{"id":567,"date":"2025-05-06T09:24:28","date_gmt":"2025-05-06T12:24:28","guid":{"rendered":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/?page_id=567"},"modified":"2025-05-06T14:59:44","modified_gmt":"2025-05-06T17:59:44","slug":"escola-de-canto-de-orgao-parte-i-dialogo-preliminar-articulo-iii","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/projetos-em-andamento\/escola-de-canto-de-orgao-parte-i-dialogo-preliminar-articulo-iii\/","title":{"rendered":"Escola de Canto de \u00d3rg\u00e3o \u2013 Parte I \u2013 Di\u00e1logo Preliminar \u2013 Art\u00edculo III"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Art\u00edculo III.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Da virtude, e poder, que tem a M\u00fasica para mover o irracional, sens\u00edvel, e insens\u00edvel.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. I.<br>Da virtude, que tem a M\u00fasica para mover os brutos, e as aves.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. \u00c9 t\u00e3o poderosa a natural virtude da M\u00fasica, que com a suavidade de sua do\u00e7ura at\u00e9 o irracional sujeita ao seu imp\u00e9rio, como j\u00e1 em outro lugar deixamos por dito de Cassaneo <sup><a href=\"#footnote_1_567\" id=\"identifier_1_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cassan. in Catal. Glor. mund. part. 10. consid. 51.\">1<\/a><\/sup>: Musicae disciplina non solum homines, verum etiam bruta animalia demulcet. Franquino <sup><a href=\"#footnote_2_567\" id=\"identifier_2_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Franch. apud Lorent. Porq. de la Mus. lib. 1. cap. 13. not. 1.\">2<\/a><\/sup> diz que os cervos ao som da flauta, pelo deleite que sentem, facilmente se deixam apanhar. Dos elefantes pela mesma causa diz Estrabon <sup><a href=\"#footnote_3_567\" id=\"identifier_3_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Strab. apud. Nassar. Escule. Mus. part. 1. lib. 1. cap. 1.\">3<\/a><\/sup> que com M\u00fasica se amansam, e que as ovelhas com a melodia da f\u00edstula pastoril se regozijam. S. Isidoro <sup><a href=\"#footnote_4_567\" id=\"identifier_4_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Isid. Etym. lib. 3. cap. 6.\">4<\/a><\/sup> com Oroncio Fineo diz que os cavalos ao som da trombeta se embravecem. Marciano Capella <sup><a href=\"#footnote_5_567\" id=\"identifier_5_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Marcian. Capel. de Mus. cap.9; Maced. supr. num. 3.\">5<\/a><\/sup>, Macedo, e outros referem que os cisnes em ouvindo cantar, se deixam ir atr\u00e1s da M\u00fasica, para onde os querem levar. De outras muitas avezinhas nos mostra a experi\u00eancia que se alegram com a harmonia do canto, e com o som da flauta, ou silvos baixam, e se deixam cair na rede, como j\u00e1 bem o advertiu Cat\u00e1m <sup><a href=\"#footnote_6_567\" id=\"identifier_6_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cat. apud Lorent. ubi Paulo supra.\">6<\/a><\/sup>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">[p. 31] Fistula Dulce canit, voluerem dum decipit anceps.<br>Ao som da flauta que soa<br>Enganosa, o passarinho<br>De ser livre no raminho<br>A ser prisioneiro voa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por muito se podia ter o que de si costumava Orfeu dizer <sup><a href=\"#footnote_7_567\" id=\"identifier_7_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Orph. apud Berard. Miscellan. Musical. part. 1. cap. 13.\">7<\/a><\/sup>, e \u00e9 que por mais que os Imperadores o convidavam aos seus banquetes pelo muito que o seu canto os deleitava, muito mais se deleitava ele de os mover ao que queria; pois de irados os fazia mansos, de tristes alegres, e de timoratos audazes: Imperatores ad convivia me invitant, ut ex me se delectent: ego tamen delector exipsis, cum quo possim, velim \u00e2nimos eorum flectere de ira ad mansuetudinem, de tristitia ad laetitiam, de timore ad audaciam. Por muito se podia isto ter, torno a dizer: mas muito pouco parece, quando a fereza dos versos, dos le\u00f5es, e das mais feras dizem muitos <sup><a href=\"#footnote_8_567\" id=\"identifier_8_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plutarch. de prosp. fortun. Dial. 3; Fonc. Sylv. mor. supra ;\">8<\/a><\/sup> que s\u00f3 se domesticava com o canto do dito Orfeu, cuja suave voz atr\u00e1s de si levava, e fazia esquecer dos pastos os rebanhos famintos. Cresce ainda a admira\u00e7\u00e3o, quando se diz <sup><a href=\"#footnote_9_567\" id=\"identifier_9_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Picinel. tom. 1. lib. 3. cap. 39. pag. mihi 165.\">9<\/a><\/sup> que at\u00e9 as \u00e1rvores, e pedras insens\u00edveis o seguiam: e (o que mais \u00e9) o mesmo inferno a seu canto se rendia tanto, que, como pasmados, se suspendiam, e paravam os supl\u00edcios dos condenados: Orpheus non hominum tantum aures, sed etiam ferarum, et voluerum, quod que magis mireris, surdas etiam arbores, lapides, saxa, et flumina traxit: quin ipsi quoque in feri abe jus pendebant cantu, et impiorum supplicia, quase stupefacta, cessabant. O mesmo testificou tamb\u00e9m Hor\u00e1cio <sup><a href=\"#footnote_10_567\" id=\"identifier_10_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Horat. lib. 3. Od. 11.\">10<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Tu potes tigres, comites que sylvas<br>Ducere, et rivos celere morari:<br>Cessit immanis tibi blandienti<br>Janitor aulae<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Tu dos tigres a fereza<br>Podes cantando domar,<br>Mover bosques, e estorvar<br>Dos rios a correnteza.<br>Assim o cr\u00ea com certeza,<br>Divino Orfeu excelente,<br>Quem v\u00ea que t\u00e3o prontamente<br>O mesmo inferno implac\u00e1vel<br>Para ver a prenda am\u00e1vel<br>Te p\u00f5em a porta patente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enfim foi t\u00e3o poderosa a M\u00fasica de Orfeu, que ao som da doce lira p\u00f4de atrair, e tirar do inferno a Eur\u00eddice, sua mulher, como refere Ov\u00eddio <sup><a href=\"#footnote_11_567\" id=\"identifier_11_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ovid. Metam. lib. 10.\">11<\/a><\/sup>, e toca Hor\u00e1cio nos citados versos. E se vos parecer encarecimento po\u00e9tico o que de Orfeu vos tenho referido; nem por isso deveis negar \u00e0 sua M\u00fasica o enc\u00f4mio de poderosa, entendendo com Eus\u00e9bio Cesariense <sup><a href=\"#footnote_12_567\" id=\"identifier_12_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Euseb. Cesariens. Natal Comit. et alii apud Victor. Theatr. de los Dios. part. 1. lib. 5. cap. 12.\">12<\/a><\/sup>, Natal Comite, e outros, que cita o P. Vit\u00f3ria, por \u00e1rvores, e pedras os homens agrestes, que pelos campos, e bosques habitavam nas cavernas dos penhascos \u00e0 maneira de feras: por le\u00f5es, e ursos os homens facinorosos, e ind\u00f4mitos: por feras em comum aqueles, que por qualquer medo viviam [p. 32] incultos, e ferozes: e por rios finalmente os homens precipitados, que sem desvio corriam \u00e0 r\u00e9dea solta atr\u00e1s das suas paix\u00f5es, e v\u00edcios: aos quais todos teve poder a M\u00fasica de Orfeu para os domesticar, e sujeitar \u00e0 vida civil, e leis comuns, que \u00e9 o em que consiste a ess\u00eancia de uma cidade, conforme a define Plat\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_13_567\" id=\"identifier_13_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plat. apud Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 22.\">13<\/a><\/sup>: Civitas est habitatio multorum hominum, qui communibus legibus utuntur. E porque nem a isto, nem ao mais, que intentou, se lhe opor nunca dificuldade, que, por \u00e1rdua, e grande que fosse, logo com a suavidade do seu canto n\u00e3o vencesse; por isso tiveram os Poetas lugar para fabularem que ao seu canto at\u00e9 o mesmo inferno se rendeu. Assim parece que o chegou a conhecer, e o confessou o mesmo Hor\u00e1cio <sup><a href=\"#footnote_14_567\" id=\"identifier_14_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Horat. in Art.\">14<\/a><\/sup>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Sylvestres homines sacer, interpresque Deorum<br>Caedibus, et victu faedo deterruit Orpheus :<br>Dictus ab hoc Lenire tigres, rabidos que Leones.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mesmo disse, e compreendeu em verso vulgar um poeta espanhol <sup><a href=\"#footnote_15_567\" id=\"identifier_15_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Apud Victor. Theatr. de los Dios. Paulo supra.\">15<\/a><\/sup>:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Desto tuvo principio, y argumento<br>Dizir que Orpheo con su voz mudava<br>Los arboles, y pe\u00f1as de su asiento,<br>Mostrando que los versos, que cantava,<br>Fuer\u00e7a ten\u00edan de mudar de intento<br>Los pechos fieros, a quien amansava.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. II.<br>Da virtude, que tem a M\u00fasica para deleitar, e atrair os peixes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. Tamb\u00e9m os peixes se deixam cativar, e vencer da melodia, como diz Bartholomeo Anglico <sup><a href=\"#footnote_16_567\" id=\"identifier_16_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Barthol. Anglic. lib. 19. cap. 132.\">16<\/a><\/sup>: Serpentes, volucres, atque Delphines Musica provocat ad auditum: e de muitos se diz <sup><a href=\"#footnote_17_567\" id=\"identifier_17_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plin. Hystor. Natur. lib. 9. cap. 8.\">17<\/a><\/sup> que arrebatados da suavidade da M\u00fasica, acodem, e concorrem para onde se canta. Assim o confirma o caso de Arion, que navegando de It\u00e1lia para Corinto, e vendo que os marinheiros pelo seu cabedal (grangeado pela M\u00fasica) o queriam matar, pediu um pequeno prazo para antes da sua morte cantar uma letra. Concedeu-se-lhe: sentou-se na popa da nau, come\u00e7ou a cantar, acudiram os peixes, e lan\u00e7ando-se ao mar, hum delfim o tomou sobre suas costas, e o levou \u00e0 terra a salvamento. Assim com muitos outros o refere D. Pedro Cerone <sup><a href=\"#footnote_18_567\" id=\"identifier_18_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ceron. tom. 1. lib. 1. cap. 55; Plin. supra.\">18<\/a><\/sup>, e \u00e9 constante entre todos os Autores.<br>Nem este caso parecer\u00e1 ap\u00f3crifo a quem ler a Magia do P. Gaspar Escotto <sup><a href=\"#footnote_19_567\" id=\"identifier_19_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Schott. Mag. univers. part. 2. lib. 1. Syntag. 2 cap. 3.\">19<\/a><\/sup>; o qual ( em confirma\u00e7\u00e3o de que os delfins ouvem M\u00fasica, e com ela se deleitam) diz que com seus olhos viu outro quase semelhante caso&gt; e foi, que no ano de 1633, navegando de N\u00e1poles para Sic\u00edlia, depois de seis dias de pr\u00f3spera viagem, avistando ao 7\u00ba. a cidade de Messana, e come\u00e7ando ele, e seus companheiros a cantar em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as o Hino Te Deum Laudamus, e as Ladainhas de Nossa Senhora em seu louvor, logo em continente acudiram os delfins ao redor da pequena embarca\u00e7\u00e3o, saltando em alto fora da \u00e1gua em sinal de seu prazer; e continuando assim por muito longo espa\u00e7o, sem [p. 33] jamais cessarem, nem se apartarem, sen\u00e3o depois que o dito Padre, e seus companheiros acabaram de cantar.<br>N\u00e3o \u00e9 menos admir\u00e1vel o que refere, tamb\u00e9m com testemunha de vista, o P. Kircher <sup><a href=\"#footnote_20_567\" id=\"identifier_20_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Kirch. Musurg. univers. tom. 2. lib. 9. cap. 7. part. 2. Mag. Conson. et disson.\">20<\/a><\/sup>, da captura, ou pescatura do peixe Psyphia, vulgarmente chamado peixe espada no mar Mamertino de Sic\u00edlia em certos tempos do ano, e principalmente no m\u00eas de maio. Diz que naqueles tempos, ou naquele m\u00eas de se embarcam de madrugada os pescadores destros, e peritos em um saveiro, ou semelhante embarca\u00e7\u00e3o, e partem para o dito mar, e dele para uma parte, ou bra\u00e7o particular, chamado Pharo. Chegando ali, vai logo para o lugar da proa n\u00e3o qualquer dos pescadores, mas deles o mais robusto, e experiente, e ali se p\u00f5em armado de uma fisga, ou arp\u00e3o. Come\u00e7a logo outro a cantar certas palavras, cuja M\u00fasica apenas ouvida, acodem sem mais demora \u00e0 riba da \u00e1gua os ditos peixes, como dela conduzidos, e deleitavelmente atra\u00eddos, e ali com suma ind\u00fastria (dada a ocasi\u00e3o) os arpoa o pescador da proa, para isso aparelhado. As palavras, que entoam ali os pescadores para a captura destes peixes, s\u00e3o estas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Mamarsu de paianu<br>Palletu di paianu<br>Maiassu stignela<br>Palletu di paenu pal\u00e9<br>La stagnela<br>Mancata stignela<br>Pro nastu, vardu pressu da visu, e da terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estas palavras diz o dout\u00edssimo Padre <sup><a href=\"#footnote_21_567\" id=\"identifier_21_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">21<\/a><\/sup> que tinham muitos por fingidas, outros por supersticiosas; e que tamb\u00e9m ele na mesma estima\u00e7\u00e3o as teve, at\u00e9 que com vagarosa pondera\u00e7\u00e3o as conheceu exemptas de toda a supersti\u00e7\u00e3o. Ele as traz da mesma sorte, que aqui as escrevemos, e diz que as aprendera dos mesmos pescadores, a quem por curiosidade acompanhou uma vez ao mar, e foi no dia 17 de maio de 1638, achando-se ent\u00e3o em Messana. Parece que basta isto para prova de que os peixes se deleitam e deixam vencer da M\u00fasica. E se a verdade do citado Padre n\u00e3o d\u00e1 lugar \u00e0 d\u00favida, menos a poder\u00e1 ter, quem souber daquele outro peixe de extremada grandeza, chamado Manati, de quem diz S. Pedro M\u00e1rtir <sup><a href=\"#footnote_22_567\" id=\"identifier_22_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Pedr. Mart. in lib. de reb. Americ.\">22<\/a><\/sup> que todas as vezes que era chamado pelo nome Martinho entoado em canto, subia \u00e0 riba da \u00e1gua a comer das m\u00e3os dos passageiros. O mesmo repetem v\u00e1rios Autores <sup><a href=\"#footnote_23_567\" id=\"identifier_23_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Apud Kirche rubi paulo supra.\">23<\/a><\/sup> de um delfim, que se apresentava a um mancebo todas as vezes que o invocava entoando-lhe o nome de Sim\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. III.<br>Da virtude, que tem a M\u00fasica para mover at\u00e9 o irracional.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. At\u00e9 para mover, e atrair o irracional tem a M\u00fasica virtude. Por isso de Amphion se diz que movia as pedras com o seu canto; e que com a do\u00e7ura, e suavidade da sua voz edificara os muros de Tebas muito a seu arb\u00edtrio; pois ao som dela o seguiam as pedras, e ele as acomodava, onde [p. 34] queria. Esta em suma a f\u00e1bula: cujas palavras recomenda Julio Solino <sup><a href=\"#footnote_24_567\" id=\"identifier_24_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Jul. Solin. de admirabilib. mund. cap. 11.\">24<\/a><\/sup> que se n\u00e3o entendam literal, e materialmente; sen\u00e3o que Amphion com a suavidade de sua voz (como j\u00e1 de Orfeu dissemos) reprimia, e refreava os homens, que como rios se precipitavam, em c\u00f3leras e demasias: e aos que sem cultura, como toscas pedras, viviam nas brenhas, os reduzia com a do\u00e7ura da sua voz a buscar a vida pol\u00edtica, e civil, vindo povoar a cidade: Non quod lyra saxa duxerit (neque enim par est id ita gestum videri) sed quod affatus suavitate homines rupium incolas, et incultis moribus rudes, ad obsequii civilis pellexerit disciplinam. Dele se lembrou Hor\u00e1cio <sup><a href=\"#footnote_25_567\" id=\"identifier_25_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Horat. in Art.\">25<\/a><\/sup> nos seguintes versos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Dictus et Amphion, Thebanae conditor arcis,<br>Saxa movere sono testudinis, et prece blanda<br>Ducere quo vellet.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Ao som da lira cantando<br>Amphion as pedras movia,<br>E seus muros fabricando,<br>As locava onde queria;<br>Porque nada resistia<br>Do canto ao imp\u00e9rio brando.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Poeta Pac\u00edfico <sup><a href=\"#footnote_26_567\" id=\"identifier_26_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Pacif. apud Textor. in Officin. part. 2. tit. Citharaedi. [p. 105] https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_iN6EpWI9sWAC\/page\/n103\/mode\/2up\">26<\/a><\/sup> tamb\u00e9m fez men\u00e7\u00e3o deste excelente M\u00fasico, e juntamente dos outros dois j\u00e1 referidos, Orfeu, e Arion, nestes dois d\u00edsticos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Orpheus Eurydicem cithara revocavit ab Orco<br>Ex que suis movit saxa, nemusque jugis.<br>Pisce fuit pelagus per longum vectus Arion :<br>Hac etiam Amphion moenia struxit ope.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Com a m\u00e3o destra Orfeu tocando<br>Sua doce, e suave lira,<br>Do inferno a Eur\u00eddice tira,<br>Bosque, e penhas arrancando.<br>Arion se salva cantando<br>Em um delfim que o ouvia:<br>E Amphion com melodia<br>Seus muros edificava;<br>Que quando bem se cantava,<br>Tudo ao canto se rendia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Da M\u00fasica de Silene afirma da mesma sorte o Mantuano <sup><a href=\"#footnote_27_567\" id=\"identifier_27_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Virg. Ecc. 6.\">27<\/a><\/sup> que movia tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00f3 aos Faunos, e feras, sen\u00e3o juntamente as \u00e1rvores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Tum vero in numerum Faunosque ferasque videres<br>Ludere, tum r\u00edgidas motare cacumina quercus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Ent\u00e3o (se bem advertia)<br>Era bem para notar<br>O que (em chegando a cantar)<br>[p. 35] De Sileno a voz fazia.<br>Faunos, e feras movia<br>A dan\u00e7ar com gra\u00e7a tal,<br>Que (trocado o natural)<br>J\u00e1 n\u00e3o parecem agrestes;<br>Quando tamb\u00e9m os ciprestes<br>Movia compasso igual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas para que n\u00e3o digais que s\u00f3 com as mentiras dos Poetas vos provo esta mat\u00e9ria, ouvi finalmente esta verdade, que conta Polisto <sup><a href=\"#footnote_28_567\" id=\"identifier_28_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Polist. cap. 11; Aristot. lib. de admirab.\">28<\/a><\/sup>, Arist\u00f3teles, e outros, e \u00e9 muito para admirar, de uma fonte, que h\u00e1 na regi\u00e3o Halesina: a qual por mais quieta, e sossegada que esteja, se junto a ela se toca alguma c\u00edtara, flauta, ou outro M\u00fasico instrumento, come\u00e7a logo a desassossegar-se, pulando, e saltando, como se estivera fervendo: e se param os instrumentos, de improviso sossega ela tamb\u00e9m. N\u00e3o pode chegar a mais o poder, e virtude excelente da M\u00fasica; pois como tendes visto, a seu imp\u00e9rio tudo sujeita, o racional, e o irracional; o sens\u00edvel, e o insens\u00edvel. Mas nem por isso julgueis que tenho dito muito, pois apenas vos tenho referido a por\u00e7\u00e3o mais limitada, e diminuta, que dos seus enc\u00f4mios, excel\u00eancias, e virtudes se pode dizer.<br>D. E tende por certo que, sendo a M\u00fasica por si mesma t\u00e3o nobre, e t\u00e3o excelente, muito me admiro de ver a pouca estima\u00e7\u00e3o, que hoje aqui logra.<br>M. Pois lamentai-lhe comigo essa desgra\u00e7a, em que a chegou a p\u00f4r ou a mal\u00edcia, ou a ignor\u00e2ncia dos homens, como avisa o douto Macedo <sup><a href=\"#footnote_29_567\" id=\"identifier_29_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Maced. Eva e Av. part. 1. cap. 28. n. 9\">29<\/a><\/sup>, e de que diremos agora alguma coisa tamb\u00e9m n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. IV.<br>De como a mal\u00edcia, e a ignor\u00e2ncia dos homens foram a causa dos abates da M\u00fasica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. Foi a mal\u00edcia dos homens a causa dos abates; e grande queda da M\u00fasica, porque abusando da sai alt\u00edssima nobreza, e dignidade, se serviram dela para fins indignos, e menos honestos, com que muito a depravaram: e contra estes depravadores da M\u00fasica, principalmente contra os que dela usaram, e usam para profanidades, e lasc\u00edvias, escreveram acerrimamente S. Cypriano <sup><a href=\"#footnote_30_567\" id=\"identifier_30_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Cyprian. ep. 2; D. Ephr. tom. 1. in Psalm.\">30<\/a><\/sup>, e S. Efr\u00e9m. O Papa S. Clemente Alexandrino <sup><a href=\"#footnote_31_567\" id=\"identifier_31_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Clem. Alexandr. apud A Lapid. in Eccli. cap. 32.\">31<\/a><\/sup> tamb\u00e9m condena o imoderado, e lascivo uso da M\u00fasica. Por isso n\u00e3o obra hoje a M\u00fasica os prod\u00edgios, que obrava em outro tempo; como quem se mostra ofendida (ou Deus por ela) do vilip\u00eandio, em que a puseram, e p\u00f5em cada vez mais os homens com t\u00e3o profanas, e inhonestas inten\u00e7\u00f5es; sendo ela uma ci\u00eancia (sobre a mais \u00fatil aos homens) t\u00e3o admir\u00e1vel, e virtuosa, que por tal, s\u00f3 ela, e nenhuma outra, teve merecimento, e poder de entrar na Igreja de Seus para os seus sagrados cultos, e louvores, como j\u00e1 disse o vener\u00e1vel Beda <sup><a href=\"#footnote_32_567\" id=\"identifier_32_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ven. Bed. tr. de Mus. cap. 22.\">32<\/a><\/sup>: Musicae utilitas magna est, et admirabilis, et virtuosa valdi, quae fores Ecclesiae ausa est subintrare; nulla enim scientia ausa est intrare fores Ecclesiae. Mas oh mal\u00edcia dos homens! que vibrando inimizades contra a virtude, e [p. 36] dignidade da M\u00fasica, e do mesmo Deus, que unicamente devia com ela ser louvado em seus sagrados templos, destes a arrastou para o s\u00e9culo: e tendo a M\u00fasica estima\u00e7\u00f5es de sagrada, como a apelida Juliano <sup><a href=\"#footnote_33_567\" id=\"identifier_33_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Julian. ep. 56.\">33<\/a><\/sup>: Sacra Musica, a profanou a mal\u00edcia dos homens, introduzindo-a at\u00e9 nos lupanares.<br>Foi tamb\u00e9m a ignor\u00e2ncia urgente causa do grande abate da M\u00fasica, da qual disse Cassaneo <sup><a href=\"#footnote_34_567\" id=\"identifier_34_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cassan. Catal. Glor. Mund. part. 10. consid. 51.\">34<\/a><\/sup> que por isso n\u00e3o tinha hoje a estima\u00e7\u00e3o e honra, que j\u00e1 teve e ter devia, porque os homens a ignoram, e n\u00e3o conhecem o que ela \u00e9: Quia ignari sunt hujus scientiae, ideo non est honore, quem ad modum fuit, et esse deberet. E disse bem; porque, como pergunta S. Greg\u00f3rio Papa <sup><a href=\"#footnote_35_567\" id=\"identifier_35_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Gregor. Pap. Homil. 26. in Evang.\">35<\/a><\/sup>, quem pode estimar, querer, ou amar o que ignora, e n\u00e3o conhece? Quis enim amare valeat, quod ignorat? De sorte que para a vontade amar, estimar, ou querer alguma coisa, primeiro a h\u00e1 de o entendimento conhecer, como \u00e9 tamb\u00e9m comum prol\u00f3quio entre os Fil\u00f3sofos: Nihil volitum, quin praecognitum. Logo quem n\u00e3o conhece a dignidade da M\u00fasica; quem n\u00e3o sabe que \u00e9 toda Divina, e tanto do agrado de Deus, como \u00e9 poss\u00edvel que a estime, deseje, ou queira aprender? Quem ignora os fins, para que por Deus foi dada aos homens, e introduzida no mundo, como h\u00e1 de saber usar dela sempre, e s\u00f3 para fins honestos? Se os Mestres que a ensinam, por ignor\u00e2ncia, ou descuido n\u00e3o d\u00e3o dela verdadeiro conhecimento aos seus Disc\u00edpulos, como n\u00e3o h\u00e3o de ficar estes sempre ignorando as excel\u00eancias, e talvez os fundamentos da mesma ci\u00eancia, que professam? E se isto de uns em outros Disc\u00edpulos sempre assim for, como foi continuando (pois \u00e9 coisa natural, como diz Plat\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_36_567\" id=\"identifier_36_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plat. apud Ceron. tom. 1. lib. 1. cap. 10.\">36<\/a><\/sup>, ir passando a doutrina de uns aos outros conforme cada um a aprende de seu Mestre: Doctrina naturaliter procedit de homine ad hominem secundum operationes, quas habet Doctor ad discipulum, como n\u00e3o h\u00e1 de cada vez mais crescer a ignor\u00e2ncia da M\u00fasica? Se n\u00e3o sabem conhecer os M\u00fasicos as propor\u00e7\u00f5es, que com o corpo humano tem a M\u00fasica, e a elei\u00e7\u00e3o, que dos Tons, ou Modos devem fazer conforme a natural efic\u00e1cia, que tem mais um do que outro, para produzir mais este, que aquele efeito, como h\u00e1 de a M\u00fasica hoje obrar as suas antigas maravilhas? E (por concluir de uma vez) se os mesmos seus professores com estas, e outras muitas ignor\u00e2ncias, diversamente procedendo, abatem, e d\u00e3o ocasi\u00e3o para ser desestimada a M\u00fasica, como querem que a estimem aqueles, que tem maior raz\u00e3o de a ignorar?<br>Oh como se revezaram os tempos! Antigamente se tinha com a M\u00fasica o maior cuidado: hoje tem com ela os homens o maior descuido. Hoje se desestimam na nossa terra os homens, por serem M\u00fasicos: antigamente sabemos que logravam os homens, por M\u00fasicos, as maiores honras. Grande era David, e t\u00e3o honrado, como Rei: e contudo n\u00e3o deslustrou o real car\u00e1ter por exercitar publicamente a M\u00fasica diante da Arca de Deus <sup><a href=\"#footnote_37_567\" id=\"identifier_37_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"2. Reg. 6. 5.\">37<\/a><\/sup>: David autem, et omnis Israel ludebant coram Domine in omnibus lignis fabre factis, et citharis, et listris, et tympanis, et sistris: hoje com muito menos honra (e talvez com nenhuma) se envergonham, e desprezam os homens de exercitar a M\u00fasica diante do Deus da Arca?<br>Contra isso (bem sei) me poder\u00e1 algu\u00e9m opor que Micol, filha de Saul (e s\u00f3 Micol) estranhou muito esta a\u00e7\u00e3o da David, seu marido, levando-lha tanto a mal, que o increpou de ignobilidade, e charrice, tendo por tal o obrar ele assim, descoberto diante das escravas dos seus [p. 37] servos <sup><a href=\"#footnote_38_567\" id=\"identifier_38_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"2. Reg. 6. 20.\">38<\/a><\/sup>: Quam gloriosus fuit hodie rex Israel, discoperiens se ante ancilas servorum suorum: et nudatus est, quasi si nudaretur unus de scurris. Mas que lhe respondeu Davi? Diante de Deus (notai bem) hei de dan\u00e7ar, e fazer-me ainda mais vil do que me fiz, ser humilda nos meus olhos, e por isso mesmo entre os meus servos, ou com as suas escravas, de quem falas, aparecerei mais glorioso <sup><a href=\"#footnote_39_567\" id=\"identifier_39_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"2. Reg. 6. 21. et 22.\">39<\/a><\/sup>: Ante Dominum\u2026 et ludam, et vilior fiam plusquam factus sum: et erro humilis in oculis meis: et cum ancillis, de quibus locuta es, gloriosior apparebo. E que sucedeu a Micol por esta estranheza, ou repreens\u00e3o a Davi? Sabeis o que? ser castigada com a priva\u00e7\u00e3o de prole da\u00ed at\u00e9 a sua morte <sup><a href=\"#footnote_40_567\" id=\"identifier_40_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"2. Reg. 6. 23.\">40<\/a><\/sup>: Igitur Michol, filiae Saul, non est natus filius usque in diem mortis suae. Tanto, como isto, valia antigamente a M\u00fasica: e tudo chegaram os homens a perder pela sua mal\u00edcia, e ignor\u00e2ncia. Mas com isto carecia de maior pondera\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 para este lugar, demos pois j\u00e1 a narra\u00e7\u00e3o por acabada, e vamos ao que mais nos importa.<br>D. Muito embora: mas n\u00e3o, enquanto me n\u00e3o declarardes; o que agora por curiosidade pretendo que me digais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. V.<br>Em que se declara a raz\u00e3o, porque o canto de uns incita outros a tamb\u00e9m cantar: e porque move a M\u00fasica t\u00e3o diversos afetos em diversos homens<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">D. Primeiramente tenho reparado, e desejo saber a raz\u00e3o, porque alguns ouvintes, em ouvindo cantar a outros, come\u00e7am tamb\u00e9m eles logo (e ainda sem o imaginarem) a cantar, ou querer cantar? Deinde, porque raz\u00e3o em uns move a M\u00fasica fetos de alegria, em outros de tristeza; a uns incita \u00e0 ira, a outros \u00e0 compaix\u00e3o? Enfim, porque t\u00e3o diversos afetos em diversos sujeitos, e ainda em um sujeito mesmo move a M\u00fasica, conforme vos tenho ouvido?<br>M. A tudo vos satisfarei com o dout\u00edssimo P. Gaspar Escotto da Companhia de Jesus <sup><a href=\"#footnote_41_567\" id=\"identifier_41_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Schot. Mag. univers. part. 2. lib. 4. cap. 2. in corolariis.\">41<\/a><\/sup>. E respondendo j\u00e1 ao 1\u00ba. quesito, digo que o cantarem, ou quererem cantar uns, quando ouvem cantar a outros, \u00e9; porque com o canto destes se concitam naqueles os esp\u00edritos, e a alma se move a um afeto semelhante ao afeto do que canta.<br>Ao 2\u00ba. digo que a causa de mover a M\u00fasica t\u00e3o diversos afetos em diversos sujeitos, procede de serem diversos os esp\u00edritos, e a sua concita\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m diversa. Daqui vem que se os esp\u00edritos s\u00e3o sutis, e c\u00e1lidos, se incitam com a M\u00fasica \u00e0 movimentos soberbos, insolentes, e iracundos. Se s\u00e3o ainda mais sutis, e c\u00e1lidos, incita os \u00e2nimos a amores, gostos, e afetos ven\u00e9reos. Se s\u00e3o os esp\u00edritos constipados, e frios, ou menos c\u00e1lidos, se movem facilmente \u00e0 l\u00e1grimas, \u00e0 devo\u00e7\u00e3o sens\u00edvel, \u00e0 contin\u00eancia, e outros pat\u00e9ticos afetos. E se finalmente s\u00e3o esp\u00edritos crassos, e ainda menos c\u00e1lidos, como nos homens melanc\u00f3licos, nenhum, ou apenas lhe mover\u00e1 algum afeto a M\u00fasica.<br>Daqui vem que na for\u00e7a da tristeza \u00e9 para o triste a M\u00fasica importuna; porque como ent\u00e3o est\u00e3o os esp\u00edritos, por causa da tristeza, como congelados, e incapazes de mo\u00e7\u00e3o, ou concita\u00e7\u00e3o; por isso se lhe faz a M\u00fasica molesta [p. 38] aos ouvidos; porque nenhum efeito pode causar ao que assim a ouve. Por\u00e9m se este tal for M\u00fasico, que com a M\u00fasica bem ordenada possa dissolver os esp\u00edritos assim condensados, certamente ainda na tristeza lhe h\u00e1 de agradar, e dar al\u00edvio a M\u00fasica. O mesmo diz o P. Kircher <sup><a href=\"#footnote_42_567\" id=\"identifier_42_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Kirch. Musurg. Univers. tom. 2. lib. 9. part. 1. Mag. cons. et disson. cap. 2.\">42<\/a><\/sup>; o qual (para que n\u00e3o ignoreis aqui que coisa \u00e9 esp\u00edrito) diz que \u00e9 um certo sutil\u00edssimo vapor sangu\u00edneo, que \u00e9 instrumento da alma: e porque este dito esp\u00edrito \u00e9 muito m\u00f3vel, e t\u00eanue, facilmente se deixa mover pelo ar harmonicamente concitado: a qual concita\u00e7\u00e3o sentindo a alma, conforme \u00e9 v\u00e1rio do esp\u00edrito o movimento, assim induz ela tamb\u00e9m efeitos v\u00e1rios, e o pode fazer em um sujeito mesmo sucessivamente, conforme for tamb\u00e9m sucessiva a variedade da M\u00fasica, e de seus tons: Spiritus enim hujus modi, (s\u00e3o as palavras do Padre) cum subtilissimus quidam sanguineus vapor sit admodum mobilis, ac tenuis, facile ab aere harmonice concitato incitatur, quam concitationem anima sentiens, pro varia spiritus incitatione, varios effectus quoque inducit.<br>Nos brutos torna a dizer o P. Escotto <sup><a href=\"#footnote_43_567\" id=\"identifier_43_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Schot. supra.\">43<\/a><\/sup> que concorrem as mesmas raz\u00f5es, que no homem, para se deleitarem, e moverem com a M\u00fasica, ainda que muito menos que o homem, por ter este os esp\u00edritos muito mais sutis, e m\u00f3veis, e mais coleta a fantasia, donde lhe nasce a maior aten\u00e7\u00e3o. E daqui finalmente se conclui (como j\u00e1 acima dissemos) que tem a M\u00fasica natural for\u00e7a, e imp\u00e9rio para mover os afetos, assim dos homens, como dos brutos: o que confessa tamb\u00e9m o P. Delrio <sup><a href=\"#footnote_44_567\" id=\"identifier_44_567\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Martin Delrio, lib. 1. Disquisit. Magit. cap. 4. quaest. 2. &sect;. In primis arbitror.\">44<\/a><\/sup>. E pois tenho respondido, vamos j\u00e1 aos principais preceitos da Arte chamada por outro nome, e vulgarmente Escada, ou M\u00e3o Aretina.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">[p. 39 em branco]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><br>[p. 40 em branco]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><br>[p. 41] Manus est brevis, et utilis cantus doctrina<br>Do canto a M\u00e3o Aretina<br>\u00c9 breve, e \u00fatil doutrina<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"456\" height=\"669\" src=\"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-568\" srcset=\"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image.png 456w, https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/image-204x300.png 204w\" sizes=\"(max-width: 456px) 100vw, 456px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o da M\u00e3o Aretina<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">Disce manum tantum, si vis bene discere cantum:<br>Absque manu frustra disces per plurima lustra.<br>Se \u00e0 M\u00e3o s\u00f3 vos aplicais,<br>Bem o canto sabereis:<br>Sem a M\u00e3o n\u00e3o podereis<br>saber, por mais que vivais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\">[p. 42 em branco]<\/p>\n\n\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/projetos-em-andamento\/escola-de-canto-de-orgao-parte-i-indice\/\" data-type=\"page\" data-id=\"507\">Voltar ao \u00cdndice<\/a> da Escola de Canto de \u00d3rg\u00e3o<\/p>\n<ol class=\"footnotes\"><li id=\"footnote_1_567\" class=\"footnote\">Cassan. in Catal. Glor. mund. part. 10. consid. 51.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_1_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_2_567\" class=\"footnote\">Franch. apud Lorent. Porq. de la Mus. lib. 1. cap. 13. not. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_2_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_3_567\" class=\"footnote\">Strab. apud. Nassar. Escule. Mus. part. 1. lib. 1. cap. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_3_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_4_567\" class=\"footnote\">D. Isid. Etym. lib. 3. cap. 6.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_4_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_5_567\" class=\"footnote\">Marcian. Capel. de Mus. cap.9; Maced. supr. num. 3.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_5_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_6_567\" class=\"footnote\">Cat. apud Lorent. ubi Paulo supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_6_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_7_567\" class=\"footnote\">Orph. apud Berard. Miscellan. Musical. part. 1. cap. 13.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_7_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_8_567\" class=\"footnote\">Plutarch. de prosp. fortun. Dial. 3; Fonc. Sylv. mor. supra ; <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_8_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_9_567\" class=\"footnote\">Picinel. tom. 1. lib. 3. cap. 39. pag. mihi 165.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_9_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_10_567\" class=\"footnote\">Horat. lib. 3. Od. 11.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_10_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_11_567\" class=\"footnote\">Ovid. Metam. lib. 10.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_11_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_12_567\" class=\"footnote\">Euseb. Cesariens. Natal Comit. et alii apud Victor. Theatr. de los Dios. part. 1. lib. 5. cap. 12.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_12_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_13_567\" class=\"footnote\">Plat. apud Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 22.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_13_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_14_567\" class=\"footnote\">Horat. in Art.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_14_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_15_567\" class=\"footnote\">Apud Victor. Theatr. de los Dios. Paulo supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_15_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_16_567\" class=\"footnote\">Barthol. Anglic. lib. 19. cap. 132.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_16_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_17_567\" class=\"footnote\">Plin. Hystor. Natur. lib. 9. cap. 8.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_17_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_18_567\" class=\"footnote\">Ceron. tom. 1. lib. 1. cap. 55; Plin. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_18_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_19_567\" class=\"footnote\">Schott. Mag. univers. part. 2. lib. 1. Syntag. 2 cap. 3.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_19_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_20_567\" class=\"footnote\">Kirch. Musurg. univers. tom. 2. lib. 9. cap. 7. part. 2. Mag. Conson. et disson.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_20_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_21_567\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_21_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_22_567\" class=\"footnote\">D. Pedr. Mart. in lib. de reb. Americ.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_22_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_23_567\" class=\"footnote\">Apud Kirche rubi paulo supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_23_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_24_567\" class=\"footnote\">Jul. Solin. de admirabilib. mund. cap. 11.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_24_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_25_567\" class=\"footnote\">Horat. in Art.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_25_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_26_567\" class=\"footnote\">Pacif. apud Textor. in Officin. part. 2. tit. Citharaedi. [p. 105] https:\/\/archive.org\/details\/bub_gb_iN6EpWI9sWAC\/page\/n103\/mode\/2up<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_26_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_27_567\" class=\"footnote\">Virg. Ecc. 6.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_27_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_28_567\" class=\"footnote\">Polist. cap. 11; Aristot. lib. de admirab.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_28_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_29_567\" class=\"footnote\">Maced. Eva e Av. part. 1. cap. 28. n. 9<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_29_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_30_567\" class=\"footnote\">D. Cyprian. ep. 2; D. Ephr. tom. 1. in Psalm.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_30_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_31_567\" class=\"footnote\">D. Clem. Alexandr. apud A Lapid. in Eccli. cap. 32.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_31_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_32_567\" class=\"footnote\">Ven. Bed. tr. de Mus. cap. 22.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_32_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_33_567\" class=\"footnote\">Julian. ep. 56.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_33_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_34_567\" class=\"footnote\">Cassan. Catal. Glor. Mund. part. 10. consid. 51.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_34_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_35_567\" class=\"footnote\">D. Gregor. Pap. Homil. 26. in Evang.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_35_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_36_567\" class=\"footnote\">Plat. apud Ceron. tom. 1. lib. 1. cap. 10.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_36_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_37_567\" class=\"footnote\">2. Reg. 6. 5.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_37_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_38_567\" class=\"footnote\">2. Reg. 6. 20.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_38_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_39_567\" class=\"footnote\">2. Reg. 6. 21. et 22.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_39_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_40_567\" class=\"footnote\">2. Reg. 6. 23.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_40_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_41_567\" class=\"footnote\">Schot. Mag. univers. part. 2. lib. 4. cap. 2. in corolariis.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_41_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_42_567\" class=\"footnote\">Kirch. Musurg. Univers. tom. 2. lib. 9. part. 1. Mag. cons. et disson. cap. 2.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_42_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_43_567\" class=\"footnote\">Schot. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_43_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_44_567\" class=\"footnote\">Martin Delrio, lib. 1. Disquisit. Magit. cap. 4. quaest. 2. \u00a7. In primis arbitror.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_44_567\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Art\u00edculo III. Da virtude, e poder, que tem a M\u00fasica para mover o irracional, sens\u00edvel, e insens\u00edvel. \u00a7. I.Da virtude, que tem a M\u00fasica para mover os brutos, e as aves. M. \u00c9 t\u00e3o poderosa a natural virtude da M\u00fasica, que com a suavidade de sua do\u00e7ura at\u00e9 o irracional sujeita ao seu imp\u00e9rio, como &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/projetos-em-andamento\/escola-de-canto-de-orgao-parte-i-dialogo-preliminar-articulo-iii\/\" class=\"more-link\">Leia mais<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Escola de Canto de \u00d3rg\u00e3o \u2013 Parte I \u2013 Di\u00e1logo Preliminar \u2013 Art\u00edculo III&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":205,"menu_order":3,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"inspiro_hide_title":false,"inspiro_hide_featured_image":false,"footnotes":""},"class_list":["post-567","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=567"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/567\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":587,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/567\/revisions\/587"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}