{"id":523,"date":"2025-04-21T20:39:42","date_gmt":"2025-04-21T23:39:42","guid":{"rendered":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/?page_id=523"},"modified":"2025-04-21T20:57:55","modified_gmt":"2025-04-21T23:57:55","slug":"escola-de-canto-de-orgao-parte-i-dialogo-preliminar-articulo-i","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/projetos-em-andamento\/escola-de-canto-de-orgao-parte-i-dialogo-preliminar-articulo-i\/","title":{"rendered":"Escola de Canto de \u00d3rg\u00e3o &#8211; Parte I &#8211; Di\u00e1logo Preliminar &#8211; Art\u00edculo I"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>Art\u00edculo I<\/strong><br><strong>Da origem, nobreza e estima\u00e7\u00e3o da M\u00fasica assim para com os homens, como para com Deus<br><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. 1<br>Da origem, e nobreza da M\u00fasica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. \u00c9 a M\u00fasica t\u00e3o nobre, e preexcelsa, que chegou a gozar foros de Divina; ep\u00edteto, que (como j\u00e1 ouvistes) lhe deu S. Agostinho <sup><a href=\"#footnote_1_523\" id=\"identifier_1_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. August. supr.\">1<\/a><\/sup>, e com que a apelidam muitos outros com Roberto de Fluctibus <sup><a href=\"#footnote_2_523\" id=\"identifier_2_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Robert. De Fluctib. Tr. 2. Part. 2. Lib. 1. Cap. 1.\">2<\/a><\/sup>: Musica est scientia divina. Cassaneo <sup><a href=\"#footnote_3_523\" id=\"identifier_3_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cassan. Catal. Glor. Mund. Part. 1u. consid. 51.\">3<\/a><\/sup> lhe d\u00e1 por p\u00e1tria o c\u00e9u: Cujus origo caelestis memoratur. O mesmo, e pelas mesmas palavras diz Philippe Beroaldo <sup><a href=\"#footnote_4_523\" id=\"identifier_4_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Beroald. Crat. M Horat.\">4<\/a><\/sup> e Cassiodoro <sup><a href=\"#footnote_5_523\" id=\"identifier_5_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cassiod. Lib. 2. Cap. 40.\">5<\/a><\/sup> notou que assim o significaram os Antigos, achando nas estrelas a forma da Lira. Nem podia ser que t\u00e3o soberana ci\u00eancia tivesse de outra parte, que do c\u00e9u, o seu nascimento. Por isto erram vacilantes os homens, dando-lhe humanas origens, e atribuindo a sua inven\u00e7\u00e3o j\u00e1 a uns, j\u00e1 a outros homens <sup><a href=\"#footnote_6_523\" id=\"identifier_6_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Maced. Eva e Av. Part. 1. cap. 23. Num. 9.\">6<\/a><\/sup>; a muitos dos quais, porque mais nela se afamaram, levantaram est\u00e1tuas p\u00fablicas, como consta que fizeram os Lorenses a Eun\u00f4mio <sup><a href=\"#footnote_7_523\" id=\"identifier_7_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Text. In Officin. Tit. Citharaedi; Cassan. Supr. Vers. Anaxeneri, el vers. Eunomius.\">7<\/a><\/sup>, e os Thebanos a Cleon. De sorte que cada na\u00e7\u00e3o, ou cidade atribu\u00eda a inven\u00e7\u00e3o da m\u00fasica ao que ali a introduzia, ou a aumentava: de onde veio depois a escurecer-se de sorte a verdade da sua origem com a confus\u00e3o de tantas opini\u00f5es, que tudo \u00e9 variedade entre os autores.<br>Por isto fazem uns inventor da M\u00fasica a Apolo, outros a Merc\u00fario <sup><a href=\"#footnote_8_523\" id=\"identifier_8_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Diodr. Lib. 1.\">8<\/a><\/sup>. Uns dizem que foi \u00cdsis entre os Eg\u00edpcios, outros que Bardo entre os Celtas. Uns lhe d\u00e3o por inventores a Orfeu, Museu e Tamiras entre os Traces; outros lhe d\u00e3o a Lino entre os Tebanos. Uns atribuem esta gl\u00f3ria a Arist\u00f3fanes entre os Tarentinos <sup><a href=\"#footnote_9_523\" id=\"identifier_9_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ceron. Tom. 1. Lib. 2. Cap. 17; Lorent. Porq. De la M&uacute;s. Lib. 1. Cap. 2; Victor Theatr. De los Dios. Part. 1. Lib. 5. Cap. 20;\">9<\/a><\/sup>, outros a Zeto e Amphion, filhos de J\u00fapiter e Antiopa <sup><a href=\"#footnote_10_523\" id=\"identifier_10_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plin. Lib. 7. Cap. 3\">10<\/a><\/sup>. Muitos se inclinam a muitas outras diversas opini\u00f5es, e outros dizem que a Pit\u00e1goras se deve a inven\u00e7\u00e3o da M\u00fasica <sup><a href=\"#footnote_11_523\" id=\"identifier_11_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Boet. Lib. 1. Sua Mus. Cap. 10; Kirch. Musurg. Univers. Tom. 1. Lib. 2. Cap. 1. Erotem. 1. &sect;. 1; Schot. Mathem. Part. 2. Lib. 9. Cap. 3. &sect;. 3; Plin. Lib. 5. Histor. Natur; Zarlin. Instit. Harm. Part. 1. Cap. 1.\">11<\/a><\/sup>; pois notando a diversidade dos sons em uns martelos de um ferreiro, deles tirou o modo de proporcionar as vozes, e achar as conson\u00e2ncias. (N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que todos estes, e muitos outros foram como Deuses da M\u00fasica entre os Antigos, porque muito o aumentaram, e fizeram florescer com a inven\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios instrumentos, e per\u00edcia que neles tiveram. Apolo inventou [p. 4] a Lira <sup><a href=\"#footnote_12_523\" id=\"identifier_12_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Horat. In Art.\">12<\/a><\/sup>, em que foram perit\u00edssimos \u00d3rfeo, Arion, e Amphion, dos quais faz men\u00e7\u00e3o o poeta Pac\u00edfico <sup><a href=\"#footnote_13_523\" id=\"identifier_13_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Pacific. Apud Textor. In Officin. Part. 2. Tit. Citharaedi.\">13<\/a><\/sup> em uns versos, que a seu tempo vos referirei. De Lino, que tamb\u00e9m foi na Lira perit\u00edssimo, se lembra Prop\u00e9rcio <sup><a href=\"#footnote_14_523\" id=\"identifier_14_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Propert. Lib. 2.\">14<\/a><\/sup> no seguinte verso:<br>Tunc ego sim Inachio notior arte Lino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo concento divino<br>Mais conhecido hei de ser,<br>Do que pode merecer<br>Pela sua arte ser Lino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De Merc\u00fario refere Hor\u00e1cio <sup><a href=\"#footnote_15_523\" id=\"identifier_15_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Horat. Ode 10.\">15<\/a><\/sup> que foi inventor da C\u00edtara de quatro cordas, como se v\u00ea destes versos.<br>Te canam magni Iovis, et Deorum<br>Nuntium, curvae que Lirae parentem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ti do grande Tonante<br>E Deuses embaixador,<br>Da curva Lira inventor,<br>Cantarei, Merc\u00fario, amante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois outros lhe acrescentaram outras cordas, como se pode ver na oficina de Ravisio Textor <sup><a href=\"#footnote_16_523\" id=\"identifier_16_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Text. supra; Man. Nun. Art. Min. tr. das Explan. na 2. num. 22.\">16<\/a><\/sup>, no P. Manuel Nunes, D. Pedro Cerone, e outros, que por brevidade n\u00e3o citamos.<br>Mois\u00e9s por mandado de Deus <sup><a href=\"#footnote_17_523\" id=\"identifier_17_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 31; Num. 10. 2.\">17<\/a><\/sup> foi inventor da Trombeta: Fac tibi duas tubas argenteas e tamb\u00e9m o foi de alguns outros instrumentos no Egito e fora dele <sup><a href=\"#footnote_18_523\" id=\"identifier_18_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Man. Nun. supra, sed num. 23.\">18<\/a><\/sup>. Foi t\u00e3o insigne M\u00fasico, que tamb\u00e9m lhe atribu\u00edram a inven\u00e7\u00e3o da M\u00fasica, e dele dizem que tomara o nome <sup><a href=\"#footnote_19_523\" id=\"identifier_19_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Agric. Christian. Dial. 16. &sect;. 37.\">19<\/a><\/sup>: e saindo do Egito com o povo de Israel, foi o primeiro que cantou, louvando a Deus pelo favor, e benef\u00edcio de o haver livrado do ex\u00e9rcito do Fara\u00f3 <sup><a href=\"#footnote_20_523\" id=\"identifier_20_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Exod. 15. 1.\">20<\/a><\/sup>: Tunc cecinit Moyses etc. Por ser Mois\u00e9s desta sorte n\u00e3o falta quem diga <sup><a href=\"#footnote_21_523\" id=\"identifier_21_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Eupolem. apud Vian. Prolog. &agrave; trad. de Ovid. Metam.\">21<\/a><\/sup>, ou a ele atribua o que se diz de Merc\u00fario, ou que ele fora o mesmo Merc\u00fario: e parece que com raz\u00e3o. Porque de Merc\u00fario se diz que foi inventor da M\u00fasica: e Mois\u00e9s certamente foi quem muito a aumentou. Merc\u00fario foi embaixador dos Deuses <sup><a href=\"#footnote_22_523\" id=\"identifier_22_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Horat. supra\">22<\/a><\/sup>: Deorum nuntium: Mois\u00e9s o foi do verdadeiro Deus. Merc\u00fario pintava-se com vara, e nela duas serpentes enroladas: Mois\u00e9s tamb\u00e9m teve vara, que por permiss\u00e3o Divina no Egito se fez serpente <sup><a href=\"#footnote_23_523\" id=\"identifier_23_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Exod. 7. 10.\">23<\/a><\/sup>: Tulit Aaron virgam coram Pharaone, et servis ejus, quae versa est in colobrum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. II<br>Continua-se a mesma mat\u00e9ria, e descobre-se finalmente a verdadeira origem da M\u00fasica.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. Logo depois do universal Dil\u00favio Camo, e Mesraimo, seu [p. 5] filho, entre os Eg\u00edpcios foram os primeiros instauradores da M\u00fasica, como afirma P. Kircher <sup><a href=\"#footnote_24_523\" id=\"identifier_24_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Kirch. Musurg. univers. tom. 1. lib. 2. cap. 1.\">24<\/a><\/sup>: Atvero post diluvium Aegyptii primi fuerunt perditae Musicae instauratores; hi enim \u00e0 Chamo, et Mesraimo, filio ejus instructi Musicam in tantum instaurarunt etc. E o procedimento desta primeira instaura\u00e7\u00e3o da M\u00fasica diz no lugar citado o mesmo Padre <sup><a href=\"#footnote_25_523\" id=\"identifier_25_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">25<\/a><\/sup> que veio das gaitinhas, que os Lavradores, e pastores formavam das canas ou juncos copiosamente nascidos nas Lagoas, ou Charcos, que ficavam das inunda\u00e7\u00f5es, e enchentes do rio Nilo em seu recesso. Outros dizem que a M\u00fasica se tomou do canto das aves, e lhe assignam por mestra a natureza. Enfim s\u00e3o nesta mat\u00e9ria infinitas as opini\u00f5es: mas deixando todas por falsas, e impertinentes, a verdadeira origem, e princ\u00edpio da M\u00fasica n\u00e3o \u00e9 outro, sen\u00e3o Deus, que a comunicou aos homens para os enriquecer das suas qualidades <sup><a href=\"#footnote_26_523\" id=\"identifier_26_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Maced. supra.\">26<\/a><\/sup>. Prova-se com S. Agostinho <sup><a href=\"#footnote_27_523\" id=\"identifier_27_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. August. ep. 28.\">27<\/a><\/sup>, que lhe chama dom de Deus, que (como tal) o deu ao primeiro homem, para a exercitar, Louvando-o no Para\u00edso <sup><a href=\"#footnote_28_523\" id=\"identifier_28_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Gen. 2. 15.\">28<\/a><\/sup>: Posuit eum in paradiso voluptatis, ut opera retur. Assim entendem muitos com Fr. Juan de La Cruz <sup><a href=\"#footnote_29_523\" id=\"identifier_29_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Fr. Juan de la Cruz di&aacute;logo. de las cerem. part. 3, apud Man. Nam supr. num. 21.\">29<\/a><\/sup> o operaretur deste Texto.<br>E a raz\u00e3o \u00e9 manifesta: porque como ainda ent\u00e3o n\u00e3o tinha Ad\u00e3o perdido a gra\u00e7a, n\u00e3o tinha tamb\u00e9m ainda necessidade de ocupar-se, sen\u00e3o em Louvar a Deus, e agradecer-lhe o benef\u00edcio da cria\u00e7\u00e3o: e se nunca ele pecara, adverte um douto <sup><a href=\"#footnote_30_523\" id=\"identifier_30_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Man. Nun. Art. Min. tr. das Explan. na 1. num. 1.\">30<\/a><\/sup>, sem embargo de que todas as mais ci\u00eancias infundiu Deus ao homem no estado da inoc\u00eancia, de nenhuma parece que haveria necessidade de se usar no mundo, sen\u00e3o da M\u00fasica. Por que todas as mais ci\u00eancias foram inventadas para rem\u00e9dio de tr\u00eas males, que nos granjeou a culpa, a saber, ignor\u00e2ncia, v\u00edcio e enfermidade. Contra a ignor\u00e2ncia diz Ricardo de S. Victor <sup><a href=\"#footnote_31_523\" id=\"identifier_31_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Richard de S. Victor. part. 1. tract. except. lib. 2. cap. 5.\">31<\/a><\/sup> que se formou a Teoria, que desterra a ignor\u00e2ncia, e ilumina a sabedoria: contra o v\u00edcio a Pr\u00e1tica que exclui o v\u00edcio e d\u00e1 for\u00e7as \u00e0 virtude: e contra a enfermidade se formou a Mec\u00e2nica, que acautelando a pen\u00faria, remedeia a necessidade e falta da presente vida: Theorica ignorantiam expellens, Sapientiam illuminat: Practica vitium excludens, virtutem roborat: Mechanica penuriam cavens, vitae praesentis defectum temperat. E como n\u00e3o havendo pecado, n\u00e3o haveria tamb\u00e9m governo Pol\u00edtico, \u00c9tico, nem Econ\u00f4mico, que carecesse de ser regido por Te\u00f3rica, Pr\u00e1tica e Mec\u00e2nica: claro est\u00e1 que, se Ad\u00e3o nunca pecara, nunca seria necess\u00e1rio que no mundo se usassem as mais ci\u00eancias; e s\u00f3 seria necess\u00e1rio usar-se a M\u00fasica, pois \u00e9 para Louvar a Deus, que \u00e9 coisa que sempre obriga, e ent\u00e3o mais, pelo benef\u00edcio da preserva\u00e7\u00e3o.<br>Foi, pois, Ad\u00e3o o primeiro que cantou, como afirma Paraphrastes <sup><a href=\"#footnote_32_523\" id=\"identifier_32_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Paraghr. apud Petr. de Figueyro tom. 1. in Psalm. 7. 7.\">32<\/a><\/sup> em confirma\u00e7\u00e3o desta verdade: Primum cecinit Adam. E n\u00e3o tendo havido antes dele outro algum homem, de quem ele pudesse aprender, quem poder\u00e1 duvidar que por Deus imediatamente lhe foi comunicada esta ci\u00eancia? Por isso enfim \u00e9 a M\u00fasica t\u00e3o Superior, e Divina, porque do mesmo Deus teve princ\u00edpio, como j\u00e1 o asseverou Herman Finck <sup><a href=\"#footnote_33_523\" id=\"identifier_33_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Herman. Finck apud Berard. Miscelan. Musical. part. 2. Cap. 5\">33<\/a><\/sup>: Deum ipsum Musicam tradidisse. E se desejais tamb\u00e9m saber quando e o que cantou Ad\u00e3o, diz Genebrardo <sup><a href=\"#footnote_34_523\" id=\"identifier_34_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Genebr. apud Nassar. Escuel. Mus, part. 1. Lib. 1 cap. 1;\">34<\/a><\/sup> que cantou no mesmo dia, em que foi criado, e o que cantou, diz o Cantimpatense <sup><a href=\"#footnote_35_523\" id=\"identifier_35_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cantimprat. apud eumd. ibid.\">35<\/a><\/sup> que foi o Salmo 91 que come\u00e7a: Bonum est confiteri Domine.<br>Depois de Ad\u00e3o, Seth seu filho, e seus netos, filhos deste, foram os primeiros que de M\u00fasica escreveram em duas colunas, uma de Ladrilho, outra de pedra, ou metal <sup><a href=\"#footnote_36_523\" id=\"identifier_36_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Genebr. in Chronograp. lib. 1. apud Man. Nun. tr. das Explan. na 2. num. 1.\">36<\/a><\/sup>; porque sabendo por profecia de Ad\u00e3o que haviam de vir ao [p. 6] mundo os dois dil\u00favios, de \u00e1guas, e fogo, e ignorando qual seria primeiro, se o da \u00e1gua, que desfizesse o barro; ou se o de fogo, que derretesse o metal; a quiseram conservar com esta cautelosa preven\u00e7\u00e3o , que Josepho Hebreo, e Pierio <sup><a href=\"#footnote_37_523\" id=\"identifier_37_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Joseph. de antiq. Jud. cap. 4. Pier. Hieroglif.\">37<\/a><\/sup> atribuem ao mesmo Ad\u00e3o; e o Conego D. Angelo Berardi com Margarita Philosophica <sup><a href=\"#footnote_38_523\" id=\"identifier_38_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Margar. Philosoph. apud Berard. Miscelan. Musical. part. 1. cap. 6.\">38<\/a><\/sup> a Jubal: Jubal primus Musicam invenit, et eam in duabus columnis, Lateritia scilicat, et Lapidea posteris reliquit: Lateritia quidem ne igne, Lapidea ne aqua periret. Mas parecia escusado; porque \u00e9 a M\u00fasica t\u00e3o vinculada com a humana natureza, que se tirassem do mundo todos os homens, deixando s\u00f3 os meninos, diz o P. Athanasio Kircher <sup><a href=\"#footnote_39_523\" id=\"identifier_39_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Kirch. Musurg. univers. tom. 1. lib. 2. cap. 1.\">39<\/a><\/sup> que estes naturalmente a tornariam a renovar, como o foram fazendo os homens na inven\u00e7\u00e3o dos instrumentos.<br>Seguiu-se Jubal, sexto neto de Ad\u00e3o, e filho de Lemeque, vivendo ainda Ad\u00e3o, como adverte o P. Jo\u00e3o da Fonseca <sup><a href=\"#footnote_40_523\" id=\"identifier_40_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Fonc. SyIv. mor. Centur. 5. &sect;. 5\">40<\/a><\/sup>, e claramente se entende da mesma Escritura <sup><a href=\"#footnote_41_523\" id=\"identifier_41_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Gen. 4. 21 et 25.\">41<\/a><\/sup>. Este foi o primeiro que descobriu as propor\u00e7\u00f5es harm\u00f4nicas no som de quatro martelos, que ouviu na oficina de seu irm\u00e3o Tubal-Caim, primeiro inventor da ferraria <sup><a href=\"#footnote_42_523\" id=\"identifier_42_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Man. Num. supr. na Explan. 2. n. 21.\">42<\/a><\/sup>: Sem embargo de que esta gl\u00f3ria quiseram atribuir outros a Pit\u00e1goras <sup><a href=\"#footnote_43_523\" id=\"identifier_43_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Moy. Arithmet. Lib. 5. cap. 5. art. 2; Schot. Matemat. part. 2. lib. 9. cap. 3. &sect;. 3; Boet. lib. 1. sua Mus. cap. 10.\">43<\/a><\/sup>, como adiante em seu lugar diremos com a opini\u00e3o mais comum, ou mais seguida: mas ningu\u00e9m nega que foi Jubal o primeiro que inventou o cantar ao som de instrumentos, pois o assevera a mesma Sagrada Escritura <sup><a href=\"#footnote_44_523\" id=\"identifier_44_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Gen. Supra.\">44<\/a><\/sup>: Jubal ipse fuit pater canentium cithera, et organo.<br>Deste texto tomaram fundamentos alguns para atribu\u00edrem a Jubal a inven\u00e7\u00e3o da M\u00fasica: mas o texto n\u00e3o diz isso; antes conforme Macedo <sup><a href=\"#footnote_45_523\" id=\"identifier_45_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Maced. Eva e Av. part. 1. cap. 23. num. 1.\">45<\/a><\/sup> d\u00e1 a entender que j\u00e1 havia M\u00fasica, e que Jubal foi o primeiro, que com arte a acomodou a aqueles dois instrumentos, Harpa, e \u00d3rg\u00e3o; porque foi ele o primeiro que descobriu as propor\u00e7\u00f5es harm\u00f4nicas. Ent\u00e3o sem mist\u00e9rio, adverte aqui o C\u00f4nego Berardi <sup><a href=\"#footnote_46_523\" id=\"identifier_46_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Berard. Miscelan. Musical. part. 1. cap. 6.\">46<\/a><\/sup>, teve a M\u00fasica em Jubal este novo, e elegant\u00edssimo princ\u00edpio; porque come\u00e7ando de Deus, se acham oito gera\u00e7\u00f5es, ou produ\u00e7\u00f5es at\u00e9 Jubal, que d\u00e1 complemento \u00e0 oitava: e \u00e9 na M\u00fasica a Oitava t\u00e3o singular, e excelente conson\u00e2ncia, e \u00e9 de condi\u00e7\u00e3o tal, que sempre nela o canto sobressai com bel\u00edssima nova gala, e como que toma novas for\u00e7as, pois nela se repetem as excel\u00eancias do Un\u00edssono, como que ali de novo principia: que esta \u00e9 a raz\u00e3o, porque muitos Autores <sup><a href=\"#footnote_47_523\" id=\"identifier_47_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ven. Bed. fol. 408. Ptolom. Lib. 1. cap. 7. Nassar. Escuel. Mus. part. 1. lib. 2. cap. 11.\">47<\/a><\/sup> lhe chamam, n\u00e3o conson\u00e2ncia , mas equisson\u00e2ncia: Diapason non consonantia, sed aequisonantia. Diapason appellavit aequisonatiam.<br>Ora por curiosidade quero explicarvos os termos desta aleg\u00f3rica Oitava. Tem a Oitava, ou Diapas\u00e3o nove vozes em oito pontos, e outras tantas produ\u00e7\u00f5es; porque umas vozes se v\u00e3o gerando, e produzindo de outras, exceto a primeira, a qual s\u00f3 produz, mas n\u00e3o \u00e9 produzida: e estas nove vozes tem o Diapas\u00e3o, ou Oitava, porque se comp\u00f5em, ou divide em um Diapente, ou quinta que tem cinco; e um Diatessar\u00e3o, ou quarta que tem quatro: e porque esta tem o seu princ\u00edpio no mesmo signo, corda, e casa, em que tem o seu fim a Quinta, ocupando assim duas vozes uma s\u00f3 corda, e fazendo entre ambas um s\u00f3 ponto; por isso pode uma Oitava conter (como dissemos) nove vozes em oito pontos. Suposta, pois, esta necess\u00e1ria advert\u00eancia.<br>Deus, essencialmente um, e \u00fanico princ\u00edpio de todas as coisas, \u00e9 por isso mesmo desta Oitava ab aeterno o Un\u00edssono. Criou em tempo a Ad\u00e3o, que \u00e9 [p. 7] a primeira produ\u00e7\u00e3o, comunicou-lhe esta com as mais Ci\u00eancias, e foi Ad\u00e3o desta Oitava a voz segunda, que \u00e9 voz, intervalo, ou esp\u00e9cie dissonante: por isso dissonou tanto na transgress\u00e3o do preceito. Caim, seu filho, segunda produ\u00e7\u00e3o fez a voz terceira. Enoque, terceira produ\u00e7\u00e3o, por ser filho de Caim, e 1\u00ba neto de Ad\u00e3o, fez a voz quarta. Irad, quarta produ\u00e7\u00e3o, por ser filho de Enoque, e 2\u00ba neto de Ad\u00e3o, fez a voz quinta, e completou o Diapente, 1\u00ba intervalo dos dois maiores, que em si cont\u00e9m, ou em que se divide a Oitava. Maviael, quinta produ\u00e7\u00e3o, por ser filho de Irad, e 3\u00ba neto de Ad\u00e3o, fez a voz sexta, que \u00e9 juntamente a 1\u00aa do Diatessar\u00e3o, 2\u00ba membro, em que a oitava se divide. Matusael, sexta produ\u00e7\u00e3o, por ser filho de Maviael, e 4\u00ba neto de Ad\u00e3o, fez a voz s\u00e9tima. Lameque, s\u00e9tima produ\u00e7\u00e3o, por ser filho de Matusael, e 5\u00ba neto de Ad\u00e3o, fez a voz Oitava. E Jubal finalmente, oitava produ\u00e7\u00e3o, por ser filho de Lameque, e 6\u00ba neto de Ad\u00e3o, fez a voz nona, \u00faltima, e completiva desta Oitava.<br>Por isso, pois, teve a m\u00fasica em Jubal, t\u00e3o nova, e elegante gala, com que alegrou ao mundo na acomoda\u00e7\u00e3o, e inven\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios instrumentos: e a primeira que ao som deles cantou, como sua discipula <sup><a href=\"#footnote_48_523\" id=\"identifier_48_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Monarq. Lusitan. tom. 1. cap. 1.\">48<\/a><\/sup>, foi No\u00eamia, irm\u00e3 de Tubal- Caim, cujo nome significa suavidade. Esta foi a origem, e esta a not\u00edcia, que da M\u00fasica se teve antes do Dil\u00favio; depois do qual No\u00e9, e seus filhos passaram dela o uso ao novo mundo, e se foram seguindo os mais, que por sua ordem traz o P. Manuel Nunes <sup><a href=\"#footnote_49_523\" id=\"identifier_49_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Man. Nun. supra.\">49<\/a><\/sup>, onde os podeis ver, e nos Autores, que ele alega; que o novo intento n\u00e3o \u00e9 demorar aqui o discurso com estas antiguidades. Portanto assim mostrada a origem, e nobreza da M\u00fasica por seu alt\u00edssimo princ\u00edpio; ouvi agora a sua estima\u00e7\u00e3o: e comecemos pela que lhe deram os homens, para acabarmos pela que dela mostrou sempre fazer o mesmo Deus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. III<br>Da estima\u00e7\u00e3o da M\u00fasica entre os homens no Gentilismo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. Os Atenienses estimavam tanto a m\u00fasica, que costumavam eleger, e criar por Cabos dos seus ex\u00e9rcitos, n\u00e3o o mais nobre, nem o mais rico, mas o mais douto em M\u00fasica, e de melhor aptid\u00e3o para mandar os soldados, como refere Berardi <sup><a href=\"#footnote_50_523\" id=\"identifier_50_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Berard. Miscelan. Musical. part. 1. cap. 8.\">50<\/a><\/sup>. Os Espartanos tamb\u00e9m a estimavam tanto, que com ela celebravam os feitos egr\u00e9gios, e as a\u00e7\u00f5es, e virtudes mais heroicas <sup><a href=\"#footnote_51_523\" id=\"identifier_51_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">51<\/a><\/sup>. E os povos de Arcadia a prezavam de sorte, que era entre eles estabelecido por lei inviol\u00e1vel o atenderem e frequentarem a M\u00fasica at\u00e9 a idade de trinta anos; n\u00e3o por del\u00edcia, e recrea\u00e7\u00e3o; mas para poderem com \u00e2nimo alegre, e indefeso suportar as fadigas, e contrariedades, ou mol\u00e9stias do corpo <sup><a href=\"#footnote_52_523\" id=\"identifier_52_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">52<\/a><\/sup>: onde teve o Poeta <sup><a href=\"#footnote_53_523\" id=\"identifier_53_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Virgil. in Buccol. Egl. 40.\">53<\/a><\/sup> fundamento para cantar:<br>Tristis at ille tamen cantabity Acades, inquit,<br>Montibus haec vestris: soli cantare periti Arcades.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cantai (Corn\u00e9lio <sup><a href=\"#footnote_54_523\" id=\"identifier_54_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cornelio Gallo Poeta, em cuja pessoa fala aqui Virg&iacute;lio.\">54<\/a><\/sup> dizia<br>De um fero desd\u00e9m ferido)<br>Povo de Arcadia instru\u00eddo<br>Mais que todos na harmonia.<br>[p. 8] Cantai, cantai (repetia)<br>S\u00f3 v\u00f3s meu triste pesar:<br>Porque s\u00f3 v\u00f3s, que em cantar<br>Tendes per\u00edcia t\u00e3o alta,<br>Podeis aos montes sem falta<br>Meu mal cantando expressar?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Finalmente os Gregos todos faziam da M\u00fasica tal estima\u00e7\u00e3o, que, segundo Calepino <sup><a href=\"#footnote_55_523\" id=\"identifier_55_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Calep: verbo Musica.\">55<\/a><\/sup>, davam aos M\u00fasicos a mesma gradua\u00e7\u00e3o de S\u00e1bios, e Poetas: ou (para melhor dizer) identificavam estes tr\u00eas nomes, M\u00fasico, S\u00e1bio, Poeta: Haec apud Graecos tanti olim fuit, ut iidem Musici, et Vates, et Sapientes judicarentur. E era tanto, que entre eles n\u00e3o se permitia graduar-se algum Fil\u00f3sofo, e Mestre em Artes, sem primeiro saber M\u00fasica, como afirma Estev\u00e3o Roseto <sup><a href=\"#footnote_56_523\" id=\"identifier_56_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Roset. Compend. Mus. part. 1.\">56<\/a><\/sup>: Musica apud Graecos magno olim honore fuit; nec quis Liberaliter censebatur eruditus, qui Musicales cantus non calleret. E reparai, ou notai bem, que para o m\u00e9rito daquele decoroso grau n\u00e3o bastava qualquer ci\u00eancia med\u00edocre, ou superficial da M\u00fasica: era necess\u00e1rio que a soubessem radicalmente, e muito bem, como se exprime pelo verbo Calleret. Cassaneo no seu Cat\u00e1logo <sup><a href=\"#footnote_57_523\" id=\"identifier_57_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cassan. Catal. Glor. Mund. part. 10. consid. 51.\">57<\/a><\/sup> expressar o mesmo, e quase pelos mesmos termos, dizendo que era a m\u00fasica em toda a Gr\u00e9cia t\u00e3o Louvada, e estimada, que nem o fidalgo, nem o erudito se reputava cabalmente tal, se n\u00e3o era juntamente na m\u00fasica perito: Musices Laus in omni Gracia quam m\u00e1xima habebatur: nec quisquam satis egrius, satis que eruditus videri poterat, qui ejus modi disciplinae expers esset. No mesmo concorda o douto Petrarca <sup><a href=\"#footnote_58_523\" id=\"identifier_58_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Petrarch. De rem. Lib. 1. dial. 3.\">58<\/a><\/sup>, dizendo por diversos termos que era reputado por n\u00e9scio (por mais que dotado fosse de outas prendas) o que era da M\u00fasica ignorante: Apud illos quidem cantus, ac fidium ignarus, quisquis esset, indoctus habebatur.<br>Assim o experimentou Tem\u00edstocles, famoso general de Atenas, que foi notado de ignorante, e pouco polido, porque em um sarau, a que fora convidado, dando-se-lhe uma Lira para tocar, respondeu que n\u00e3o sabia <sup><a href=\"#footnote_59_523\" id=\"identifier_59_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cic. Lib. 1. Tusculan.\">59<\/a><\/sup>: Cujus Scienciae cum se imperitum Temistocles confessus esset, indoctior habitus est. O mesmo aconteceu a Cimon, tamb\u00e9m Ateniense, e muito ilustre, que lhe n\u00e3o valeram as Liberalidades, com que havia granjeado a gra\u00e7a dos Cidad\u00e3os, para deixar de ser notado da mesma falta <sup><a href=\"#footnote_60_523\" id=\"identifier_60_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Tiraq. de nobil. cap. 34. num. 12.\">60<\/a><\/sup>. Mas n\u00e3o sucedeu assim a Epaminondas, Pr\u00edncipe de Tebas, que foi coroado de todo o aplauso por excelente M\u00fasico <sup><a href=\"#footnote_61_523\" id=\"identifier_61_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plutarch. in vita Cimon.\">61<\/a><\/sup>. Enfim era comum proverbio entre os Gregos que os n\u00e9scios n\u00e3o professavam a ci\u00eancia M\u00fasica: Indoctos a Musicis abesse: donde talvez tomou Plat\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_62_523\" id=\"identifier_62_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plat. in Tim.\">62<\/a><\/sup> fundamento para dizer que a M\u00fasica n\u00e3o nasceu para Loucos, e ignorantes: Data est Musica non ad rationis expertes. Por isso naquele tempo n\u00e3o havia quem se atrevesse a viver sem saber M\u00fasica; por mais que muito soubesse outras ci\u00eancias: ou porque com esta mais se enobrecia, ou porque nesta (como diz o mesmo Plat\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_63_523\" id=\"identifier_63_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Id. et Lucens. lit. M. Michael Psel. apud Barrad. Flor. Music in princ.\">63<\/a><\/sup>, Joseph Louren\u00e7o Lucensi, e Micael Psello) se compreendem todas as ci\u00eancias: Musica enim omnes comprehendit scientias. E daqui veio chamarem a M\u00fasica Encyclop\u00e9dia, que \u00e9 o mesmo que ci\u00eancia universal, ou circular, que compreende, e abra\u00e7a todas as mais ci\u00eancias, como com o mesmo Plat\u00e3o refere Roseto <sup><a href=\"#footnote_64_523\" id=\"identifier_64_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plat. et Roset. apud Lorent. Porq. de la Mus. lib. 1. cap. 3; Ceron. tom. 1. lib. 1. cap. 57\">64<\/a><\/sup>: Hanc veteres Encyclopediam dixere, in qua omnes sunt [p. 9] comprehensae disciplinae.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. IV.<br>Continua-se a mesma mat\u00e9ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. Esta referida verdade conheceu o velho S\u00f3lon: e com ser ele um dos sete s\u00e1bios da Gr\u00e9cia, famoso Legislador dos Atenienses, achou que ainda para ser perfeitamente s\u00e1bio, lhe faltava saber a M\u00fasica; e n\u00e3o se desprezou naquela idade de aprender a cantar com um seu neto <sup><a href=\"#footnote_65_523\" id=\"identifier_65_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"AElian. de var. histor, fone. Sylv. Mor. centun. 5. &sect;. 5. Maced. Eva et Av. part. 1. cap. 23. n. 15\">65<\/a><\/sup>: respondendo aos que disto o increpavam, que era para n\u00e3o morrer, sem a consola\u00e7\u00e3o de saber M\u00fasica: Ut, post quam Musicam dedicero, moriar. Da mesma sorte S\u00f3crates, sendo t\u00e3o s\u00e1bio, come\u00e7ou a aprender a cantar, ou tocar a Lira, depois de velho, tendo de idade mais de 70 anos <sup><a href=\"#footnote_66_523\" id=\"identifier_66_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cic. Lib.1 Tuscul. Valer. Max. lib. 8. cap. 7. de Stud. et industr.\">66<\/a><\/sup>. Donde tomaram motivo os seus amigos para o repreenderem com esta assaz injuriosa pergunta: N\u00e3o tendes vergonha, S\u00f3crates, de aprender a M\u00fasica t\u00e3o velho, sendo estudo s\u00f3 pr\u00f3prio de meninos? Nunquid non verceundaris in senectute his operam dare studiis? Ele lhes respondeu, como S\u00f3crates, que maior vergonha era na velhice ignor\u00e1-la, que na velhice aprend\u00ea-la: Majorem verecundiam esse in senectute existere ignorantem, quam in senectute studere. Faltava-lhe ainda este pontinho de perfei\u00e7\u00e3o para merecer tamb\u00e9m de si aquele dito de Plat\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_67_523\" id=\"identifier_67_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plat. lib.5. Alcibiad. apud. Maced. supra.\">67<\/a><\/sup>, que s\u00f3 \u00e9, e se deve chamar M\u00fasico, aquilo que \u00e9, ou est\u00e1 perfeito.<br>O mesmo Plat\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_68_523\" id=\"identifier_68_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Id.et Aristot. 3. De Leg.\">68<\/a><\/sup>, e com ele Arist\u00f3teles, conhecendo a utilidade da M\u00fasica, e o poder que tem, para mover os \u00e2nimos, e introduzir os bons costumes, recomenda muito o ensino dela aos meninos em seus primeiros, e mais tenros anos, como melhor vos constar\u00e1 destas suas palavras, que agora aqui vos repito: Nonne princeps, et primaria illa musica educativo, quae in modulorum, concentuumque rationibus versatur efficacissime in ipsa animae interiora influit, et venustate quadam animum vehementissimum tangit, eumque adeo venustatis decore afficit, si in ea acurate elaboret, ut a teneris annis instituatur? E mais claro em outro lugar <sup><a href=\"#footnote_69_523\" id=\"identifier_69_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Id. Plat. Polit. 8.\">69<\/a><\/sup>: Musica potest animi morem aliquem facere, et hac de causa ad Puerorum disciplinam est adhibenda, et in ea pueri sunt constituendi.<br>Plutarco <sup><a href=\"#footnote_70_523\" id=\"identifier_70_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Plutarch. lib de instit. Liber.\">70<\/a><\/sup> recomenda muito o ensino de todas as Artes liberais aos meninos nobres, e que estes todos aprendam, e saibam muito bem: Non debet permissi, ut ingenuus puer ulla in arte exiis, quae liberales dicuntur, hospes, aut peregrinus sit: e n\u00e3o obstante o incluir-se tamb\u00e9m entre elas a M\u00fasica, desta faz expressa, e especial men\u00e7\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_71_523\" id=\"identifier_71_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Id. in sua Mus.\">71<\/a><\/sup>, dizendo que a primeira coisa, que mostravam antigamente os Gregos, e a seus filhos mandavam ensinar, quando rapazes capazes de aprender, era a M\u00fasica; na qual queriam que primeiro que tudo fossem instru\u00eddos, porque por meio dela esperavam que compostos, e refreados os \u00e2nimos de seus filhos, viriam estes a conseguir depois uma vida em tudo modesta, e moderada: Veterem illam Graeciam Studium, operam que rerum omnium m\u00e9rito impedisse maximam, ut in primis adolescentes Musica erudirentur. Eorum enim animos molles, ac teneros ad modestiam, atque moderationem Musica compositi, ac temperati existimabant. Arist\u00f3teles <sup><a href=\"#footnote_72_523\" id=\"identifier_72_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Aristot. de. Rep. lib. 8. cap. 4. et 5.\">72<\/a><\/sup>, outra vez da mesma sorte, ou quase pelos mesmos termos, que Plat\u00e3o, seu Mestre, acima citado, n\u00e3o s\u00f3 aprova este documento; mas acrescenta que conduz muito para a virtude, [p. 10] e que portanto nela devem ser os meninos instru\u00eddos: Ex his igitur patet, quod Musica potest animi morem aliquem facere. Quod si hoc potest Musica, clarum est quod ad Puerorum disciplinam est adhibenda, et in ea pueri sunt instruendi. E diz em outro lugar <sup><a href=\"#footnote_73_523\" id=\"identifier_73_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Id. In lib. Polit.\">73<\/a><\/sup> que deve a M\u00fasica ser (como \u00e9) contada entre as Artes ilustres, e Liberais, que s\u00e3o as sete, que se compreendem neste verso.<br>L\u00edngua, Tropus, Ratio, Numerus, Tonus, Angulus, Astra<br>Gram\u00e1tica Ret\u00f3rica Filosofia Aritm\u00e9tica M\u00fasica Geometria Astrologia.<br>Celio Rhodiginae <sup><a href=\"#footnote_74_523\" id=\"identifier_74_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Rhodi lib. 5. lect. antiq. apud Victor. Theatr. de los Dioses, part. 1. lib. 5. cap. 20.\">74<\/a><\/sup> e com ele o P. Vict\u00f3ria diz que por mais que o grande legislador Licurgo estreitou aos Lacedem\u00f4nios as suas Largas Leis, cortando-lhes muitos divertimentos, n\u00e3o s\u00f3 lhes n\u00e3o tirou o da M\u00fasica, mas muito lho aprovou, e recomendou; ou pelas utilidades, que dela se colhem; ou porque na opini\u00e3o do mesmo Licurgo ela \u00e9 natural ao homem. E esta naturalidade, que com o homem tem a M\u00fasica, manifestamente se declara com o que se v\u00ea nos povos de Tunquino, de quem diz o P. Gio Philippo a Companhia de Jesus, referido pelo c\u00f4nego D. Angelo Berardi <sup><a href=\"#footnote_75_523\" id=\"identifier_75_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Gio Philip. apud Berard. Miscelan. Musical. part. 1. cap. 8.\">75<\/a><\/sup> que lhes \u00e9 t\u00e3o natural a M\u00fasica, que neles \u00e9 uma mesma e quase indistinta coisa o falar, e o cantar; porque como se nascessem com o \u00f3rg\u00e3o bem temperado no bofe, e tivesse na l\u00edngua o Mestre da Capela, n\u00e3o proferem palavra, que em proferindo-a se n\u00e3o forme o canto: Quella gente (diz o Padre) come se nascesse con l\u2019organo ben accordato ne polmoni, et havesse il Mastro di capella su a lingua, non forma voci, che, in proferondole, altre si non forme il canto, et adessi una cosa il parlare, et il cantare.<br>Conhecida, pois, a nobreza da M\u00fasica, e este nexo natural, que com o homem tem, com raz\u00e3o foi por isso t\u00e3o estimada de tantos grandes, que por tantos modos a acreditaram. Aquiles, Epaminondas, Alexandre, Scylla, Cat\u00e3o, Cenorino, os Imperadores Tito, Adriano, e Alexandre Severo a honraram com a muita per\u00edcia, e destreza, que nela tiveram, de tanger, e cantar <sup><a href=\"#footnote_76_523\" id=\"identifier_76_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Maced. supra.\">76<\/a><\/sup>. Obraram como entendidos, e n\u00e3o se enganaram; porque, como afirma Juliano <sup><a href=\"#footnote_77_523\" id=\"identifier_77_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Julian. ep. 56.\">77<\/a><\/sup>, se alguma ci\u00eancia \u00e9 digna de ser estudada, e tratada pelos grandes do mundo, e da Igreja, \u00e9 entre todas a M\u00fasica, que ele intitula sagrada: Siqua res studio nostro digna est, ejus modi sacra Musica videtur. E nem por serem Pr\u00edncipes, e Imperadores, julgaram que lhes serviria de abate este exerc\u00edcio; porque seguiram a senten\u00e7a daqueles dois versos I\u00e2mbicos, t\u00e3o celebrados entre os gregos:<br>Regium nihil Rege in illae, qui Camaenas negligit:<br>Conjucta regne maxima est res Musica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nada R\u00e9gio um Rei ter\u00e1,<br>Que as Musas n\u00e3o aplaudir:<br>Se ao Reino a M\u00fasica unir,<br>M\u00e1xima coisa ser\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outros a ilustraram com excelentes pagas, honras e cr\u00e9ditos, que deram aos professores peritos, que a exercitavam. Marco Ant\u00f4nio pagou a Anaxenores com os tributos de quatro cidades; Galba enriqueceu a Cano, e Vespasiano a Diodoro <sup><a href=\"#footnote_78_523\" id=\"identifier_78_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Maced. ubi supr. num. 13.\">78<\/a><\/sup>. Os Atenienses faziam tanto apre\u00e7o da M\u00fasica de [p. 11] Amaseo, e era M\u00fasico t\u00e3o famoso, que todas as vezes que em p\u00fablico sa\u00eda ao teatro a tanger, e cantar, lhe davam seiscentos escudos, como refere Atheneo <sup><a href=\"#footnote_79_523\" id=\"identifier_79_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Athen. apud Berard, Miscellan. Musical. part. 1. cap. 11.\">79<\/a><\/sup>. Daqui veio talvez dizerem os Juristas <sup><a href=\"#footnote_80_523\" id=\"identifier_80_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Gratian. disciple. 6. retis. cap. 185. n. 39 ; Barbos. ad Ordin. Portug. Lib. 4. tit. 31. &sect;. 5. num. 2\">80<\/a><\/sup> que aos m\u00fasicos que servem, n\u00e3o se deve sal\u00e1rio, se o n\u00e3o estipulam; por ser servi\u00e7o de gosto inestim\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. V.<br>Da estima\u00e7\u00e3o da m\u00fasica entre os homens no cristianismo.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. Mas nem s\u00f3 da Gentilidade foi estimada a M\u00fasica, nem s\u00f3 dos antigos Fil\u00f3sofos recomendada para a boa educa\u00e7\u00e3o dos meninos; porque tamb\u00e9m entre os Cat\u00f3licos n\u00e3o faltaram Grandes, que muito a prezaram, e Santos Doutores, que a persuadiram. Ludovico Vivaldo <sup><a href=\"#footnote_81_523\" id=\"identifier_81_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ludov. Vivald. persecut. 10.\">81<\/a><\/sup> diz que o Te\u00f3logo, que se houver de graduar em Teologia, deve saber M\u00fasica: Magistrandus in Theologia Musicam debet scire. S. Isidoro <sup><a href=\"#footnote_82_523\" id=\"identifier_82_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Isid. lib. 3. cap. 6. apud Berard. Flor. Music. in princ.\">82<\/a><\/sup> a recomenda muito para a boa educa\u00e7\u00e3o dos meninos nobres, e a canoniza perfei\u00e7\u00e3o de todas as ci\u00eancias, dizendo que sem ela nenhuma h\u00e1, que possa ser perfeita: Sine Musica nulla disciplina potest esse perfecta. A raz\u00e3o d\u00e1 o P. Manuel Nunes <sup><a href=\"#footnote_83_523\" id=\"identifier_83_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Man. Num. Art. min. tr. das Explan. na 1. n. 1.\">83<\/a><\/sup>, dizendo que as mais ci\u00eancias tanto tem de perfeitas, quanto tem de M\u00fasica. Beyerlinch <sup><a href=\"#footnote_84_523\" id=\"identifier_84_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Beyerl: tom. 5. fol. 539.\">84<\/a><\/sup> tem a M\u00fasica por meio eficazmente necess\u00e1rio para se poderem saber bem as mais Artes Liberais: Liberalibus ergo percipiendis artibus sine controv\u00e9rsia Musices necess\u00e1ria cognitio est. E tornando ao Doutor S. Isidoro <sup><a href=\"#footnote_85_523\" id=\"identifier_85_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Isid. Etym. lib. 3. cap. 15.\">85<\/a><\/sup>, foi dela t\u00e3o amante, e conheceu de sorte a sua perfei\u00e7\u00e3o, e nobreza, que chegou a por em igual grau de enormidade, e torpeza a ignor\u00e2ncia das letras, que o da M\u00fasica; dizendo que: Tam turpe est Musicam nescire, quam Literas: t\u00e3o torpe, e abomin\u00e1vel coisa \u00e9 no homem o n\u00e3o saber M\u00fasica, como n\u00e3o saber letras.<br>N\u00e3o se entende ser menos o amor, e estima\u00e7\u00e3o em que S. Agostinho tinha a m\u00fasica; pois al\u00e9m de outros testemunhos, todos sabem que escreveu dela seis livros; e a louva com elogios t\u00e3o altos <sup><a href=\"#footnote_86_523\" id=\"identifier_86_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. August. lib. 17. De civit. cap. 14.\">86<\/a><\/sup>, como \u00e9 not\u00f3rio. E se havemos de estar pelo seu santo conselho, quatro cousas diz ele <sup><a href=\"#footnote_87_523\" id=\"identifier_87_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Id. apud. Ceron. tom. 1. lib. 1. cap. 9.\">87<\/a><\/sup> que est\u00e3o obrigados a saber muito bem os Sacerdotes, sob pena de n\u00e3o terem de Sacerdotes mais que o nome; e s\u00e3o estas, Gram\u00e1tica, Direito Can\u00f4nico, Aritm\u00e9tica e M\u00fasica. Gram\u00e1tica, para expor a palavra de Deus: Direito Can\u00f4nico, para discernir os direitos Eclesi\u00e1sticos: C\u00f4mputo, conta, ou Aritm\u00e9tica, para achar as festas mud\u00e1veis: e M\u00fasica para cantar os Louvores de Deus: Sacerdotes Quatuor scire tenentur, alioquin vix in eis nomen Scerdotis constabit; et sun hoc, Grammatica, Jus Canonicum, Compotus, et Musica. Grammatica, ad verba Dei exponenda; Jus Canonicum, ad jura Ecclesiastica discernenda; Computus ad festa mob\u00edlia invenienda; et Musica ad Laudes Dei cantandas.<br>S. Severino Bo\u00e9cio escreveu de m\u00fasica cinco livros <sup><a href=\"#footnote_88_523\" id=\"identifier_88_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Boet. Oper. Sest. apud Man. Num. tr. das Explan. na 2. num. 25.\">88<\/a><\/sup>. S. Alberto Magno <sup><a href=\"#footnote_89_523\" id=\"identifier_89_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Hieron. in Catal. Scriptor. Ecclesiast.; Fr. Anton. de Sen. in vit. Sanct. Patr. Ord. Praedicat.\">89<\/a><\/sup>, que nesta Faculdade foi dout\u00edssimo, o comentou. Cassiodoro escreveu de m\u00fasica <sup><a href=\"#footnote_90_523\" id=\"identifier_90_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cassiod. variar. lib.2. epist. 45.\">90<\/a><\/sup>. O vener\u00e1vel Beda <sup><a href=\"#footnote_91_523\" id=\"identifier_91_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Belarm. de Script. Eccles.\">91<\/a><\/sup>, Ricardo de S. Victor <sup><a href=\"#footnote_92_523\" id=\"identifier_92_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Richard. part. 1. Lib. 7. Cap. 10.\">92<\/a><\/sup>, os Papas Jo\u00e3o XXI. e Jo\u00e3o XXII. e inumer\u00e1veis outros tamb\u00e9m de M\u00fasica escreveram <sup><a href=\"#footnote_93_523\" id=\"identifier_93_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Man. Num. Art. Min. das Explan. na 2. num. 24.\">93<\/a><\/sup>. S. Vitaliano Papa considerou o Canto Romano com \u00f3rg\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_94_523\" id=\"identifier_94_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Fr. Jos.de Jer. Mar. Acad. singul. lib. 10. cap. 3. pag. mihi 531\">94<\/a><\/sup>. S. Bernardo escreveu uma arte de canto ch\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_95_523\" id=\"identifier_95_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">95<\/a><\/sup>, e amou tanto esta ci\u00eancia, [p. 12] que tomou por empresa de suas armas uma Harpa com esta Letra: Quid erit in Patria? querendo significar que se tanto deleita a M\u00fasica na terra, quanto mais deleitar\u00e1 no c\u00e9u? O Doutor da Igreja S. Ambr\u00f3sio fazia da M\u00fasica tal estima\u00e7\u00e3o, e gosto <sup><a href=\"#footnote_96_523\" id=\"identifier_96_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Ambros. in Psalm. 118. apud. Fonc. supra.\">96<\/a><\/sup>, que introduziu o seu canto na Igreja Mediolanense; e engrandecendo-a muito, d\u00e1 muitos louvores aos que a exercitam. O Doutor M\u00e1ximo, S. Jer\u00f4nimo <sup><a href=\"#footnote_97_523\" id=\"identifier_97_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Hier. supra.\">97<\/a><\/sup>, e Origenes foram nela perit\u00edssimos. O Santo Papa Le\u00e3o II. foi na M\u00fasica ciente com tanta vantagem, que reformou, e reduziu na Igreja de Deus o canto \u00e0 melhor forma, como o declara a sua Lenda <sup><a href=\"#footnote_98_523\" id=\"identifier_98_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Breviar. Rom. Die 28. Januarii.\">98<\/a><\/sup>: Leo secundus, Pontifex Maximus, Siculus, humanis, et Divinis Literis Graece, et Latini doctus, Musicis etiam eruditus fuit; ipse enim sacros Hymnos, et Psalmos in Ecclesia ad concentum meliorem reduxit.<br>Que diremos do grande Patriarca S. Bento, t\u00e3o antecipado nos amores, e estima\u00e7\u00f5es da M\u00fasica, que n\u00e3o sofrendo nem as demoras do tempo, nem as leis da natureza, cantou <sup><a href=\"#footnote_99_523\" id=\"identifier_99_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Fr. Le&atilde;o de S. Thom. na Benedict. Lusit. part. 1. tr. 1. cap. 3.\">99<\/a><\/sup>, quando ainda encerrado no claustro maternal? J\u00e1 isto parece que foi press\u00e1gio dos maiores aumentos, que da sua Religi\u00e3o Mon\u00e1stica havia de ter depois a M\u00fasica; primeiro por S. Greg\u00f3rio Magno, que (al\u00e9m do que ao princ\u00edpio j\u00e1 fica referido) no ano de Cristo 600. pouco mais, ou menos, fez um Cantoch\u00e3o para as Igrejas, inventando a cantar-se pelas sete primeiras Letras do Alfabeto Latino <sup><a href=\"#footnote_100_523\" id=\"identifier_100_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Orat. Tigrin. Compend. de Music. lib. 1. cap. 44.\">100<\/a><\/sup>; e este foi o que reformou depois o Papa S. Le\u00e3o II. <sup><a href=\"#footnote_101_523\" id=\"identifier_101_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Maced. Eva e Av. part. 1. cap. 23. n. 11.\">101<\/a><\/sup> pelos anos de 682. ou 683. Ordenou que se cantasse na M\u00fasica o Introito, os Kyries, e Aleluia. Foi autor de quatro Tons, a que chamam Laterais, ou Colaterais. Edificou alguns col\u00e9gios, assinando-lhes grossas rendas para a sustenta\u00e7\u00e3o, e conserva\u00e7\u00e3o dos meninos, que neles assistiam aprendendo, e exercitando o Canto: onde ele mesmo em pessoa tinha por divertimento, e recrea\u00e7\u00e3o o explicar-lhes do Canto as maiores dificuldade, e os segredos mais rec\u00f4nditos. Renovou o Semin\u00e1rio, ou col\u00e9gio, chamado: Schola cantorum: Escola dos Cantores: e estes iam da\u00ed a cantar, onde o dito Papa S. Greg\u00f3rio ia celebrar <sup><a href=\"#footnote_102_523\" id=\"identifier_102_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Berard. Miscellan. Musical. part. 1. cap. 4.\">102<\/a><\/sup>.<br>Por todos estes tempos se usou da M\u00fasica sem regra certa, infal\u00edvel, e universal para todos: at\u00e9 que Guido Arentino, tamb\u00e9m Monge de S. Bento, Abade de S. Laufredo, ou do ermo de Santa Cruz de Avellana, que viveu pelos anos de 1030 no Pontificado de Jo\u00e3o XIX <sup><a href=\"#footnote_103_523\" id=\"identifier_103_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Fr. Le&atilde;o de S. Thom. na Benedict. Lusit. part. 5. tr. 1. cap. 10. &sect;. 2.\">103<\/a><\/sup>. ent\u00e3o, como quer Ilhescas <sup><a href=\"#footnote_104_523\" id=\"identifier_104_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ilhesc. na Hist. Pontific. part. 1. lib. 4. cap. 1. et. 16. et lib. 5. cap. 6.\">104<\/a><\/sup>, ou antes, como querem outros <sup><a href=\"#footnote_105_523\" id=\"identifier_105_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Joan. Baessier. Floscul. Histor. an. 1024.\">105<\/a><\/sup>, a p\u00f4r em Arte, achando as vozes no hino: Ut queant Laxis: composto pelo Cardeal Paulo Di\u00e1cono, filho da mesma fam\u00edlia de S. Bento. Todos estes, e muitos outros, que, por n\u00e3o enfastiar-vos, n\u00e3o refiro, com palavras, e obras nos persuadem muito a M\u00fasica, para nos fazerem dignos daquele Louvor, que pelo Eclesi\u00e1stico <sup><a href=\"#footnote_106_523\" id=\"identifier_106_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Eccli. 44. 1. et 5.\">106<\/a><\/sup> se d\u00e1 aos que se esmeram a saber perfeitamente, e em buscar com per\u00edcia as mais acordes cadencias de suas modula\u00e7\u00f5es: Laudemus viros gloriosos \u2026 in peritia sua requerentes modos musicos. A Complutense l\u00ea: Requirentes melodias musicorum: A Tegorina: Qui concentos musicos intestigaverunt.<br>Al\u00e9m destes, infinitos foram os Grandes, Imperadores, e Monarcas, que estimaram muito a M\u00fasica, e foram nela perit\u00edssimos. S. Efrem erigiu na sua Igreja o Canto de \u00d3rg\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_107_523\" id=\"identifier_107_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Fr. Jos. de Jes. Mar. Academ. singul. cap. 3. pag. mihi 591.\">107<\/a><\/sup>. S. Francisco de Borja, sendo ainda Duque <sup><a href=\"#footnote_108_523\" id=\"identifier_108_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Fonc. Sylv. Mor. centur. 5. &sect;. 5.\">108<\/a><\/sup>, teve nela suma destreza, e compunha com energia tanta, que de todos eram bem aceitas, e logo conhecidas as suas obras. O glorioso senhor [p. 13] Rey D. Manuel, Monarca da coroa Lusitana, foi muito amante da m\u00fasica <sup><a href=\"#footnote_109_523\" id=\"identifier_109_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Dami&atilde;o de Goes na Chron. de El Rey. D. Man. part. 4. cap. 84.\">109<\/a><\/sup>: e buscava com grandes sal\u00e1rios os melhores M\u00fasicos. Outros muitos se poderiam referir, sen\u00e3o quis\u00e9ssemos evitar prolixidade: mas para encher o Lugar de todos, entre aqui o Seren\u00edssimo Senhor Rey D. Jo\u00e3o IV. que ainda que n\u00e3o cantava, era na M\u00fasica t\u00e3o eminente, que as composi\u00e7\u00f5es, que com nome suposto comunicava ao mundo, por superiores, as conheciam logo por suas em toda a Europa. Com despesa consider\u00e1vel, e muito particulares dilig\u00eancias (diz Macedo <sup><a href=\"#footnote_110_523\" id=\"identifier_110_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Maced. supra, num. 15.\">110<\/a><\/sup>, como testemunha, que em muitas delas o serviu) ajuntou uma numerosa livraria das mais seletas, e esquisitas obras, e a tinha disposta com maravilhosa curiosidade, e distin\u00e7\u00e3o. Sendo cont\u00ednuo nos conselhos, e despachos dos neg\u00f3cios, todos os dias, depois de jantar, tomava uma hora de al\u00edvio, e era este, ensinar, e exercitar os seus M\u00fasicos, que os tinha muito escolhidos; e quase sempre em canto dos Of\u00edcios Divinos, para que fosse em tudo louv\u00e1vel o seu exerc\u00edcio.<br>S\u00e3o palavras do autor referido: o qual (para que se veja a estima\u00e7\u00e3o, que da M\u00fasica fazia este Monarca) diz mais acima no n\u00famero 11. do mesmo cap\u00edtulo que por seus Embaixadores, e outros ministros fez por toda a Europa exat\u00edssimas dilig\u00eancias por descobrir a Arte, ou livro, que de M\u00fasica escreveu Guido: at\u00e9 que descobrindo-se na Livraria da Rainha de Su\u00e9cia, ela lho mandou de mimo, dizem que o mesmo original. Donde veio o entenderem alguns que se n\u00e3o imprimiu. Concedemos que se n\u00e3o imprimisse pelos anos de 1024. como quer o P. Pedro Thalesio <sup><a href=\"#footnote_111_523\" id=\"identifier_111_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Thales. cap. 1.\">111<\/a><\/sup>: porque ainda ent\u00e3o n\u00e3o havia impress\u00e3o: mas n\u00e3o pelos de 1442 em que havia principiado a Tipografia, ou Arte de imprimir <sup><a href=\"#footnote_112_523\" id=\"identifier_112_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Polid. Virg. lib. 2. cap. 7. Sylv. de. var. lic. ; Pedr. Mer. part. 3. cap. 3.\">112<\/a><\/sup>. Nem (quanto a mim) se faz cr\u00edvel que assim ficasse em esquecimento (por n\u00e3o se dar ao prelo) obra t\u00e3o nova, t\u00e3o grade, t\u00e3o singular e t\u00e3o \u00fatil.<br>Mas para que s\u00e3o exemplos antigos, se de presente se v\u00ea a M\u00fasica na corte da Monarquia Lusitana t\u00e3o enobrecida, e aumentada do sempre magn\u00edfico, e memor\u00e1vel Senhor Rei D. Jo\u00e3o V do nome, que com profus\u00edssimas dispensas de sua Real Fazenda a fez chegar ao auge, em que nunca esteve, conduzindo de reinos estranhos a uns, e mandando fora de sua corte a outros para a aprenderem com os Mestres de melhor nome, fazendo a todos (com muitas honras) partidos, e c\u00f4ngruas dignas s\u00f3 da sua Liberalidade incompar\u00e1vel? Quis assim imitar ao Santo David, que, depois de Rey, mostrou fazer da M\u00fasica tal estima\u00e7\u00e3o, que para os Louvores de Deus instituiu com grandes despesas, e c\u00f4ngruas anuais quatro mil Cantores, a quem presidiam por Mestres principais Asaf, Heman, e Etan <sup><a href=\"#footnote_113_523\" id=\"identifier_113_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Paral. 15. 16. et. 25\">113<\/a><\/sup>. Mas oh, que n\u00e3o quis ficar atr\u00e1s nesta grandeza inacess\u00edvel seu dign\u00edssimo filho reinante, nosso Senhor, D. Jos\u00e9 o 1\u00ba do nome <sup><a href=\"#footnote_114_523\" id=\"identifier_114_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Declarou &agrave; XXX das tr&ecirc;s Ordens Militares que o exerc&iacute;cio da M&uacute;sica n&atilde;o era mec&acirc;nica que houvesse mister dispensada os M&uacute;sicos tomarem o h&aacute;bito das xxx Ordens, xxx. tem honrado com ela.\">114<\/a><\/sup>, como nesta corte do Brasil nos testificam as cotidianas not\u00edcias, que por sabidas, se faz escusada a sua narra\u00e7\u00e3o e agora passaremos com a estima\u00e7\u00e3o da M\u00fasica do humano para o Divino; porque depois do nosso Monarca, n\u00e3o tem lugar outro humano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. VI.<br>Da estima\u00e7\u00e3o, que da m\u00fasica mostrou sempre fazer o mesmo Deus.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[p. 14] M. Tal \u00e9 a estima\u00e7\u00e3o, que da m\u00fasica faz o mesmo Deus, que a escolheu para ordin\u00e1rio, e comum exerc\u00edcio dos Anjos, e Bem-aventurados no Templo da Gl\u00f3ria. \u00c9 testemunha disto o Sagrado Evangelista S. Jo\u00e3o <sup><a href=\"#footnote_115_523\" id=\"identifier_115_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Apocal. 14. 3. Ibid. 15. 2.\">115<\/a><\/sup>, que no seu Apocalipse nos certifica que os ouviu cantar diante do trono de Deus: Cantabant quase canticum novum ante sedem Dei. E este canto entende o Ang\u00e9lico Doutor S. Thomas <sup><a href=\"#footnote_116_523\" id=\"identifier_116_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Thom. in 2. sent. dist. 2. quaest. 4. art. 2.\">116<\/a><\/sup> que foi formado com verdadeiras vozes. Nem s\u00f3 ent\u00e3o, mas tamb\u00e9m em outras ocasi\u00f5es se ouviram cantar os Anjos, como sabemos que o fizeram no nascimento do Divino Verbo encarnado, anunciando gl\u00f3ria a Deus, e paz aos homens <sup><a href=\"#footnote_117_523\" id=\"identifier_117_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Luc. 2. 13. et. 14\">117<\/a><\/sup>: Facta est cum Angelo multitudo militiae caelestis Laudantium Deum, et dicentium: Gloria in excelsis Deo, et in terra pax hominibus: e no glorioso tr\u00e2nsito da sempre Virgem Maria, em que pelos Santos Ap\u00f3stolos foram vistos, e ouvidos, como afirma S. Jo\u00e3o Damasceno <sup><a href=\"#footnote_118_523\" id=\"identifier_118_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Joan. Damasc. Orat. 2.de dormit. Dcip.\">118<\/a><\/sup>: Cumque illii essent, eis visio apparuit Angelica, et audita est psalmodia caelestium Potestatum: e todos juntos cantando <sup><a href=\"#footnote_119_523\" id=\"identifier_119_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">119<\/a><\/sup>: Cum Angelica, et Apostolica hymnodia: Levaram o sagrado corpo a sepultar-se no Horto de Gets\u00eamani, onde pelos mesmos anjos foi celebrado com suav\u00edssimos cantos tr\u00eas dias cont\u00ednuos <sup><a href=\"#footnote_120_523\" id=\"identifier_120_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">120<\/a><\/sup>: Quo in loco Angelorum cantus mansit tres dies continuos. Ora isto parece que bastava para se entender o muito que Deus, Senhor nosso, estima a M\u00fasica: mas para maior exa\u00e7\u00e3o, referiremos alguns casos, dos quais tamb\u00e9m se conhe\u00e7a que muito estima, e quer que tamb\u00e9m os homens a exercitem.<br>O glorioso S. In\u00e1cio M\u00e1rtir, 3\u00ba bispo de Anti\u00f3quia na S\u00edria depois do Ap\u00f3stolo S. Pedro, sendo uma vez arrebatado em esp\u00edrito, quis Deus nosso Senhor que visse, e ouvisse, como lhe cantavam os anjos Ant\u00edfonas, e Hinos; como quem lhe dava a entender que assim queria que lhe cantassem tamb\u00e9m os homens. Donde o Santo Bispo logo instituiu a cantarem-se as Ant\u00edfonas antes, e depois dos Salmos, e juntamente os Hinos na Igreja de Anti\u00f3quia, que serviu de exemplo \u00e0s mais igrejas todas <sup><a href=\"#footnote_121_523\" id=\"identifier_121_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Valaf. de reb. Eccl. cap. 25. apud Berard. Miscellan. Musical. part. 1. cap. 4.\">121<\/a><\/sup>: Ignatius Antiochio Syriae, tertius post Apostolum Petrum Episcopus, vidit Angelorum visionem, quomodo Antiphonas Santae Trinitati dicebant, et hymnos; is que modum visionis Antiochenae tradisse probatur Ecclesiae, et ex hac ad cunctas Ecclesias. N\u00e3o falta quem diga <sup><a href=\"#footnote_122_523\" id=\"identifier_122_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Fonc. Sylv. Mor. supra; Man. Nun. Art. Min. tr. das Explan. na 2. num. 25.\">122<\/a><\/sup> que o mesmo S. In\u00e1cio M\u00e1rtir foi o que introduziu o cantar reciprocamente a coros, porque isso mesmo aprendeu da referida vis\u00e3o: mas isso estava j\u00e1 esquecido entre os Gregos, e S. Ambr\u00f3sio o renovou, passando da Igreja Grega para a Latina este uso, que nela introduziu <sup><a href=\"#footnote_123_523\" id=\"identifier_123_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Sigib. in Chron. cap. 12.\">123<\/a><\/sup>: Ambrosius Episcopus ritum canendi Antiphonas in Ecclesia primus ad Latinos transtulit a Graecis, apud quos hic ritus jam inoleverat ex instituto Sancti Ignatii Antiocheni Episcopi.<br>Na vida de S. Coleta, religiosa de S. Francisco, refere o Prado espiritual <sup><a href=\"#footnote_124_523\" id=\"identifier_124_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Prad. espirit. lib. 6. cap. 4.\">124<\/a><\/sup> que reformando ela alguns conventos das suas Religiosas, esteve em d\u00favida, se estabeleceria neles o Of\u00edcio Divino rezado, ou se entoado em canto. Teve sobre isto ora\u00e7\u00e3o, e ouviu uma voz muito destra em M\u00fasica cantando o Of\u00edcio Divino com grande melodia: do que entendeu a Santa que queria Deus aquele canto do Of\u00edcio Divino, que ela com efeito tratou logo de estabelecer nos seus conventos.<br>Na mesma vida de S. Coleta <sup><a href=\"#footnote_125_523\" id=\"identifier_125_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">125<\/a><\/sup> se conta que achando ela em [p. 15] um dos seus conventos a uma Religiosa, que havia muitos n\u00e3o ia ao coro por causa de uma grande enfermidade, do que vivia muito desconsolada: Coleta, como Prelada, lhe mandou em nome de Jesus Cristo que fosse aquela noite ao coro \u00e0 Matinas, e fizesse o que pudesse. Foi enfim a Religiosa; e come\u00e7ando o Invitat\u00f3rio, cantou, como se estivera s\u00e3, e com voz muito mais clara, e sonora, do que antes estar enferma.<br>Na cr\u00f4nica de S. Francisco <sup><a href=\"#footnote_126_523\" id=\"identifier_126_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Chron. de S. Franc. lib. 2. cap. 29.\">126<\/a><\/sup> se consta que, caminhando o Santo por um bosque junto com seu companheiro Fr. Le\u00e3o, a tempo em que estavam para comer, come\u00e7ou a cantar um rouxinol. Deixou o Santo de comer para o ouvir; e rogou a Fr. Le\u00e3o, que o ajudasse a cantar. Escusou-se ele, dizendo que n\u00e3o tinha voz para cantar \u00e0 compet\u00eancia. Pelo que o Santo se p\u00f4s a cantar com o rouxinol, e o fizeram alternativamente, calando um, enquanto cantava o outro, \u00e0 maneira de quando se cantam Salmos no coro. Finalmente o Santo, dando-se por vencido, disse a seu companheiro: Pois em Louvar a Deus nos vence nosso irm\u00e3o rouxinol, demos alguma refei\u00e7\u00e3o ao corpo, para continuarmos o cominho. H\u00e1 exemplos mais patente, ou demonstra\u00e7\u00e3o mais clara?<br>D. Assim \u00e9; porque alternar dessa sorte com o Santo uma avezinha, como se tivera discurso, s\u00f3 por milagre, e disposi\u00e7\u00e3o Divina parece que podia ser. Por\u00e9m (com licen\u00e7a vossa) os sobreditos exemplos s\u00f3 demostram agradar-se Deus, de que se canta na igreja o Of\u00edcio Divino a coros: e isto s\u00f3 respeita o Cantoch\u00e3o, e n\u00e3o o Canto de \u00d3rg\u00e3o, que \u00e9 o total objeto da minha afei\u00e7\u00e3o.<br>M. Tende m\u00e3o; que se repararmos bem naquela M\u00fasica, que acima dissemos, do Apocalipse de S. Jo\u00e3o, por ela muito bem se entende o Canto de \u00d3rg\u00e3o; pois diz o mesmo citado evangelista <sup><a href=\"#footnote_127_523\" id=\"identifier_127_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Apoc. 14. 2\">127<\/a><\/sup> que se compunha de vozes, e instrumentos M\u00fasicos, quais s\u00e3o as Harpas, expressamente nomeadas nas suas seguintes palavras: Et vocem, quam audivi, sicut citharaedorum citharisanlium incitharis suis: e o Canto de \u00d3rg\u00e3o n\u00e3o \u00e9 outra coisa, sen\u00e3o o som, ou harmonia, que resulta de uma, ou muitas vozes naturais, e um, ou muitos instrumentos M\u00fasicos artificiais. Mas se ainda isto n\u00e3o basta, ou vos n\u00e3o satisfaz, ouvi agora outros exemplos, que com maior evid\u00eancia declaram o Canto de \u00d3rg\u00e3o.<br>De S. Darestano, Arcebispo de Cantu\u00e1ria, se conta <sup><a href=\"#footnote_128_523\" id=\"identifier_128_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Sur. tom. 3. in vita.\">128<\/a><\/sup> que costumava cantar, tocando uma Harpa, os Salmos de Davi com grande consola\u00e7\u00e3o sua, e dos que o ouviram. Sucedeu, pois, que em um dia largando a sua Harpa, ou pendurando-a em um torno, sem que algu\u00e9m a tocasse, come\u00e7ou ela a soar, e com ela juntamente uma celestial voz, que cantava aquele verso do mesmo Davi <sup><a href=\"#footnote_129_523\" id=\"identifier_129_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Psalm. 149. 5.\">129<\/a><\/sup>: Exultabunt sancti in gloria, Lartabuntur in cubilibus suis: que quer dizer, saltaram de prazer os Santos na gl\u00f3ria, e se alegraram em seus aposentos. Aqui bem claro se v\u00ea ser aquele exerc\u00edcio Canto de \u00d3rg\u00e3o; pois usava cantar o Santo ao som da Harpa, que s\u00f3 \u00e9 instrumento apto para o Canto de \u00d3rg\u00e3o; e n\u00e3o frequentado, nem usado em Cantoch\u00e3o: e tamb\u00e9m se v\u00ea a gosto, e aceita\u00e7\u00e3o, que daquele Santo exerc\u00edcio do seu servo fazia o Senhor; pois com t\u00e3o singular favor o quis incitar a ele para continuar, e a n\u00f3s para o imitarmos.<br>O mesmo parece nos quis Deus mostrar com o seguinte exemplo de um Religioso. Andava este do mesmo modo cantando sempre Hinos, e Salmos <sup><a href=\"#footnote_130_523\" id=\"identifier_130_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Gregor. lib. 4. Dial. Cap. 4.\">130<\/a><\/sup>; e em uma noite viu descer do c\u00e9u sobre a sua cabe\u00e7a uma capela de flores muito cheirosas. Caiu logo enfermo, e da\u00ed a pouco morreu: mas abrindo-se da\u00ed a quatorze anos a sua sepultura, respirou dela uma t\u00e3o suave fragr\u00e2ncia, que excedia ao jardim [p. 16] mais abundante das mais odor\u00edferas flores. Galhardo est\u00edmulo temos aqui para nos movermos a exercitar honestamente a M\u00fasica; pois tanta estima\u00e7\u00e3o mostra o nosso bom Deus fazer dela, e de quem santamente a exercita. Mas se ainda achais que \u00e9 pouco, e quereis outros exemplos mais subidos, por onde melhor vos conste o quanto Deus estima a M\u00fasica, e que os homens a exercitem; ouvi agora finalmente o que dizem (falando dos inventores desta Divina ci\u00eancia) Ludovico Vivaldo, Cassaneo, Macedo, e outros <sup><a href=\"#footnote_131_523\" id=\"identifier_131_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cassan. in Catal. Glor. Mund. consid. 51. vers. sed ut Semel. Maced. supr. n. 15. Man. Nun. supra et alii.\">131<\/a><\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. VII<br>Continua-se a mesma mat\u00e9ria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. Dizem que o mesmo filho de Deus, Rei, e Senhor do Universo, Jesus Cristo, nosso Redentor, quis honrar a M\u00fasica, sendo o primeiro, e principal M\u00fasico da Lei da Gra\u00e7a, que a exercitou, e ensinou aos sagrados Ap\u00f3stolos. Assim expressamente o disse Ludovico Vivaldo <sup><a href=\"#footnote_132_523\" id=\"identifier_132_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ludov. Vivald. tr. de persec. Eccl. Persec. 10\">132<\/a><\/sup>: Et Christus Theologiae dux fuit peritissimus, et summus Magister omnium Musicantium. Nem se pode duvidar que soubesse ser consumad\u00edssimo M\u00fasico aquele, de quem o Real, e M\u00fasico Profeta testifica que foi n\u00e3o s\u00f3 M\u00fasico, mas a mesma M\u00fasica <sup><a href=\"#footnote_133_523\" id=\"identifier_133_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Psal. 107. 3.\">133<\/a><\/sup>: Exsurge Psalterium, et cithara: elogio, que tamb\u00e9m lhe fez o mel\u00edfluo Bernardo <sup><a href=\"#footnote_134_523\" id=\"identifier_134_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Bern. sup. cant. serm. 15.\">134<\/a><\/sup>, chamando-lhe M\u00fasica dos ouvidos, e do cora\u00e7\u00e3o: Jesus in aure melos, in corde jubilus.<br>Os sagrados Evangelistas <sup><a href=\"#footnote_135_523\" id=\"identifier_135_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Malth. 26. 30. Marc. 14. 26.\">135<\/a><\/sup> declararam que depois da \u00faltima ceia, antes de irem para o Horto de Gets\u00eamani no Monte Oliveti, cantou o Divino Mestre com seus sagrados Disc\u00edpulos um hino: Hymno dicto, exierunt in montem Olivarum. Digo Cantou, porque onde o texto diz Hymno dicto, l\u00ea em hebreu Hymno cantato. E por certo que se n\u00e3o fosse cantado, n\u00e3o seria hino; porque, como com muitos Expositores diz Fr. Diego Murilo, alegado por Fr. Pablo Nassare <sup><a href=\"#footnote_136_523\" id=\"identifier_136_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Fr. Dieg. Murill. apud. Nassar. Escuel. Mun. part. 1. lib. 1. cap. 1.\">136<\/a><\/sup>, esta palavra Hymno tem de si mesma o denotar canto, pois significa Louvor a Deus cantado. O cardeal D. Jo\u00e3o Bona da Congrega\u00e7\u00e3o reformada de Cister <sup><a href=\"#footnote_137_523\" id=\"identifier_137_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Bon. Divin. Psal. mod. cap. 16.\">137<\/a><\/sup> abona o mesmo, dizendo que louvor de Deus com canto se chama Hino: Laus Dei cum c\u00e2ntico hymnis dicitur. O mesmo, e pelas mesmas palavras diz Durando <sup><a href=\"#footnote_138_523\" id=\"identifier_138_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Durand. lib. 5. cap. 2. num. 23.\">138<\/a><\/sup>. S. Greg\u00f3rio Nazianzeno <sup><a href=\"#footnote_139_523\" id=\"identifier_139_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Gregor. Nazianz. apud. Kircher. Musurg. univers. tom. 1. lib. 7. cap. 3.\">139<\/a><\/sup> tem o mesmo nestes versos.<br>Modulata Laus est hymnus, ut quidem arbitror:<br>Cum cantione Psalmus est psalmodia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o Louvor \u00e9 cantado<br>Hino se deve dizer:<br>Salmodia se h\u00e1 de entender<br>Salmo em m\u00fasica entoado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">S. Agostinho <sup><a href=\"#footnote_140_523\" id=\"identifier_140_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. August. apud eumd. ibid.\">140<\/a><\/sup> com melhor express\u00e3o que todos diz que Hino \u00e9 um canto que cont\u00e9m Louvor de Deus. De sorte que se o Louvor, que cont\u00e9m o canto, n\u00e3o \u00e9 Louvor de Deus, n\u00e3o \u00e9 Hino: como tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 Hino, se \u00e9 Louvor, e louvor de Deus, por\u00e9m sem canto: Hymni (diz o Santo Doutor) cantus sunt continentes Laudes Dei: Si sit Laus, et non sit Dei, non est hymnus: et si sit Laus, et Dei Laus, et non cantetur, non est hymnus. Daqui tira por [p. 17] conclus\u00e3o o P. Kircher <sup><a href=\"#footnote_141_523\" id=\"identifier_141_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Kirch. Musurg. univers. tom. 1. lib. 7. cap. 3.\">141<\/a><\/sup> que o Hino, para ser tal, deve conter estas tr\u00eas coisas, Louvor, e Louvor de Deus, e Louvor de Deus cantado: Oportet ergo, ut si sit hymnus, habeat haec tria, et Laudem, et Dei Laudem, et Dei Laudem et canticum. Logo (conclu\u00edmos agora tamb\u00e9m n\u00f3s) supostas como premissas, t\u00e3o doutas intelig\u00eancias, quem poder\u00e1 duvidar que realmente cantou o Divino Mestre com seus sagrados disc\u00edpulos depois da \u00faltima ceia? De caminho (pois j\u00e1 sabeis que coisa \u00e9 Hino) sabereis tamb\u00e9m que Salmo significa verso de Louvores Divinos, que se canta com instrumento: e isto se distingue, e difere de C\u00e2ntico, que \u00e9 o que sem instrumento se canta <sup><a href=\"#footnote_142_523\" id=\"identifier_142_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Maced. Eva e Av. part. 1. cap. 23. numer. 15.\">142<\/a><\/sup>.<br>Da sempre virgem Maria, M\u00e3e de Deus, e Senhora nossa, se afirma que foi dout\u00edssima Cantora. Nem podia deixar de o ser; pois n\u00e3o podia faltar esta ci\u00eancia, a quem soube ser escola de todas as artes boas, liberais, e nobres, como a apelida Veiga <sup><a href=\"#footnote_143_523\" id=\"identifier_143_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Veyg. in Thcolonar. Pales. tr. 14. num. 1054.\">143<\/a><\/sup>: Beata Virgo omnium artium bonarum, et ingenuarum gymnasium. O devoto Alberto Magno <sup><a href=\"#footnote_144_523\" id=\"identifier_144_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Albert. Magn. super Minus est. cap. 143.\">144<\/a><\/sup> testifica que a Senhora foi em sumo grau cient\u00edfica na M\u00fasica: Effectum Musicae scientiae in summo habens. S. Agostinho <sup><a href=\"#footnote_145_523\" id=\"identifier_145_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. August. Serm. 18 de Sanct. qui est 2. de Annunt. Dominii.\">145<\/a><\/sup>, em testemunho da suavidade do seu canto, diz que este foi quem desfez, e do mundo apartou o pranto de Eva: Hevae planctum Mariae cantus exclusit. Foi esta soberana Senhora, e Sapient\u00edssima Cantora a que cantou o novo C\u00e2ntico da Encarna\u00e7\u00e3o do Divino Verbo no Salt\u00e9rio de dez cordas, id est, no suav\u00edssimo C\u00e2ntico do Magnificat, que tem dez versos, e o mesmo S. Agostinho <sup><a href=\"#footnote_146_523\" id=\"identifier_146_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Id. Serm. 5. qui est. 10. de Annunt.\">146<\/a><\/sup> afirma que ela o cantou: Audite quomodo tympanistria nostra cantaverit; ait enim: Magnificat anima mea Dominum. Mas oh como cantaria bem, com tanta ci\u00eancia, com tanto exerc\u00edcio desde menina (pois n\u00e3o faltam Autores graves <sup><a href=\"#footnote_147_523\" id=\"identifier_147_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Vide Maced. supr. num. 16. et apud ipsis ibi ; Man. Nun. supra.\">147<\/a><\/sup> que asseveram que no Templo aprendeu a cantar Salmos) e com t\u00e3o singular voz, como nos declara o Divino Esposo <sup><a href=\"#footnote_148_523\" id=\"identifier_148_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cant. 2. 14.\">148<\/a><\/sup>, quando a convida, ou lhe roga que lhe cante um pouco, que gosta de a ouvir, por ser grata, e suave a sua voz! Sonet vox tua in auribus meis, vox enim tua dulcis. E o Cald\u00eao l\u00ea <sup><a href=\"#footnote_149_523\" id=\"identifier_149_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cald. hic.\">149<\/a><\/sup>: Quoniam vox tua suavis.<br>Nem dos Sagrados Ap\u00f3stolos se pode duvidar que soubessem bem cantar, tendo para isso primeiro a doutrina do Divino Mestre, e depois a da Senhora, que no mundo ficou para lhes fazer vezes de Mestra, como diz o Alapide <sup><a href=\"#footnote_150_523\" id=\"identifier_150_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cornel. Alapid.\">150<\/a><\/sup>: Ipsa doctrix fuit Apostolorum: e o testifica o Anjo, que o revelou a S. Br\u00edgida <sup><a href=\"#footnote_151_523\" id=\"identifier_151_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Revel. de S. Brig.\">151<\/a><\/sup>: Beatissima Virgo Maria in hoc mundo \u2026 remanere permissa est; erat enim Magistra Apostolorum. Eles foram os que no princ\u00edpio da Igreja, instru\u00eddos com t\u00e3o relevantes doutrinas, usaram de cantar Salmos, e Hinos. Por isso S Agostinho <sup><a href=\"#footnote_152_523\" id=\"identifier_152_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. August. ep. 119. et 18.\">152<\/a><\/sup>, a quem seguem muitos outros, diz que devemos cantar, e saber cantar; pois o Divino Mestre, e seus sagrados Disc\u00edpulos em cantar Hinos, e Salmos nos deram util\u00edssimas doutrinas, exemplos, e preceitos para fazermos o mesmo: Sicut de Hymnis, et Psalmis canendis cum et ipsius Domini, et Apostolorum habeamus documenta, et exempla, et praecepta de hac retam utilia. Do mesmo nos avisa S. Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo <sup><a href=\"#footnote_153_523\" id=\"identifier_153_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Joan Chrysostom. apud Fonc. supra.\">153<\/a><\/sup>, dizendo que cantou o Senhor, para que, \u00e0 sua imita\u00e7\u00e3o, cant\u00e1ssemos tamb\u00e9m n\u00f3s: Hymnum cecinit, ut nos idem facicamus. Direis que aqui s\u00f3 vemos exemplos, mas nenhum preceito de cantarmos tamb\u00e9m n\u00f3s, e sabermos cantar? Pois vede agora quantos para isso expressamente nos p\u00f5em Deus em v\u00e1rios lugares da Sagrada Escritura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7. VIII.<br>Dos preceitos, que de Deus temos todos<br>para cantar, e saber cantar; e continua<br>a mesma mat\u00e9ria da estima\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[p. 18] M. Por Mois\u00e9s, seu insigne M\u00fasico, nos manda Deus que lhe cantemos <sup><a href=\"#footnote_154_523\" id=\"identifier_154_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Exod. 15. et 21.\">154<\/a><\/sup>: Cantemus Domino, gloriose enim mafnificantus est. No Paralipomenon <sup><a href=\"#footnote_155_523\" id=\"identifier_155_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Paral. 16. 9.\">155<\/a><\/sup> nos manda cantar, e cantar com instrumentos, que isto significa propriamente o verbo Psallo; e isto em boa frase \u00e9 Canto de \u00d3rg\u00e3o: Cantate ei, et psallite ei. Pelo Arcanjo S. Rafael em Tobias <sup><a href=\"#footnote_156_523\" id=\"identifier_156_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Tob. 12. 6.\">156<\/a><\/sup> nos p\u00f5em o mesmo preceito; porque querendo Tobias, e seu filho gratificar os recebidos favores ao dito Arcanjo, que por tal n\u00e3o conheciam; ele, dando-se ent\u00e3o a conhecer, lhe declarou qual, e a quem devia ser a gratifica\u00e7\u00e3o, dizendo-lhes que louvassem ao Senhor, e Deus do C\u00e9u: Benedicite Deum Caeli: e que o Louvassem, e confessassem em p\u00fablico, a vista, e em presen\u00e7a de todos os viventes <sup><a href=\"#footnote_157_523\" id=\"identifier_157_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid. sed. v. 7.\">157<\/a><\/sup>: Et coram omnibus viventibus confitemini illi: como quem lhes dizia que n\u00e3o fossem, como uns certos presumidos, ou graves deste tempo, que (se sabem M\u00fasica) envergonham-se de cantar nos Templos, e casas p\u00fablicas de Deus: sendo o cantar Louvor de Deus; e sendo grande honra o Louvar a Deus, como disse o mesmo Arcanjo <sup><a href=\"#footnote_158_523\" id=\"identifier_158_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">158<\/a><\/sup>: Opera autem Dei revelare, et confiteri honorificum est. E que este Louvar, e confessar a Deus seja cantar, ningu\u00e9m o duvidar\u00e1, se atender \u00e0s palavras, com que finalmente se despede o Arcanjo, e lhes repede o preceito <sup><a href=\"#footnote_159_523\" id=\"identifier_159_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid. sed v. 18.\">159<\/a><\/sup>: Ipsum benedicite, et cantate illi.<br>Pelo Eclesi\u00e1stico <sup><a href=\"#footnote_160_523\" id=\"identifier_160_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Eccli. 39. 20.\">160<\/a><\/sup> tamb\u00e9m nos manda Deus que lhe cantemos, e claramente nos recomenda o Canto de \u00d3rg\u00e3o; pois diz que lhe cantemos com a nossa voz natural ao som de instrumentos M\u00fasicos, como s\u00e3o as Harpas: Confitemini illi in voc\u00ea Labiorum vestrorum, et in cantuis Labiorum, et in citharis. Por Isaias <sup><a href=\"#footnote_161_523\" id=\"identifier_161_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Isai. 15. 5.\">161<\/a><\/sup> nos p\u00f5em o mesmo preceito de cantar: Cantate Domino, quoniam magnifice fecit: e em outra parte manda que lhe cantemos solfa nova, e que com ela o louve o mais remoto da terra <sup><a href=\"#footnote_162_523\" id=\"identifier_162_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Id. 42. 10.\">162<\/a><\/sup>: Cantate Domino canticum novum, Laus ejus ab extremis terrae. Tamb\u00e9m nos vem por Jeremias <sup><a href=\"#footnote_163_523\" id=\"identifier_163_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Jerem. 20. 13.\">163<\/a><\/sup> o mesmo preceito: Cantate Domino, et Laudate Dominum.<br>Por Davi, como era M\u00fasico da Real c\u00e2mera de Deus, por isso parece que gostou sua Suprema Majestade de nos dar por ele o maior n\u00famero de preceitos, t\u00e3o frequentes nos seus Salmos. No Salmo 95 <sup><a href=\"#footnote_164_523\" id=\"identifier_164_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Psalm. 95. 1.\">164<\/a><\/sup> nos manda, como em Isaias, que lhe cantemos Solfa nova: Cantate Domino canticum novum: e para que ningu\u00e9m escapasse deste precito, o estendeu ao universo todo <sup><a href=\"#footnote_165_523\" id=\"identifier_165_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">165<\/a><\/sup>: Cantate Domino omnis terra. Da mesma sorte nos manda no Salmo 65 <sup><a href=\"#footnote_166_523\" id=\"identifier_166_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Psalm. 65. 1.\">166<\/a><\/sup>: Jubilate Deo omnis terra. No Salmo 97 <sup><a href=\"#footnote_167_523\" id=\"identifier_167_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Psalm. 97. 5.\">167<\/a><\/sup> parece que claramente nos p\u00f5em preceito de Canto de \u00d3rg\u00e3o, pois nos manda cantar com vozes, e instrumentos: Psallite Domino in Cithara; in citara et voc\u00ea psalmi, in tubis ductilibus, et voc\u00ea tubae corneae. E para que ningu\u00e9m cuide que satisfa\u00e7am preceito somente com cantar de qualquer sorte, nos manda no Salmo 46 <sup><a href=\"#footnote_168_523\" id=\"identifier_168_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Psalm. 46. 8.\">168<\/a><\/sup> que lhe cantemos com ci\u00eancia, e perfeita Sabedoria do que cantamos: Psallite sapienter. O mesmo nos diz no Salmo 38 <sup><a href=\"#footnote_169_523\" id=\"identifier_169_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Psalm. 38. 8.\">169<\/a><\/sup>: Bene psallite ei in vociferatione: onde entende S. Jeronimo <sup><a href=\"#footnote_170_523\" id=\"identifier_170_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Hieron. Ibi.\">170<\/a><\/sup> que ali Bene vale o mesmo que Erudite, id est com sabedoria, e perfeita intelig\u00eancia: Erudite intelligens: e Cassiodoro <sup><a href=\"#footnote_171_523\" id=\"identifier_171_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Cassiod.\">171<\/a><\/sup> diz que [p. 19] n\u00e3o pode exercitar uma coisa sabiamente, quem dela n\u00e3o tem perfeita intelig\u00eancia: Nemo sapienter facit, quod non intelligit.<br>N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os referidos, mas inumer\u00e1veis outros os preceitos, que na Sagrada Escritura temos, de cantar, e saber cantar: e de ser nela a M\u00fasica t\u00e3o celebrada, quanto por Deus recomendada, bem claro se manifesta, e muito mais se prova que \u00e9 muito da sua estima\u00e7\u00e3o, e agrado. Tanto gosta dela, que pelo Eclesi\u00e1stico <sup><a href=\"#footnote_172_523\" id=\"identifier_172_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Eccli. 32. 5.\">172<\/a><\/sup> manda que ningu\u00e9m a impe\u00e7a: Non impedias Musicam. Estima tanto aos que sabem cantar, e cantam com verdadeira sabedoria, que j\u00e1 nesta vida os intitula bem-aventurados <sup><a href=\"#footnote_173_523\" id=\"identifier_173_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Psalm. 88. 16.\">173<\/a><\/sup>: Beatus populus, qui scit jubilationem. Assim sente de o Bispo Pictaviense S. Hil\u00e1rio <sup><a href=\"#footnote_174_523\" id=\"identifier_174_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Hilar. Pictav. super. Psal. 65.\">174<\/a><\/sup>. E se de caminho quereis saber porque se toma pela M\u00fasica o voc\u00e1bulo Jubilatio (o mesmo nome Jubilaeum) dizemos que \u00e9, porque se deriva de Jubal <sup><a href=\"#footnote_175_523\" id=\"identifier_175_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Maced. Eva e Av. part.1. cap. 24. num. 1.\">175<\/a><\/sup>. De sorte que Jubal alegrou o mundo com a M\u00fasica proporcionada, e com a inven\u00e7\u00e3o de novos instrumentos: e os nomes Jubilaeum, e Jubilatio por isso mesmo significam a alegria proferida por vozes externas <sup><a href=\"#footnote_176_523\" id=\"identifier_176_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Pereyr. elucid. lib. 1. elucid. 2. sect. 2. n. 38; Man. Nun. Art. min. tr. das Explan. na 2. n. 21.in fin.\">176<\/a><\/sup> que propriamente n\u00e3o vem a ser outra coisa, sen\u00e3o M\u00fasica. Finalmente faz Deus da M\u00fasica, e dos que bem a exercitam tanto caso, que Mardoqueu, conhecendo isto, para o obrigar a livrar o povo de perecer \u00e0s m\u00e3os dos inimigos, n\u00e3o lhe pede pelo povo, roga-lhe sim pelos M\u00fasicos, para que por eles todos os mais fossem salvos <sup><a href=\"#footnote_177_523\" id=\"identifier_177_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Esther 13. 16.\">177<\/a><\/sup>: Ne claudas ora te canentium.<br>Dos Gregos deixamos dito que veneravam tanto aos M\u00fasicos, que os equivocavam nas honras com os S\u00e1bios, e Poetas, sendo entre eles como sinon\u00edmicos os nomes M\u00fasico, S\u00e1bio, Poeta: mas muito mais os honra, e acredita a voz de Deus na Sagrada Escritura, quando os trata por Profetas, e com este decoroso nome os apelida. Ora v\u00eade. Quando Samuel quis ungir a Saul em Rei, o mandou ir a um lugar, onde disse que lhe haviam de sair ao encontro os Profetas <sup><a href=\"#footnote_178_523\" id=\"identifier_178_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Reg. 10. 5.\">178<\/a><\/sup>, querendo por este nome significar-lhe os M\u00fasicos, como se v\u00ea na vers\u00e3o Caldaica e o confirmam v\u00e1rios Autores <sup><a href=\"#footnote_179_523\" id=\"identifier_179_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Vermil. Flagio. Abulens. in Exod. cap. 11. quaest. 4; Rangol. in. 1. Reg. fol. 1239. et aliis. apud Frouv. nos seus Discurs. sobre a perfeyc. do Diates. fol. mihi 76.\">179<\/a><\/sup>. Repitamos, pois, as palavras da Escritura citada: Cum que ingressus fureis ibi urbem, obvium habebis gregem Prophetarum descendentem de excelso, et ante eos psalterium, et tympanum, et tibiam, et citharam ipsos que prophetantes. E no Paralipomenon <sup><a href=\"#footnote_180_523\" id=\"identifier_180_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Paral. 15. 22.\">180<\/a><\/sup> se diz que Quenanias, Pr\u00edncipe dos Levitas, por ser muito ciente, presidia a profecia: Chonenias autem, Princeps Levitarum, prophetiae praeerat ad praecinendam melodiam; erat enim valde sapiens: e \u00e9 o mesmo que dizer que presidia ao canto, ou era Mestre da Capela, como explica aqui o A Lapide <sup><a href=\"#footnote_181_523\" id=\"identifier_181_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"A Lapid. hic.\">181<\/a><\/sup>, dizendo que os cantores se chamam Profetas; e que profetizar \u00e9 o mesmo que cantar, e Louvar a Deus: Praeerat prophetiae. Id est, praescribebat cantoribus prophetias, quas canerent: cantores enim subinde vocantur prophetae, et prophetare idem est, quod canere, et Laudare Deum. E declarando o magist\u00e9rio, e presid\u00eancia de Quenanias <sup><a href=\"#footnote_182_523\" id=\"identifier_182_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Ibid.\">182<\/a><\/sup>, diz que era de M\u00fasica: Erat enim val de sapiens, id est, intelligens; hoc est, Musicae, et canendi pritissimus. Tales enim debent esse praeceptores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center wp-block-paragraph\"><strong>\u00a7.IX.<br>Deve a M\u00fasica exercitar-se com virtude,<br>e ensinar-se com sabedoria.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M. N\u00e3o passo mais adiante; porque para formardes conceito da nobreza, que tem e estima\u00e7\u00f5es, que merece ter a M\u00fasica, e seus professores, basta este pouco, que tendes ouvido. Bem sei que para se merecerem estas estima\u00e7\u00f5es, principalmente para com Deus, se h\u00e1 de regular a M\u00fasica pelo compasso das boas obras, como pelo [p. 20] Profeta Rei <sup><a href=\"#footnote_183_523\" id=\"identifier_183_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Psalm. 46. 2.\">183<\/a><\/sup> nos recomenda o mesmo Deus, quando nos manda que lhe cantemos pelo compasso da m\u00e3o: Omnes gentes plaudite manibus. Porque pelas m\u00e3os se entendem as boas obras, e s\u00f3 com as boas obras faz boa conson\u00e2ncia a M\u00fasica nos ouvidos de Deus. Assim o declara S. Jer\u00f4nimo <sup><a href=\"#footnote_184_523\" id=\"identifier_184_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. Hieron. lib. 2. Commentar. in cap. 16. Math.\">184<\/a><\/sup> em S. Mateus: Manus, id est, opera non corporis utique, sed animar Lavandae sunt, ut fiat in illis verbum Dei: ou, como neste mesmo Lugar (explicando o Psallite manibus) diz Reynerio <sup><a href=\"#footnote_185_523\" id=\"identifier_185_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Reyner. in Psalm. 46.\">185<\/a><\/sup>: Bonis operibus concordent manus cum Lingua, illae operentur, haec confiteatur. Bem sei que se h\u00e3o de vestir de honestidade, e virtude tanto a M\u00fasica, como os que a professam; que isso nos quer tamb\u00e9m o Senhor dizer, quando pelo Profeta Rei <sup><a href=\"#footnote_186_523\" id=\"identifier_186_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Psalm. 32. 3.\">186<\/a><\/sup> nos manda que lhe cantemos bem, e com voz alta: Bene psallite ei in vociferatione; por que ali Bene, segundo S. Agostinho <sup><a href=\"#footnote_187_523\" id=\"identifier_187_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"D. August. Lib. 1. suae Mus. cap. 3.\">187<\/a><\/sup>, n\u00e3o s\u00f3 significa a per\u00edcia da M\u00fasica, que deve ter quem com ela Louva a Deus; sen\u00e3o tamb\u00e9m a honestidade, e virtude, de que o esp\u00edrito deve andar ornado: e nestes termos vale ali tanto Bene, como Honeste, honesta e virtuosamente: Bene quidem, id est, artifiose; aut bene, id est, honeste. Bem o sei, torno a dizer: mas tamb\u00e9m sei que n\u00e3o estamos agora em tempo de tratar disso; porque nem eu estou constitu\u00eddo em magist\u00e9rio, nem v\u00f3s em discipulato.<br>D. Se por outra causa, Senhor, e n\u00e3o calais, tempo vir\u00e1, em que mo digais; porque \u00e0 vista do que vos tenho ouvido, j\u00e1 estou totalmente resoluto a aprender, e saber esta ci\u00eancia: e para a estudar com mais gosto, haveis de ter paci\u00eancia, que convosco mesmo a hei de aprender. Portanto, para que cobre mais brios \u00e0 vontade, quero (enquanto a tarde dura) que me digais alguma coisa das suas virtudes, e efeitos, conforme me insinuasteis ao princ\u00edpio.<br>M. Muito digno de Louvor vos julgo, meu Menino, por t\u00e3o galharda resolu\u00e7\u00e3o: mas tenho que notar-vos, e muito estranhar-vos a escolha, ou elei\u00e7\u00e3o, que de mim fazeis para t\u00e3o alta empresa; sendo t\u00e3o limitado o meu talento, que me constitui indigno Atlante para tanto peso. Para ensinar, requer-se experimentada ci\u00eancia; e n\u00e3o bastam os anos, se neles (para a not\u00edcia) faltou o exerc\u00edcio entre doutos. \u00c9 necess\u00e1ria a frequente Li\u00e7\u00e3o dos Livros para reparo da ignor\u00e2ncia: e por sobra desta, e falta daquela se me dificulta muito toda a resolu\u00e7\u00e3o a qualquer d\u00favida. Enfim, como diz Rabano <sup><a href=\"#footnote_188_523\" id=\"identifier_188_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Raban. de Cleric. inst. apud Abr. defin. et qualit. Paroch. lib. 1. cap. 6. num. 52.\">188<\/a><\/sup>, \u00e9 coisa muito perigosa meter-se algu\u00e9m a ensinar sem todos os predicados, e requisitos, que o constituam digno de exercer com cabal satisfa\u00e7\u00e3o o magist\u00e9rio: Periculosum est Magisterii pondus cum subire, qui non scientiae praesidio fultus, potens sit illud sufficere.<br>D. N\u00e3o me parecia a mim que havia em v\u00f3s tantas causas para o receio, quando estou vendo em cadeiras a outros, que mais julgava eu dos bancos serem dignos: e t\u00e3o s\u00f3leos no falar de M\u00fasica, quanto deviam ser prontos para ouvirem silenciosos as dificuldades, que ignoram, das mesmas mat\u00e9rias, que a torto, e a direito intr\u00e9pidos afirmam, disputam, e resolvem. E assim n\u00e3o entendia eu at\u00e9 agora que havia na M\u00fasica tantas, e t\u00e3o grandes dificuldades, como me dais a entender: ou ao menos com a confian\u00e7a de tantos se me facilitavam certamente todas.<br>M. Pois sabeis que \u00e9 para mim a m\u00fasica um intricado Labirinto, no qual havendo de meter-me, temo (faltando-me o fio da douta especula\u00e7\u00e3o) n\u00e3o tornar a sair, como tornou Theseo. Nem sinto em a explicar menos dificuldade, do que tiveram os Antigos com o celebrado n\u00f3 de G\u00f3rdio.<br>Enquanto por\u00e9m aos ignorantes, que se fazem mestres, digo que isso lhes prov\u00e9m de uma louca temeridade, e esta lhes nasce talvez das presun\u00e7\u00f5es [p. 21] v\u00e3s, de que se deixam apoderar; e que tamb\u00e9m eu serei tido por um deles, se sendo ainda disc\u00edpulo imperfeito, quiser j\u00e1 granjear cr\u00e9ditos de consumando Mestre. O certo \u00e9 que a ignor\u00e2ncia \u00e9 a que faz aos homens ou presumidos, ou temer\u00e1rios. Por isso s\u00e3o tantos os que no tempo presente se atrevem a ensinar a M\u00fasica; da qual bem podemos dizer o que j\u00e1 (posto que a outro intento) disse Abreo <sup><a href=\"#footnote_189_523\" id=\"identifier_189_523\" class=\"footnote-link footnote-identifier-link\" title=\"Abr. lib. 1. defin. et qualit. Paroch. cap. 6. num. 52. in fin.\">189<\/a><\/sup>: Que sendo certo que ningu\u00e9m se atreve a professar uma arte, que primeiro bem, e de raiz n\u00e3o aprendeu, s\u00f3 esta da M\u00fasica (sendo assaz dificultosa) h\u00e1 homens t\u00e3o temer\u00e1rios, que destitu\u00eddos quase de toda a ci\u00eancia, se atrevem n\u00e3o s\u00f3 a exercit\u00e1-la, sen\u00e3o tamb\u00e9m a ensina-la: Certe (diz o Padre) nullam artem audet quis profiteri, quam prius non comparaverit: solum difficilem artem hanc omni praesidio doctrinae destituti homines temerarii exercere audent.<br>D. Das vossas palavras bem entendo j\u00e1, quanto \u00e9 dif\u00edcil a M\u00fasica: mas, por escusar rodeios, para assentirdes aos meus desejos, basta que eu vos escolha para Mestre, e me sujeite \u00e0 vossa doutrina, tendo por boa qualquer que me aplicardes; pois quando em v\u00f3s haja defeitos no saber, todos para comigo se suprem com a boa opini\u00e3o, que de v\u00f3s fa\u00e7o, e sobra de vontade de com nenhum outro aprender, sen\u00e3o convosco.<br>M. N\u00e3o basta s\u00f3 isso; porque para Mestre, e para a elei\u00e7\u00e3o deste, devem de mais a mais concorrer as condi\u00e7\u00f5es, que talvez em outro lugar vos declararei: mas, por satisfazer \u00e0 vossa vontade, j\u00e1 me resolvo a aceitar a empresa. Farei o que puder, e direi o que entender: mas antes que entremos com os preceitos da Arte, vamos j\u00e1, e primeiro dizendo alguma coisa do muito que o poder da M\u00fasica no mundo maravilhosamente tem obrado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/projetos-em-andamento\/escola-de-canto-de-orgao-parte-i-indice\/\" data-type=\"page\" data-id=\"507\">Voltar ao \u00cdndice<\/a> da Escola de Canto de \u00d3rg\u00e3o<\/p>\n<ol class=\"footnotes\"><li id=\"footnote_1_523\" class=\"footnote\">D. August. supr.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_1_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_2_523\" class=\"footnote\">Robert. De Fluctib. Tr. 2. Part. 2. Lib. 1. Cap. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_2_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_3_523\" class=\"footnote\">Cassan. Catal. Glor. Mund. Part. 1u. consid. 51.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_3_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_4_523\" class=\"footnote\">Beroald. Crat. M Horat.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_4_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_5_523\" class=\"footnote\">Cassiod. Lib. 2. Cap. 40.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_5_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_6_523\" class=\"footnote\">Maced. Eva e Av. Part. 1. cap. 23. Num. 9.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_6_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_7_523\" class=\"footnote\">Text. In Officin. Tit. Citharaedi; Cassan. Supr. Vers. Anaxeneri, el vers. Eunomius.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_7_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_8_523\" class=\"footnote\">Diodr. Lib. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_8_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_9_523\" class=\"footnote\">Ceron. Tom. 1. Lib. 2. Cap. 17; Lorent. Porq. De la M\u00fas. Lib. 1. Cap. 2; Victor Theatr. De los Dios. Part. 1. Lib. 5. Cap. 20;<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_9_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_10_523\" class=\"footnote\">Plin. Lib. 7. Cap. 3<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_10_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_11_523\" class=\"footnote\">Boet. Lib. 1. Sua Mus. Cap. 10; Kirch. Musurg. Univers. Tom. 1. Lib. 2. Cap. 1. Erotem. 1. \u00a7. 1; Schot. Mathem. Part. 2. Lib. 9. Cap. 3. \u00a7. 3; Plin. Lib. 5. Histor. Natur; Zarlin. Instit. Harm. Part. 1. Cap. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_11_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_12_523\" class=\"footnote\">Horat. In Art.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_12_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_13_523\" class=\"footnote\">Pacific. Apud Textor. In Officin. Part. 2. Tit. Citharaedi.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_13_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_14_523\" class=\"footnote\">Propert. Lib. 2.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_14_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_15_523\" class=\"footnote\">Horat. Ode 10.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_15_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_16_523\" class=\"footnote\">Text. supra; Man. Nun. Art. Min. tr. das Explan. na 2. num. 22.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_16_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_17_523\" class=\"footnote\">Ceron. tom. 1. lib. 2. cap. 31; Num. 10. 2.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_17_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_18_523\" class=\"footnote\">Man. Nun. supra, sed num. 23.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_18_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_19_523\" class=\"footnote\">Agric. Christian. Dial. 16. \u00a7. 37.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_19_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_20_523\" class=\"footnote\">Exod. 15. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_20_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_21_523\" class=\"footnote\">Eupolem. apud Vian. Prolog. \u00e0 trad. de Ovid. Metam.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_21_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_22_523\" class=\"footnote\">Horat. supra<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_22_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_23_523\" class=\"footnote\">Exod. 7. 10.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_23_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_24_523\" class=\"footnote\">Kirch. Musurg. univers. tom. 1. lib. 2. cap. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_24_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_25_523\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_25_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_26_523\" class=\"footnote\">Maced. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_26_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_27_523\" class=\"footnote\">D. August. ep. 28.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_27_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_28_523\" class=\"footnote\">Gen. 2. 15.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_28_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_29_523\" class=\"footnote\">Fr. Juan de la Cruz di\u00e1logo. de las cerem. part. 3, apud Man. Nam supr. num. 21.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_29_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_30_523\" class=\"footnote\">Man. Nun. Art. Min. tr. das Explan. na 1. num. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_30_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_31_523\" class=\"footnote\">Richard de S. Victor. part. 1. tract. except. lib. 2. cap. 5.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_31_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_32_523\" class=\"footnote\">Paraghr. apud Petr. de Figueyro tom. 1. in Psalm. 7. 7.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_32_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_33_523\" class=\"footnote\">Herman. Finck apud Berard. Miscelan. Musical. part. 2. Cap. 5<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_33_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_34_523\" class=\"footnote\">Genebr. apud Nassar. Escuel. Mus, part. 1. Lib. 1 cap. 1;<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_34_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_35_523\" class=\"footnote\">Cantimprat. apud eumd. ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_35_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_36_523\" class=\"footnote\">Genebr. in Chronograp. lib. 1. apud Man. Nun. tr. das Explan. na 2. num. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_36_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_37_523\" class=\"footnote\">Joseph. de antiq. Jud. cap. 4. Pier. Hieroglif.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_37_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_38_523\" class=\"footnote\">Margar. Philosoph. apud Berard. Miscelan. Musical. part. 1. cap. 6.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_38_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_39_523\" class=\"footnote\">Kirch. Musurg. univers. tom. 1. lib. 2. cap. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_39_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_40_523\" class=\"footnote\">Fonc. SyIv. mor. Centur. 5. \u00a7. 5<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_40_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_41_523\" class=\"footnote\">Gen. 4. 21 et 25.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_41_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_42_523\" class=\"footnote\">Man. Num. supr. na Explan. 2. n. 21.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_42_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_43_523\" class=\"footnote\">Moy. Arithmet. Lib. 5. cap. 5. art. 2; Schot. Matemat. part. 2. lib. 9. cap. 3. \u00a7. 3; Boet. lib. 1. sua Mus. cap. 10. <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_43_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_44_523\" class=\"footnote\">Gen. Supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_44_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_45_523\" class=\"footnote\">Maced. Eva e Av. part. 1. cap. 23. num. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_45_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_46_523\" class=\"footnote\">Berard. Miscelan. Musical. part. 1. cap. 6.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_46_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_47_523\" class=\"footnote\">Ven. Bed. fol. 408. Ptolom. Lib. 1. cap. 7. Nassar. Escuel. Mus. part. 1. lib. 2. cap. 11.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_47_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_48_523\" class=\"footnote\">Monarq. Lusitan. tom. 1. cap. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_48_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_49_523\" class=\"footnote\">Man. Nun. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_49_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_50_523\" class=\"footnote\">Berard. Miscelan. Musical. part. 1. cap. 8.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_50_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_51_523\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_51_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_52_523\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_52_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_53_523\" class=\"footnote\">Virgil. in Buccol. Egl. 40.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_53_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_54_523\" class=\"footnote\">Cornelio Gallo Poeta, em cuja pessoa fala aqui Virg\u00edlio.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_54_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_55_523\" class=\"footnote\">Calep: verbo Musica.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_55_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_56_523\" class=\"footnote\">Roset. Compend. Mus. part. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_56_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_57_523\" class=\"footnote\">Cassan. Catal. Glor. Mund. part. 10. consid. 51.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_57_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_58_523\" class=\"footnote\">Petrarch. De rem. Lib. 1. dial. 3.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_58_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_59_523\" class=\"footnote\">Cic. Lib. 1. Tusculan.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_59_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_60_523\" class=\"footnote\">Tiraq. de nobil. cap. 34. num. 12.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_60_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_61_523\" class=\"footnote\">Plutarch. in vita Cimon.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_61_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_62_523\" class=\"footnote\">Plat. in Tim. <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_62_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_63_523\" class=\"footnote\">Id. et Lucens. lit. M. Michael Psel. apud Barrad. Flor. Music in princ.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_63_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_64_523\" class=\"footnote\">Plat. et Roset. apud Lorent. Porq. de la Mus. lib. 1. cap. 3; Ceron. tom. 1. lib. 1. cap. 57<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_64_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_65_523\" class=\"footnote\">AElian. de var. histor, fone. Sylv. Mor. centun. 5. \u00a7. 5. Maced. Eva et Av. part. 1. cap. 23. n. 15<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_65_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_66_523\" class=\"footnote\">Cic. Lib.1 Tuscul. Valer. Max. lib. 8. cap. 7. de Stud. et industr.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_66_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_67_523\" class=\"footnote\">Plat. lib.5. Alcibiad. apud. Maced. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_67_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_68_523\" class=\"footnote\">Id.et Aristot. 3. De Leg.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_68_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_69_523\" class=\"footnote\">Id. Plat. Polit. 8.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_69_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_70_523\" class=\"footnote\">Plutarch. lib de instit. Liber.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_70_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_71_523\" class=\"footnote\">Id. in sua Mus.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_71_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_72_523\" class=\"footnote\">Aristot. de. Rep. lib. 8. cap. 4. et 5.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_72_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_73_523\" class=\"footnote\">Id. In lib. Polit.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_73_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_74_523\" class=\"footnote\">Rhodi lib. 5. lect. antiq. apud Victor. Theatr. de los Dioses, part. 1. lib. 5. cap. 20.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_74_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_75_523\" class=\"footnote\">Gio Philip. apud Berard. Miscelan. Musical. part. 1. cap. 8.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_75_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_76_523\" class=\"footnote\">Maced. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_76_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_77_523\" class=\"footnote\">Julian. ep. 56.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_77_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_78_523\" class=\"footnote\">Maced. ubi supr. num. 13.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_78_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_79_523\" class=\"footnote\">Athen. apud Berard, Miscellan. Musical. part. 1. cap. 11.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_79_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_80_523\" class=\"footnote\">Gratian. disciple. 6. retis. cap. 185. n. 39 ; Barbos. ad Ordin. Portug. Lib. 4. tit. 31. \u00a7. 5. num. 2<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_80_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_81_523\" class=\"footnote\">Ludov. Vivald. persecut. 10.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_81_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_82_523\" class=\"footnote\">D. Isid. lib. 3. cap. 6. apud Berard. Flor. Music. in princ.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_82_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_83_523\" class=\"footnote\">Man. Num. Art. min. tr. das Explan. na 1. n. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_83_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_84_523\" class=\"footnote\">Beyerl: tom. 5. fol. 539.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_84_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_85_523\" class=\"footnote\">D. Isid. Etym. lib. 3. cap. 15.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_85_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_86_523\" class=\"footnote\">D. August. lib. 17. De civit. cap. 14.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_86_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_87_523\" class=\"footnote\">Id. apud. Ceron. tom. 1. lib. 1. cap. 9.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_87_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_88_523\" class=\"footnote\">Boet. Oper. Sest. apud Man. Num. tr. das Explan. na 2. num. 25.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_88_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_89_523\" class=\"footnote\">D. Hieron. in Catal. Scriptor. Ecclesiast.; Fr. Anton. de Sen. in vit. Sanct. Patr. Ord. Praedicat.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_89_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_90_523\" class=\"footnote\">Cassiod. variar. lib.2. epist. 45.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_90_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_91_523\" class=\"footnote\">Belarm. de Script. Eccles.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_91_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_92_523\" class=\"footnote\">Richard. part. 1. Lib. 7. Cap. 10.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_92_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_93_523\" class=\"footnote\">Man. Num. Art. Min. das Explan. na 2. num. 24.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_93_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_94_523\" class=\"footnote\">Fr. Jos.de Jer. Mar. Acad. singul. lib. 10. cap. 3. pag. mihi 531<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_94_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_95_523\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_95_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_96_523\" class=\"footnote\">D. Ambros. in Psalm. 118. apud. Fonc. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_96_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_97_523\" class=\"footnote\">D. Hier. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_97_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_98_523\" class=\"footnote\">Breviar. Rom. Die 28. Januarii.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_98_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_99_523\" class=\"footnote\">Fr. Le\u00e3o de S. Thom. na Benedict. Lusit. part. 1. tr. 1. cap. 3.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_99_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_100_523\" class=\"footnote\">Orat. Tigrin. Compend. de Music. lib. 1. cap. 44.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_100_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_101_523\" class=\"footnote\">Maced. Eva e Av. part. 1. cap. 23. n. 11. <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_101_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_102_523\" class=\"footnote\">Berard. Miscellan. Musical. part. 1. cap. 4.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_102_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_103_523\" class=\"footnote\">Fr. Le\u00e3o de S. Thom. na Benedict. Lusit. part. 5. tr. 1. cap. 10. \u00a7. 2.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_103_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_104_523\" class=\"footnote\">Ilhesc. na Hist. Pontific. part. 1. lib. 4. cap. 1. et. 16. et lib. 5. cap. 6.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_104_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_105_523\" class=\"footnote\">Joan. Baessier. Floscul. Histor. an. 1024.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_105_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_106_523\" class=\"footnote\">Eccli. 44. 1. et 5.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_106_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_107_523\" class=\"footnote\">Fr. Jos. de Jes. Mar. Academ. singul. cap. 3. pag. mihi 591.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_107_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_108_523\" class=\"footnote\">Fonc. Sylv. Mor. centur. 5. \u00a7. 5.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_108_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_109_523\" class=\"footnote\">Dami\u00e3o de Goes na Chron. de El Rey. D. Man. part. 4. cap. 84.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_109_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_110_523\" class=\"footnote\">Maced. supra, num. 15.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_110_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_111_523\" class=\"footnote\">Thales. cap. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_111_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_112_523\" class=\"footnote\">Polid. Virg. lib. 2. cap. 7. Sylv. de. var. lic. ; Pedr. Mer. part. 3. cap. 3.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_112_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_113_523\" class=\"footnote\">Paral. 15. 16. et. 25<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_113_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_114_523\" class=\"footnote\">Declarou \u00e0 XXX das tr\u00eas Ordens Militares que o exerc\u00edcio da M\u00fasica n\u00e3o era mec\u00e2nica que houvesse mister dispensada os M\u00fasicos tomarem o h\u00e1bito das xxx Ordens, xxx. tem honrado com ela. <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_114_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_115_523\" class=\"footnote\">Apocal. 14. 3. Ibid. 15. 2.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_115_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_116_523\" class=\"footnote\">D. Thom. in 2. sent. dist. 2. quaest. 4. art. 2.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_116_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_117_523\" class=\"footnote\">Luc. 2. 13. et. 14<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_117_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_118_523\" class=\"footnote\">D. Joan. Damasc. Orat. 2.de dormit. Dcip.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_118_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_119_523\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_119_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_120_523\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_120_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_121_523\" class=\"footnote\">Valaf. de reb. Eccl. cap. 25. apud Berard. Miscellan. Musical. part. 1. cap. 4.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_121_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_122_523\" class=\"footnote\">Fonc. Sylv. Mor. supra; Man. Nun. Art. Min. tr. das Explan. na 2. num. 25.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_122_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_123_523\" class=\"footnote\">Sigib. in Chron. cap. 12.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_123_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_124_523\" class=\"footnote\">Prad. espirit. lib. 6. cap. 4.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_124_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_125_523\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_125_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_126_523\" class=\"footnote\">Chron. de S. Franc. lib. 2. cap. 29.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_126_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_127_523\" class=\"footnote\">Apoc. 14. 2<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_127_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_128_523\" class=\"footnote\">Sur. tom. 3. in vita.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_128_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_129_523\" class=\"footnote\">Psalm. 149. 5.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_129_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_130_523\" class=\"footnote\">D. Gregor. lib. 4. Dial. Cap. 4.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_130_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_131_523\" class=\"footnote\">Cassan. in Catal. Glor. Mund. consid. 51. vers. sed ut Semel. Maced. supr. n. 15. Man. Nun. supra et alii.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_131_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_132_523\" class=\"footnote\">Ludov. Vivald. tr. de persec. Eccl. Persec. 10<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_132_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_133_523\" class=\"footnote\">Psal. 107. 3.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_133_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_134_523\" class=\"footnote\">D. Bern. sup. cant. serm. 15.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_134_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_135_523\" class=\"footnote\">Malth. 26. 30. Marc. 14. 26.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_135_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_136_523\" class=\"footnote\">Fr. Dieg. Murill. apud. Nassar. Escuel. Mun. part. 1. lib. 1. cap. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_136_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_137_523\" class=\"footnote\">Bon. Divin. Psal. mod. cap. 16.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_137_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_138_523\" class=\"footnote\">Durand. lib. 5. cap. 2. num. 23.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_138_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_139_523\" class=\"footnote\">D. Gregor. Nazianz. apud. Kircher. Musurg. univers. tom. 1. lib. 7. cap. 3.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_139_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_140_523\" class=\"footnote\">D. August. apud eumd. ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_140_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_141_523\" class=\"footnote\">Kirch. Musurg. univers. tom. 1. lib. 7. cap. 3.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_141_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_142_523\" class=\"footnote\">Maced. Eva e Av. part. 1. cap. 23. numer. 15.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_142_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_143_523\" class=\"footnote\">Veyg. in Thcolonar. Pales. tr. 14. num. 1054.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_143_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_144_523\" class=\"footnote\">Albert. Magn. super Minus est. cap. 143.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_144_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_145_523\" class=\"footnote\">D. August. Serm. 18 de Sanct. qui est 2. de Annunt. Dominii.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_145_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_146_523\" class=\"footnote\">Id. Serm. 5. qui est. 10. de Annunt.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_146_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_147_523\" class=\"footnote\">Vide Maced. supr. num. 16. et apud ipsis ibi ; Man. Nun. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_147_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_148_523\" class=\"footnote\">Cant. 2. 14.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_148_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_149_523\" class=\"footnote\">Cald. hic. <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_149_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_150_523\" class=\"footnote\">Cornel. Alapid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_150_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_151_523\" class=\"footnote\">Revel. de S. Brig.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_151_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_152_523\" class=\"footnote\">D. August. ep. 119. et 18.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_152_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_153_523\" class=\"footnote\">D. Joan Chrysostom. apud Fonc. supra.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_153_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_154_523\" class=\"footnote\">Exod. 15. et 21.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_154_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_155_523\" class=\"footnote\">Paral. 16. 9.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_155_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_156_523\" class=\"footnote\">Tob. 12. 6.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_156_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_157_523\" class=\"footnote\">Ibid. sed. v. 7. <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_157_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_158_523\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_158_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_159_523\" class=\"footnote\">Ibid. sed v. 18.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_159_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_160_523\" class=\"footnote\">Eccli. 39. 20.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_160_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_161_523\" class=\"footnote\">Isai. 15. 5.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_161_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_162_523\" class=\"footnote\">Id. 42. 10.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_162_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_163_523\" class=\"footnote\">Jerem. 20. 13.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_163_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_164_523\" class=\"footnote\">Psalm. 95. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_164_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_165_523\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_165_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_166_523\" class=\"footnote\">Psalm. 65. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_166_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_167_523\" class=\"footnote\">Psalm. 97. 5.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_167_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_168_523\" class=\"footnote\">Psalm. 46. 8.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_168_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_169_523\" class=\"footnote\">Psalm. 38. 8.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_169_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_170_523\" class=\"footnote\">D. Hieron. Ibi.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_170_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_171_523\" class=\"footnote\">Cassiod.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_171_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_172_523\" class=\"footnote\">Eccli. 32. 5.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_172_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_173_523\" class=\"footnote\">Psalm. 88. 16.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_173_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_174_523\" class=\"footnote\">Hilar. Pictav. super. Psal. 65.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_174_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_175_523\" class=\"footnote\">Maced. Eva e Av. part.1. cap. 24. num. 1.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_175_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_176_523\" class=\"footnote\">Pereyr. elucid. lib. 1. elucid. 2. sect. 2. n. 38; Man. Nun. Art. min. tr. das Explan. na 2. n. 21.in fin.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_176_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_177_523\" class=\"footnote\">Esther 13. 16.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_177_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_178_523\" class=\"footnote\">Reg. 10. 5.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_178_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_179_523\" class=\"footnote\">Vermil. Flagio. Abulens. in Exod. cap. 11. quaest. 4; Rangol. in. 1. Reg. fol. 1239. et aliis. apud Frouv. nos seus Discurs. sobre a perfeyc. do Diates. fol. mihi 76.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_179_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_180_523\" class=\"footnote\">Paral. 15. 22.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_180_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_181_523\" class=\"footnote\">A Lapid. hic.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_181_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_182_523\" class=\"footnote\">Ibid.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_182_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_183_523\" class=\"footnote\">Psalm. 46. 2.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_183_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_184_523\" class=\"footnote\">D. Hieron. lib. 2. Commentar. in cap. 16. Math.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_184_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_185_523\" class=\"footnote\">Reyner. in Psalm. 46.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_185_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_186_523\" class=\"footnote\">Psalm. 32. 3. <span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_186_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_187_523\" class=\"footnote\">D. August. Lib. 1. suae Mus. cap. 3.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_187_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_188_523\" class=\"footnote\">Raban. de Cleric. inst. apud Abr. defin. et qualit. Paroch. lib. 1. cap. 6. num. 52.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_188_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><li id=\"footnote_189_523\" class=\"footnote\">Abr. lib. 1. defin. et qualit. Paroch. cap. 6. num. 52. in fin.<span class=\"footnote-back-link-wrapper\">[<a href=\"#identifier_189_523\" class=\"footnote-link footnote-back-link\">&#8617;<\/a>]<\/span><\/li><\/ol>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Art\u00edculo IDa origem, nobreza e estima\u00e7\u00e3o da M\u00fasica assim para com os homens, como para com Deus \u00a7. 1Da origem, e nobreza da M\u00fasica M. \u00c9 a M\u00fasica t\u00e3o nobre, e preexcelsa, que chegou a gozar foros de Divina; ep\u00edteto, que (como j\u00e1 ouvistes) lhe deu S. Agostinho 1, e com que a apelidam muitos &hellip; <\/p>\n<p class=\"link-more\"><a href=\"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/projetos-em-andamento\/escola-de-canto-de-orgao-parte-i-dialogo-preliminar-articulo-i\/\" class=\"more-link\">Leia mais<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Escola de Canto de \u00d3rg\u00e3o &#8211; Parte I &#8211; Di\u00e1logo Preliminar &#8211; Art\u00edculo I&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":205,"menu_order":2,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"inspiro_hide_title":false,"inspiro_hide_featured_image":false,"footnotes":""},"class_list":["post-523","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/523","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=523"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/523\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":534,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/523\/revisions\/534"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/pensar.musica.ufrn.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=523"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}