cap. 11, Ceron. tom. 1. lib.2. cap. 11.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_27_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_28_577\" class=\"footnote\">Guid. in. Prolog. ad libr. 3. Michol.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_28_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_29_577\" class=\"footnote\">Franch. Mus. theoric. lib. 1 cap. 5. https:\/\/chmtl.indiana.edu\/tml\/15th\/GAFTM1 <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_29_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_30_577\" class=\"footnote\">Ibid<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_30_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_31_577\" class=\"footnote\">Roset. Compend. Mus.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_31_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_32_577\" class=\"footnote\">Ioan. Pap. 22. lib. 1. suae Mus. cap. 2.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_32_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_33_577\" class=\"footnote\">Roset. apud Lorent. Porq. de la Mus. Lib. 1. cap. 48.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_33_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_34_577\" class=\"footnote\">Calip. verbo Monodia. https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n519\/mode\/2up?q=monodia <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_34_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_35_577\" class=\"footnote\">Roset. supra. ??? apud Ceron. to. 1, lib. 2. cap. 26.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_35_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_36_577\" class=\"footnote\">Calep. verbo Symphonia. https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n805\/mode\/2up?q=symphonia <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_36_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_37_577\" class=\"footnote\">Anglic.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_37_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_38_577\" class=\"footnote\">Roset. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_38_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_39_577\" class=\"footnote\">Lorent. Porq. de la Mus. Lib. 1. cap. 48.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_39_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_40_577\" class=\"footnote\">Calep. verbo Harmonia. https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n375\/mode\/2up?q=harmonia <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_40_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_41_577\" class=\"footnote\">Anglic. Lib. 19. cap. 132.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_41_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_42_577\" class=\"footnote\">Hog. apud eumd.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_42_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_43_577\" class=\"footnote\">Calep. ubi supra. https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n375\/mode\/2up?q=harmonia <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_43_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_44_577\" class=\"footnote\">Id. verbo Melos https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n501\/mode\/2up?q=melos <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_44_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_45_577\" class=\"footnote\">Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 26<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_45_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_46_577\" class=\"footnote\">Plat. in. Gorg.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_46_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_47_577\" class=\"footnote\">Lorent. supra. Ceron. tom. 1.lib. 2. cap. 26<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_47_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_48_577\" class=\"footnote\">Calep. verbo Modulor, Modus, et Modulus https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n515\/mode\/2up?q=modus https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_v-JKAAAAcAAJ\/page\/n517\/mode\/2up?q=modulus <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_48_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_49_577\" class=\"footnote\">Plat. apud Barrad. Preceyt. Ecclesiast. part. 1. preceyt. 4<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_49_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_50_577\" class=\"footnote\">Cic. de Somn. Scipion.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_50_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_51_577\" class=\"footnote\">Senec. ep. 83.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_51_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_52_577\" class=\"footnote\">Virgil. Georg. lib. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_52_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_53_577\" class=\"footnote\">Kirch. Musurg. Univer. tom. 1.lib. 7. part. 1. Erotem. 3. p. 551. https:\/\/s9.imslp.org\/files\/imglnks\/usimg\/c\/c4\/IMSLP253538-PMLP410795-athanasiikircherkirc_musurgia_1.7.pdf <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_53_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_54_577\" class=\"footnote\">Apud. Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 26. p. 237. https:\/\/bdh-rd.bne.es\/viewer.vm?id=0000015030 <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_54_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_55_577\" class=\"footnote\">Franch. lib. 3. De Harm. Instrum. cap. 10. f. LXXXI https:\/\/play.google.com\/books\/reader?id=y8ZCAAAAcAAJ&amp;pg=GBS.PR80-IA1&amp;hl=pt <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_55_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_56_577\" class=\"footnote\">Id. lib. 1. cap. 3. f. V https:\/\/play.google.com\/books\/reader?id=y8ZCAAAAcAAJ&amp;pg=GBS.PR4-IA1&amp;hl=pt <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_56_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_57_577\" class=\"footnote\">Zarlin. Demonstrat. harm. ragionam. 2. definit. 4. https:\/\/tmiweb.science.uu.nl\/text\/reading-edition\/zardim89.html#rag2 <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_57_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_58_577\" class=\"footnote\">Ceron. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_58_577\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Art\u00edculo IVDeclara-se como com as mais ci\u00eancias se por em arte a M\u00fasica: seus diversos nomes apelativos: e como de seus professores deve com todo o cuidado ser estudada, e bem entendida \u00a7. 1.D\u00e1-se a conhecer a causa, porque com as mais ci\u00eancias se por a M\u00fasica em arte D. Pelo que vos tenho ouvido, &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/projetos-em-andamento\/escola-de-canto-de-orgao-parte-i-dialogo-i-documento-ii-articulo-iv\/\" class=\"more-link\">Leia mais<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Escola de Canto de \u00d3rg\u00e3o \u2013 Parte I \u2013 Di\u00e1logo I \u2013 Documento II &#8211; Art\u00edculo IV&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":205,"menu_order":4,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"inspiro_hide_title":false,"inspiro_hide_featured_image":false,"footnotes":""},"class_list":["post-577","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/577","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=577"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/577\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":588,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/577\/revisions\/588"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=577"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}